
O carioca Rômulo Fonseca, 43, é um dos brasileiros mais carismáticos que residem no Hawaii, famoso por sua hospitalidade e disposição dentro da água na costa norte de Oahu.
Dono da pousada Green Forever, que todo ano hospeda dezenas de brasileiros, ele sempre encontra tempo para estar no outside nos dias de maiores ondas da temporada, principalmente em Waimea, seu pico predileto.
Rominho, como também é conhecido, já atuou como técnico de alguns atletas brazucas no WCT, como Victor Ribas, e atualmente trabalha com o franco-brasileiro Eric Rebieri, que sob seus cuidados pulou da 64a para a 6a posição no WQS, praticamente garantindo uma vaga para o WCT do ano que vem.

Nesta entrevista exclusiva para o site Waves.Terra, ele fala sobre as novidades nas ilhas para esta temporada e diz que o segredo para o Brasil ter um campeão mundial é os atletas passarem mais tempo no Hawaii.
Quais são as expectativas para esta temporada que se inicia?
Em termos de ondas começamos meio devagar, apesar de já ter rolado um swell de 12 pés. Teremos muitos campeonatos importantes, como a Triple Crown, que este ano promete pegar fogo com a disputa do título mundial entre Kelly Slater e Andy Irons.

O Tow-In também está se organizando e agora conta com uma associação própria, e o campeonato em Jaws está 100% confirmado. O WQS em Pipeline, em fevereiro, também deve ser mais valorizado no ranking e, com isso, atrair um número maior de competidores internacionais.
Como está sendo sua preparação?
Eu joguei futebol o verão todo e estou em forma, já peguei altas ondas no primeiro swell que rolou. Não vejo a hora de Waimea quebrar gigante de novo. Tenho levado uma vida bem tranqüila e saudável com a minha noiva Fernanda, e isso ajuda muito. Pessoalmente, estou muito feliz e devo me casar em breve. Demos um supertrato na pousada e devemos estar completamente lotados até abril.

Como está seu trabalho como técnico de surfistas profissionais?
Este ano eu trabalhei com o franco-brasileiro Eric Rebiere e foi um prazer muito grande. Pela primeira vez eu tive um atleta que acreditou na importância de permanecer aqui no Hawaii durante toda a temporada e tivemos bastante tempo para conversar e treinar.
Graças a Deus os resultados apareceram e ele passou da 64a colocação no ano passado para 6o lugar no WQS este ano. A sua classificação para o WCT de 2004 está praticamente garantida. Penso ser este o grande problema na preparação dos brasileiros, ninguém passa a temporada toda aqui no Hawaii. O verão no Brasil quase não dá onda, acho muito difícil termos um campeão mundial assim.

Falando em renovação, como você vê a nova geração brasileira?
Eu fui a Europa e Califórnia acompanhar o WQS e fiquei impressionado. A nova geração brasileira é muita completa e surfa muito em qualquer condição, mas a classificação para o WCT é um funil muito estreito. O meu surfista predileto é o campeão brasileiro Léo Neves. O cara realmente é muito talentoso e quando entrar no WCT tem potencial para se destacar muito. Achei uma injustiça muito grande ele não receber um dos convites para disputar o WQS 6 estrelas de Floripa. Afinal, o cara é o campeão brasileiro. Já é um atraso pros brasileiros o SuperSurf não contar pontos para o WQS, e não prestigiar o nosso campeão é um absurdo.

Como está o clima com os locais havaianos nesta temporada?
Obviamente, a cada temporada lugares com Rocky Point e Pipeline vão ficar mais crowd e, conseqüentemente, mais violentos. Existe toda uma geração de surfistas profissionais havaianos que não se deu bem em competições e são pagos para aparecer em fotos nas revistas. Esses caras vão lutar com unhas e dentes pelo seu ganha pão. Mas para quem realmente quer surfar, o North Shore tem muitas opções. Eu não acho que os profissionais devam deixar de cair em Pipe, mas não dá pra ficar “impregnando” lá o tempo todo. Agora, comparada com o Brasil, a violência aqui é coisa de criança.

Alguma novidade em termos de equipamento?
Basicamente os mesmos modelos. Eu continuo usando a minha Surflight flexível para Waimea e ondas gigantes, mas voltei a usar pranchas de fibras convencionais na maioria dos mares. Estou com um quiver simples, mas bastante funcional. Uma novidade que deve agradar a todos é o lançamento de diversos sites de fotógrafos que fazem imagens da surfistada no dia-a-dia. Agora, ninguém vai mais pra casa sem pelo menos uma foto de recordação.
Algum recado especial para os brasileiros que querem visitar as ilhas?
Tranqüilidade e coragem. O North Shore de Oahu tem muitas ondas para oferecer. Respeitem a natureza e os outros surfistas. Aloha!