Expectativa no Hawaii

Robalinho dá a letra

Pedro Robalinho faz ótimo trabalho com Leo Neves e Silvana Lima. Foto: Aleko Stergiou.

O técnico carioca Pedro Robalinho vive um bom momento na temporada. Depois de orientar Leonardo Neves durante a campanha impecável em Sunset Beach, Hawaii, Robalinho agora concentra as energias para acompanhar a cearense Silvana Lima na última etapa do WCT Feminino.

 

A prova acontece em Honolua Bay, Hawaii, a partir deste sábado. Em entrevista concedida ao amigo Fernando Gaspar, Robalinho fala do desempenho de Leo Neves e comenta a expectativa para o desempenho de Silvana Lima na briga pelo título mundial feminino.

 

Em sua opinião, o que aconteceu com a Silvana em Sunset?

 

Tivemos um aproveitamento ruim em Sunset. Um sério motivo foi a falta da prancha ideal. Além disso, a Silvana não ?se achou? na bateria, levou varias ondas na cabeça e ainda pegou uma onda no final na tentativa da virada, mas não deu.
 
Você considera injustas as críticas de que ela amarelou?

 

Considero, sim, pois quem a conhece de verdade sabe que esse não foi o motivo de ela não ter passado aquela quarta-de-final. A Silvana é uma atleta que ?bota pra baixo? e gosta disso.

 

Como vocês estão se preparando para Maui?

 

No mesmo esquema que vínhamos fazendo durante o ano todo, testando novas pranchas, filmando, fazendo exercícios físicos, conversando sobre as possibilidades do circuito, traçando estratégias para fazer mais ?high scores?, ou seja, focando.
 
Você concorda que a oportunidade perdida em Sunset acabou jogando mais pressão sobre Silvana em Maui?

 

Na verdade ainda estou sentindo a repercussão aos poucos. Por um lado ficamos um pouco mais longe agora do título, mas por outro lado pode ser menos atenção sobre a Silvana. Ela vem correndo por fora. Agora, a coisa está mais dividida entre a Sil, a Sofia e a Steph. Temos boas recordações de Maui, amigos lá, acredito que a Silvana vai estar à vontade e focada em vencer a etapa.

 

Quem é mais perigosa? Stephanie ou Sophia?

 

As duas são muito perigosas. A primeira é uma grande surfista e ainda é australiana, o que facilita as coisas pra ela. A Sofia é uma guerreira sul-americana que é admirável, tem uma técnica de competição muito boa e é bem consistente.
 
Você crê que a Silvana possa sair de Maui como campeã mundial?
 
Claro que sim!

 

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Silvana Lima e Robalinho durante WCT Feminino em Itacaré (BA). Foto: Aleko Stergiou.

Como foi ver a vitória escorrer das mãos do Leo nos últimos minutos?

 

Foi aquele clima de ?bati na trave? de novo! Meus atletas venceram importantes eventos pelo mundo, mas a quantidade de segundos lugares foi acima do normal este ano, mas pelo menos estamos sempre nas finais.
 
Você acredita que esse tenha sido seu melhor resultado como coach?

 

Com certeza um dos melhores, pela tradição do evento, por ser em território havaiano, por eu estar treinando um brasileiro do nível do Leo Neves, que nos deixa tão orgulhoso de saber que um de nós pode vencer o Sunny Garcia, o Bruce Irons, o Jordy Smith e outros na seqüência em plena Sunset Beach com praia lotada! Perdemos por tão pouco que ficou até um clima legal a favor dele.
  
Esse resultado solidifica seu trabalho de coach com Leo. Há quanto tempo vocês estão trabalhando juntos?
 
Olha, esse trabalho com o Leo já passou por várias fases. Há uns 10 anos, eu ainda estava na faculdade de Educação Física e cuidava da preparação física do Leo, de seu irmão Lee, do Rodrigo Jorge e outros atletas, e já ia a alguns eventos com eles.  Cheguei a presenciar vários momentos que o Leo tinha com o Caio Monteiro, que na época era seu técnico e eu, uma espécie de estagiário. Mais recentemente, ainda no meio do ano passado, o Leo me convidou pra me juntar a ele na campanha do WCT 2007. Nessa época fizemos Brasil Tour, WQS e o que mais veio pela frente. Fomos campeões do Brasil Tour, fechamos a classificação para o WCT e vem dando mais alguns bons resultados, como esse agora no Hawaii e a própria colocação atual dele no WCT (18o).

 

A prancha que ele surfou era shapeada por quem?

 

Pedro Bataglin, shaper da Rusty.
 
Você pode dar um exemplo da influência de seu trabalho nessa etapa de Sunset?

 

Estamos hospedados na casa do Johnny Gomes, que nos recebeu muito bem por aqui. A casa fica em Sunset e tem uma vista privilegiada de todas as bancadas dos arredores. Tivemos a chance de passar horas por dia olhando pro mar, analisando bóias marítimas pela Internet para prever o swell, testando material e filmando os treinos, discutindo as táticas pra passar baterias, trabalhando o lado motivacional, cuidando da saúde física também. Bom, meu trabalho acaba sendo abrangente devido à minha formação de professor de Educação Física e pela necessidade dos atletas de serem filmados, de terem os tempos calculados das baterias, fazer planejamentos de horários de alimentação, hidratação, de ter alguém pra estar ali ajudando e lutando por eles o tempo todo. Esse sentido de equipe sempre faz a diferença. Aqui em Sunset funcionou muito bem.
 

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