
Alemão radicado em Maui, Robbie Sieger é um dos pioneiros em Jaws. Ele foi um dos primeiros a deslizar pelas mandíbulas com seu windsurf, naturalmente passando para o tow-in junto com Laird, Doerner e Kalama.
Ex-campeão mundial de windsurf, Sieger foi o primeiro a deslizar com sua prancha a vela nas esquerdas de Jaws cerca de dez anos atrás e abalou todos os surfistas e a galera presente no morro.
E ele voltou a arrepiar no ultimo swell, quando pegou a esquerda.

A direita sempre foi atacada pelos windsurfistas. Porém, é raro o vento com a intensidade necessária para deslizar nas esquerdas. Além disso, a esquerda não tem canal definido.
Ele agora realizou o sonho de muitos surfistas: atingir as bancadas mais remotas do Pacífico Norte a bordo do Rhino 3, barco avaliado em US$ 6 milhões, sendo ele o encarregado de formar as surf trips.
O barco serviu de plataforma de resgate nos últimos swells, mas a função principal será a captura das maiores ondas do Pacifico Norte.
Cerca de 20 pessoas e seis jets-skis estarão à procura das maiores e mais remotas ondas nos próximos anos.
Fale sobre o Red Rhino 3.
Antes de ter esse nome, ele tinha um dado pela Marinha: VR 11.
Como ele apareceu na sua vida?
Todo surfista tem um sonho de poder viajar atrás das melhores ondas e descobrir novas bancadas. Eu tenho um jetboat e outro barco menor para viajar de Maui para Molokai, mas sempre me senti limitado. E esse barco há dois anos ficou a venda aqui em Maui, porém o preço era muito além do que eu poderia pagar. Ele tinha tudo o que eu queria, reboques para colocar e retirar os jet-skis da água e uma superplataforma atrás para realizar eventos. Enfim, fiquei sonhando, ninguém acabou comprando e o preço foi caindo.
Qual o valor do barco?
Eu não posso falar, foi bem caro, mesmo assim acabei pagando US$ 400 mil a menos do que foi pedido. Na verdade, eu sabia que o barco precisava de muitos reparos se quiséssemos usá-lo para expedições. E eu pensei em arrumar um patrocínio, assim faria um barco como os da Quiksilver, mas para usá-lo nas ilhas havaianas. Acabei conhecendo um cara chamado Richard Perry, um empresário americano que surfa e abraçou a idéia. Nós tivemos sorte também, porque oito horas antes de fecharmos negócio, outra companhia fez uma oferta na Califórnia, mas ela não chegou a tempo e compramos na hora certa. Em resumo, ele preferiu bancar tudo e me deixar como responsável pelo barco.
Ele foi reformado?
Ele foi para Dradok, Califórnia, onde foi totalmente reformado.
Quais são os motores?
São dois grandes motores Detroits a diesel. E temos mais quatro motores menores extras de reserva.
E a navegação?
Ele navega a 10 milhas por hora, um pouco devagar, pois ele pesa quase 10 toneladas. São três andares.
E as acomodações?
No topo, temos duas suítes, com banheiro privativo e a suíte do capitão. No segundo andar, mais dois quartos e uma sala. No primeiro andar, dez pessoas podem dormir como se faz em submarino, com camas anexas à parede. Tem também uma cozinha grande, onde cerca de 20 pessoas podem comer confortavelmente, com um grande fogão e uma geladeira gigante. E tem também uma sala bacana para reunião. Temos também material de solda, madeira e até mesmo material para fabricar uma prancha no barco. (risos).
Quantos jets cabem no barco?
Cerca de seis e também um jetboat
Quanto o barco vale hoje?
US$ 6 milhões.
Quais são seus planos?
Eu gostaria que ele fosse também famoso por ajudar pessoas. Nos últimos swells em Jaws temos levado o barco para usá-lo como plataforma de segurança, totalmente patrocinado por Richard Perry, o dono. Quando Skin Dog, surfista de Mavericks, se machucou, e eu o levei ao barco para receber atendimento de um médico – o próprio capitão. Nós trabalhamos em contato com os bombeiros, e, no caso de uma haver emergência, podem providenciar resgate com helicóptero, transportando o acidentado de nossa plataforma com muito mais segurança. Com a grana que o tow-in vem gerando os atletas estão cada vez mais agressivos. Skin Dog foi resgatado por Ryan Rawson e com Skin no seu morey. Infelizmente Ryan foi pego por uma onda e perdeu o ski e Skin Dog. O californiano ficou muito mal e nós prestamos uma importante ajuda. No ano passado, Ross Clark Jones tinha quebrado duas costelas e ficou passando mal por três horas em seu jet-ski esperando Tony Ray surfar. Essas coisas não podem mais acontecer. Os atletas podem morrer dessa maneira.
E as viagens?
O barco tem capacidade para viajar a qualquer lugar do mundo, mas é um pouco lento. A idéia principal é explorar as ondas grandes nas ilhas do Hawaii. No caminho do Hawaii até o Japão existem milhares de ilhas com um enorme potencial.
Quanto irá custar uma viagem dessas?
Cerca de US$ 12 mil por dia, com tudo incluído, comida, gasolina e acomodação. A brincadeira é bem cara. Esse barco é alucinante, meu sonho. Com ele, podemos fazer eventos, surfar ondas enormes, descobrir novos picos e ajudar a salvar pessoas.