Rodízio à brasileira

Depois do encerramento da Tríplice Coroa Havaiana na ilha de Oahu, um grande swell acompanhado pelo forte vento “Kona” (oeste) levou boas ondas para a ilha de Maui.

 

Os principais big riders brasileiros já estavam na “Valey Island” na expectativa de que o pico favorito deles quebrasse de gala.

 

Mas, como a previsão também indicava que depois do forte vento oeste entraria um fraco vento de norte, existia a possibilidade de as condições em Peahi serem prejudicadas.

 

Por isso, pairava a dúvida se a ?mandíbula? de Jaws realmente mostraria seus dentes.

Na madrugada do dia 18, por volta da meia-noite, as bóias registraram 21 pés, só que com um intervalo bem curto de 13 segundos.

 

Mesmo assim já era um sinal de que o swell realmente iria bater. Às cinco horas acordei e olhei novamente as condições da bóia numero um para analisar o vento.

 

Depois da leitura realizada à meia-noite, o surf estava quase garantido – dependeria apenas do vento.

 

Na segunda vez que chequei, de acordo com o serviço de meteorologia havaiana, o vento estava quase parado e, melhor ainda, em vez de estar na direção norte, era oeste.

 

Ou seja, terral no pico. Foi nessa hora que, acompanhado pela dupla Eraldo Gueiros e Carlos Burle, descemos para a cidade para encher o tanque do jet-ski.

 

Ao passarmos por Hookipa dava para ver que o mar estava bem balançado, como se fala aqui no Hawaii “morning sickness”. Então, com calma tomamos o café da manhã e eles decidiram cair na água de qualquer maneira, mesmo se o mar estivesse ruim.

 

Decidi então registrar as imagens do cliff mesmo achando que não iria estar tão bom. Andei cerca de 40 minutos no meio de uma grande plantação de abacaxis e, bem antes de ver o mar, consegui ouvir um barulho alto e forte das ondas explodindo nas pedras.

 

Foi nessa hora que apressei o passo e em alguns minutos me deparei com ondas grandes e perfeitas. O vento era terral e havia apenas um jet-ski no outside, com alguém olhando as morras quebrarem sozinhas.

 

Não consegui identificar quem era, mas seja quem for não parecia estar se garantindo naquelas morras, pois deu meia volta e foi embora.

 

Clique aqui para ver galeria de fotos da session em Jaws.

 

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Eram 7:30 horas. Estimei as ondas em cerca de 30 pés na série. Até às 9 horas, elas quebraram sozinhas. Não apareceu mais ninguém nem para olhar as ondas.

 

Por volta das 9:10 apareceram as duas primeiras duplas, Carlos Burle com Eraldo Gueiros e Danilo Couto com Rodrigo Resende.

 

Eles chegaram no pico, nem olharam muito e já saíram pegando uma atrás da outra.

 

Em seguida chegaram Jorge Pacelli com Haroldo Ambrósio e Romeu Bruno com Everaldo ?Pato? Teixeira.

 

Essas quatro duplas reinaram no pico durante duas horas. Depois começaram a chegar mais atletas, inclusive a brasileira Andréa Moller, uma das poucas mulheres que surfam Jaws.

 

Ela não se intimidou com o tamanho das ondas e em menos de meia hora conseguiu pegar várias, pois dividia o line up com apenas três duplas.

 

Também estavam na água os experientes João Mauricio Jabour e Edson de Paula, que comemorou o aniversário presenteado com várias morras.

 

Chegaram mais alguns brasileiros, como Sylvio Mancusi, Cezinha e Coxinha. Por volta das 13 horas, todos estavam de cabeça feita e alguns retornaram para a baía de Maliko, encerrando o dia muito bem aproveitado.

 

Depois da caída, checando as previsões, ficou claro que este mesmo swell ganharia força e atingiria a Califórnia em poucos dias, provavelmente ainda maior.

 

Essa informação foi suficiente para motivar Rodrigo e Danilo a voarem na mesma noite para o norte da Califórnia na esperança de surfar ondas gigantes em Maverick’s.

 

Carlos Burle também partiu para o sul da Califórnia, com objetivo de ir para Cortez Bank numa barca organizada pela Red Bull. Também estarão nesta trip Ross Clark Jones, Ian Walsh e Jamie Sterling.

 

Na madrugada Eraldo Gueiros recebeu um telefonema de Garrett McNamara, que o convidou para desbravar ondas pouco exploradas em ‘Channel Island’, na costa da Califórnia, na altura de Santa Barbara.
 
Ainda há duas ondulações gigantes previstas para atingir o Hawaii durante a próxima semana. Agora, é esperar por mais notícias, pois está aberta a temporada de caça às ondas grandes.

 

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