
É um consenso que o surfe é um esporte saudável, prazeroso e atraente. No entanto, existem riscos inerentes à sua prática que vêm aumentando na mesma proporção em que aumenta o número de praticantes.
Além dos riscos naturais envolvendo qualquer prática esportiva, no surf fatores externos como as ondas e o equipamento interagem num ambiente complexo que está em constante movimento.
Assim como um carro ou uma bicicleta, uma prancha pode ser uma arma na mão de iniciantes e de irresponsáveis.
Estou impressionado com a quantidade de acidentes que têm acontecido ultimamente no surfe. Infelizmente alguns fatais e causados por pancadas na cabeça e conseqüentes afogamentos. Muitas destas situações poderiam ter sido evitadas com um comportamento mais cuidadoso dentro da água.
Para evitar acidentes é importante gerenciar os riscos, a começar pela escolha da praia a ser surfada, que tem que estar de acordo com a habilidade do surfista. A educação dentro da água é muito importante, pois muitos acidentes acontecem quando mais de um surfista ocupam a mesma onda.
Muito cuidado na escolha e na manutenção do equipamento para evitar imprevistos no tamanho das ondas, ou sofrer cortes nas partes quebradas da prancha ou ainda ter a cordinha arrebentada por erro no tamanho ou má conservação.
Muitos acidentes poderiam ser evitados com uso de técnicas e equipamentos de segurança. A maioria dos acidentes no surfe acontece na cabeça, pois na ânsia de respirar os surfistas levantam muito rápido e passam a competir com as pranchas, que por flutuarem não ficam embaixo da água e, empurradas pela pressão, sobem com muita força para a superfície.
Se os surfistas esperassem um pouco mais embaixo da água antes de subir para respirar, reduziriam bastante as chances de serem atingidos.
O uso de pranchas e quilhas de borracha, protetores de bico, capacetes e outros equipamentos também diminuiriam em muito os cortes e a gravidade das lesões. Ainda existe um certo preconceito em usar estes produtos, porém a diferença de performance de uma quilha que tem a lamina emborrachada, ou de um bico arredondado é mínima comparada ao benefício.
Pensar antes de fazer é fundamental, pois nunca saberemos quais serão as conseqüências de atitudes irresponsáveis. Os perigos no surfe devem ser explicados para uma melhor compreensão e eles devem ser respeitados e gerenciados.
Por exemplo: uma prancha para crianças não deve ter rabeta swallow (quanto menos pontas melhor), a ponta do bico deve ser arredondada para suavizar as pancadas e as quilhas não podem parecer facas de tão afiadas.
É claro que este não é um problema exclusivo do Brasil, mas como a educação do brasileiro se reflete em todos os setores da sociedade, dentro da água o que se vê é uma verdadeira bagunça, sem lei nem ordem, muito parecido com o trânsito de nossas cidades, o que acaba agravando o problema.
Acima de tudo o mais importante é que todo surfista tenha noção dos perigos e dos riscos envolvidos no esporte e que tenha educação, respeito e cuidado dentro do mar com ele e com os outros.