O Madeirite Trópico será realizado neste final de semana na praia da Guarita, Torres (RS).
A competição será uma grande confraternização sem a preocupação de quem terá o melhor somatório e levará o caneco para casa.
Muitos títulos de destaque estarão dentro da água pois diversas personalidades confirmaram presença.
A gaúcha Roberta Borges, primeira campeã brasileira de surf, já confirmou presença. Ela trará charme e um surf de respeito para a competição.
Na entrevista abaixo a atleta fala sobre sua carreira, além de descrever os campeonatos das antigas.
Você poderia falar um pouco sobre seu currículo para a situar a molecada?
Não lembro bem, mas sei que fui campeã do primeiro circuito Renner, fui várias vezes campeã e vice-campeã dos campeonatos locais em Torres e Atlântida. Eu revezava os títulos com a minha amiga Tanira Damasceno, que me mostrou o surf aqui no Rio Grande do Sul.
A partir de 1984, eu e a Tanira passamos a competir em todo o Brasil. Em 1985, já com um bom patrocinador de São Paulo, a Sundek, fui a primeira campeã brasileira de surf e consegui uma vaga para participar do primeiro Mundial Amador, que o Brasil fez parte em 1986 na Inglaterra.
Obtive outros títulos nacionais importantes também. Com o surf conheci e surfei lugares como o Peru, Barbados, Porto Rico, Califórnia, Inglaterra, França, Austrália e Hawaii.
Você foi uma das pioneiras do surf no Rio Grande do Sul e um dos nomes mais lembrados para o Madeirite. O que isto representa para você?
Eu fui uma das pioneiras, mas antes de mim tem muita gente também. Acho que o que marcou bastante foi ser campeã numa época em que o surf estava começando a se organizar nacionalmente como esporte, criando federações e obrigando os outros estados a fazer o mesmo.
Assim o esporte passou a ter um pouco mais de divulgação e registro, nada comparado com o que se tem hoje, mas foi o início de tudo.
O surf só trouxe alegria para minha vida e tudo que faço até hoje está relacionado com ele – meu estilo de vida, minha profissão de fotógrafa e minhas férias em nossa casa a beira-mar na Barrinha, onde toda minha família surfa.
Hoje edito uma revista online que se chama Ehlas, totalmente relacionada ao life style de mulheres surfistas, a outros esportes e tudo que envolve a mulher de atitude, inclusive a beleza e feminilidade.
Você conheceu diversos tipos de onda. Como classifica as ondas do Rio Grande do Sul?
As ondas por aqui são bem difíceis, com buracos e poucas praias com canal para varar. Acho que se você surfa bem aqui em uma condição especial tudo fica mais fácil.
No tempo que você competia, qual era a principal característica dos eventos e dos competidores?
Era muito família, todos amigos com seus pais e mães participando. Um caminhão servia de palanque e tudo acontecia ali. Muito legal.
Qual a expectativa para sua participação no Madeirite Trópico?
Acho que vai ser muito legal rever amigos que perdi contato e brincar com outros que estão sempre a nossa volta. Gosto do clima de confraternização, o Madeirite para mim é isso.
Como você definiria a competidora Roberta Borges?
Nem lembro bem, me retirei de tudo que envolva competição e hoje sou uma pessoa muito diferente daquela Roberta que competia.
Prefiro fazer as coisas pelo puro prazer, emoção do fazer e de estar com as pessoas. Na verdade acho que nunca gostei da pressão das competições. Era uma necessidade, uma fase da vida.