
O já consagrado swell que entrou no dia 10 de janeiro nas ilhas havaianas fez a cabeça de diversos big riders brasileiros, entre eles o ex-salva-vidas Romeu Bruno, um dos pioneiros na prática do tow-in no país e acostumado a encarar situações pesadas, como a vivida na ocasião.
O swell do dia 10 foi o melhor da temporada até o momento e já entrou para a história das ondas grandes, com ondas de aproximadamente 20 a 25 metros de face. Romeu foi um dos protagonistas entre os brasileiros e surfou uma das melhores ondas de sua vida.
“Naquele dia entrou um swell de 60 pés plus de face (cerca de 20 metros). As ondas estavam lindas e assustadoras, além de tubulares e muito perigosas por causa da direção do swell”, explica o big rider.

“A ondulação de oeste forma uma correnteza que sai por baixo do pico, formando vários degraus na face da onda e também uma curva no fim da onda, que pode fechar ou abrir um tubo alucinante”, explica. “Fiquei assustado quando cheguei no canal, às 7 horas, mas logo me acostumei com o que estava vendo”, confessa.
“Fiz dupla com o Edison de Paula, meu velho parceiro como salva-vidas, e puxei ele primeiro em várias ondas da série. Depois ele me rebocou em três boas, até entrar uma onda de uns 20 e poucos metros, uma das minhas melhores”, relata Romeu, que desceu a onda no crítico.
Disposta a pegar as maiores, a dupla foi lá pra fora. “Ficamos esperando por uns 40 minutos, quando o horizonte começou a se mexer e uma das maiores ondas, com 70

pés, apareceu. Infelizmente estávamos muito atrás e o Edison não conseguiu alcança-la”, lamenta.
Em seguida, Romeu e seu parceiro encararam outra onda, um pouco menor, mas tão desafiadora quanto a outra. “Entrou uma onda de 40 pés. Dropei reto, fiz a curva e a parede armou na frente. O único caminho era o tubo. Quando botei para dentro não vi a luz do fim do túnel”, relembra.
“O barulho da onda era muito alto e o salão tinha a cor azul turquesa. Ela estava rodando muito rápido e eu posicionado muito no fundo do tubo, curtindo o momento. Minha prancha acelerou bastante e passei mais uma seção que parecia que ia fechar. Comecei a ver a luz novamente, e quando estava quase saindo o teto desabou de vez”.

O big rider foi do céu ao inferno em questão de segundos, mas graças ao seu preparo físico e mental e a experiência em situações semelhantes, segurou a bronca sem problemas.
“Rodei com muita violência e fui arremessado para o fundo pela absurda massa d’água. Graças a Deus estava tranqüilo e apesar de ficar um bom tempo submerso, consegui subi com ar até ser resgatado”.
Apesar de ter saído ileso da queda, sua prancha não teve a mesma sorte. “Perdi a prancha, que foi parar nas pedras. Quando fui resgatá-la, vi que as quilhas estavam quebradas. Foi o fim da sessão para mim”, conta.
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