Aos 18 anos de idade, Roger Barros é o mais jovem atleta a vencer o Circuito Brasileiro de Longboard. Em entrevista exclusiva ao Waves, ele fala sobre treinamento, estudos, carreira, família, ídolos e muito mais. Confira!
Clique aqui para ver as fotos
Sua família é toda do surf. Até que ponto isso influenciou no seu título de campeão brasileiro?
100%. Minha família sempre esteve presente em todos os momentos da minha vida, me apoiando e incentivando em tudo que eu faço, e no longboard não foi diferente. Sempre fiquei à vontade para escolher meu caminho.Tenho certeza de que a família é a base do sucesso no esporte, no trabalho, enfim, na vida. Por isso agradeço todos os dias por ter uma família e dedico esse tão sonhado titulo a eles.
Quando você percebeu que poderia sagrar-se campeão brasileiro, em casa?
Eu estava tranqüilo em relação ao título, tinha consciência de que poderia me sagrar campeão, mas procurei não me preocupar com isso. Foi então que o Carlos Bahia e Danilo Mullinha que estavam em minha frente no ranking perderam suas baterias, fui para as oitavas-de-final determinado a passar minha bateria contra o lendário Picuruta Salazar.
Consegui pegar ondas boas, como o mar estava grande, não consegui ouvir direito a locução, mas nos 3 minutos finas pude soltar o grito da garganta de campeão brasileiro profissional.
Esse ano o circuito mundial de longboard terá três etapas. Você pretende competir nas três?
Com certeza, será o meu terceiro ano no circuito mundial e minha posição vem subindo a cada ano. Uma coisa que me preocupa é a falta de patrocínio, ainda não tenho um patrocinador principal, o que dificulta a minha ida a essas três etapas, pois o gasto é alto pra mim. Mas tenho fé e Deus que tudo vai dar certo.
Como é o trabalho desenvolvido por você e seu time, fora da água?
É um trabalho de preparação física, técnica e tática. Sempre acompanhado pelos meus técnicos Adolfo Jordão e Alan Gandra. É uma rotina diária, separamos quatro horas para o desenvolvimento do nosso trabalho que passa pela preparação física com corrida, natação e musculação. Depois passa para a técnica de melhorar o estilo clássico e radical, até o tático que é o resumo das competições.
Quem são seus ídolos no esporte?
São aqueles que fizeram e fazem com que o longboard cresça cada vez, mas, em especial: Picuruta Salazar, Amaro Matos, Paulo Kid, Rico de Souza, Jaime Viudes, Phil Rajzman, Danilo Rodrigo, Carlos Bahia, Marcelo Freitas, Olimpinho , Eduard Bagé, Mica, Marcelo Lima, John Wolthers, Jorge Mula, entre tantos outros que contribuíram para que o longboard brasileiro chegasse onde chegou, o melhor do mundo!
Sua mãe sempre fala que você tem que estudar, se educar e depois o surf. Esse título mudou alguma coisa na opinião dela?
Pelo contrário! Até aumentou a cobrança (risos). Terminei os meus estudos (ensino médio) no ano passado. Este ano vou entrar na faculdade e ter uma segunda profissão.
Você está estudando inglês e ganhou uma passagem para a Austrália (prêmio Petrobras Nas Ondas ). Como você está planejando? Já sabe quando vai?
Bom, estou querendo de ir no começo deste ano pra passar um tempo maior por lá , quero melhorar o meu inglês e participar de alguns eventos, já que o Circuito Brasileiro e Mundial começarão mais pra frente. Ainda não sei ao certo, estou ajustando alguns detalhes.
##
Qual a sua onda preferida?
Com certeza o quintal de casa, a praia da Macumba (RJ), é a minha melhor opção. Macumba tem altas ondas, varias sessões pra treinar vários estilos, sem contar que o Recreio é um lugar privilegiado, com ondas de vários tamanhos e gostos, sempre tem alguma onda em algum ponto do recreio, sinônimo de sempre treinando.
Você deixou de ganhar algumas baterias porque não queria prejudicar seus amigos de competição. Mesmo assim você ganhou o título brasileiro. Como você está lidando com isso atualmente?
Esse ano eu passei por várias situações que me fizeram crescer, tanto profissionalmente quanto como pessoa. Mesmo após decisões, ao meu ponto de vista corretas, consegui o título, o que só concretizou as minhas atitudes durante o ano todo. Este ano estou muito mais maduro e profissional acho isso vai me beneficiar daqui pra frente.
Seu nose-rider é considerado um dos melhores do Brasil. Você faz algum treinamento específico para aprimorá-lo?
Faço, e bastante! Apesar do estilo clássico ser meu ponto forte, estou sempre procurando melhorar em todos os aspectos.
Como você tem trabalhado as manobras radicais?
Eu gosto muito de surfar com radicalidade, faz parte do meu treinamento, gosto de inovar tanto no clássico quanto no radical.
Como é seu relacionamento com seu shaper, você entende do funcionamento das pranchas?
Ótimo! O Pastor é uma peça fundamental nesse trabalho. Nós conversamos muito a respeito das minhas pranchas sempre no intuito de melhorar a minha performance dentro d´água. Até os meus treinadores entram nessa brincadeira, pois fazem parte desse trabalho. Estão de fora e podem passar informações que eu não conseguiria perceber.
O que realmente mudou na sua vida depois do título de campeão brasileiro?
Continuo sendo eu mesmo, respeitando as pessoas, treinando bastante, estudando, cuidando da Surf Shop da família.
Quais suas manobras preferidas?
Hang ten, aéreos, tubos, floaters e rasgadas.
Cortesia MidiaBacana

