
Encontrei o campeão da primeira edição da Tow In World Cup, o brasileiro Rodrigo Resende, 35 anos, ex-parceiro de Garret McNamara, vivendo em Maui, Hawaii. Ele está esperando as ondas aumentarem, treinando e se preparando para “o dia”.
Como você descreveria sua primeira experiência no tow in?
Foi em 2001, em um dia de ondas pequenas, 2 a 3 pés. Romeu Bruno me rebocou em algumas ondas, eu estava tentando dar alguns aéreos. Minha segunda vez foi com Carlos Burle em Maverick’s gigante, ondas de 40 pés e minha primeira vez em ondas enormes. Acho que, se você tem experiência em remar em ondas grandes, se dará muito bem no tow in.
Quem é seu atual parceiro?
Danilo Couto, da Bahia. Ele é bom em ondas grandes e já surfamos juntos, na remada, em Mavericks, Todos os Santos e outer reefs de Oahu. Nos conhecemos há muito tempo e sempre nos demos bem. Agora, estou ensinando tow in para ele porque ele nunca havia feito antes.
Você participou da Expression Session?
Sim. Mas perdi minha prancha no começo da bateria, e acabei apenas assistindo à maior parte do evento. Além disso, o jet-ski de um amigo quebrou e eu tive de ajudá-lo a rebocar a máquina até a costa. Mesmo assim, eu peguei algumas ondas boas ? mais esquerdas do que direitas. Estava muito crowd e não havia regras de competição ? havia dois ou três jet-skis na mesma onda. Foi meio caótico.
Conte sobre o campeonato do ano passado.
Foi uma surpresa para mim, porque só havia feito tow-in quatro ou cinco vezes antes do campeonato ? e apenas uma vez em Jaws. Minha primeira vez em Jaws foi em ondas de apenas 12 a 15 pés. Antes disso, só havia treinado com Garret em ondas pequenas, em Oahu. Tivemos muita sorte no dia do campeonato. Foi um dia especial e mágico ? para mim foi tudo perfeito.
O que você fez com o dinheiro do prêmio?
Voltei para o Brasil e comprei um apartamento para meu irmão recém-casado e sua família. Também comprei uma caminhonete e emprestei um dinheiro a alguns amigos.
Eles já pagaram?
Não!
Como têm estado as ondas nesta temporada?
Começou muito bem. O começo do inverno foi maravilhoso, muitos swells grandes. O dia 26 de novembro estava enorme, perfeito para o campeonato. Mas ainda não havia permissão para realizá-lo.
Você surfou no dia 26 de novembro?
Sim. Mas eu estava sem um jet-ski, então fiquei boiando no canal por cinco ou seis horas, esperando que alguém me rebocasse. Tive sorte que Carlos Burle e Everaldo “Pato” Teixeira me rebocaram em cinco ondas ? três esquerdas e duas direitas. Mas o Pato machucou o joelho e teve de voltar ao penhasco de Maliko e ser levado ao hospital ? mas foi um dia perfeito. Embora ainda ache que o dia do outro campeonato estava maior e mais pesado do que o 26 de novembro.
Quais são suas expectativas para a World Cup deste ano?
Quero ondas lindas e gigantes e tentar pegar um tubão.
Que outras duplas podem ser consideradas favoritas?
Ross Clarke-Jones e Tony Ray e Garret e Ikaika Kalama. É difícil lembrar todos os nomes. Muitos caras surfaram bem na Expression Session e no 26 de novembro.
Comparando com o surf de remada, o tow in é uma evolução ou um esporte diferente?
É um tipo de novo esporte e uma evolução no surf de ondas grandes ? talvez um pouco dos dois. Atualmente faço mais tow in do que remada. Você pode fazer tow in em ondas cada vez maiores e todo ano estou a procura delas. Não há limite de tamanho de onda para o tow in, talvez você possa surfar uma onda de 100 pés. Remando, você só consegue pegar ondas de até 30 pés. Acima disso é muito perigoso, ou até mesmo impossível.
Qual o futuro do tow in?
Talvez as foilboards se desenvolvam em ondas gigantes…
Tradução: Zé Lucio Cardim / Tow In World Cup