
Neste início de ano foram divulgados os resultados de pesquisas realizadas na Unesp e na Unisanta no ano de 2005, sob coordenação de pesquisadores que também pegam onda.
As pesquisas mostram que o problema da poluição de rios, riachos e córregos litorâneos é pior do que se pensava.
Há alguns anos, a Cetesb (1) tem divulgado que a grande maioria dos corpos d?água ?rios, riachos, córregos, canais, lagoas – do litoral do Estado de São Paulo recebe o despejo de esgotos domésticos e apresentam quantidades de coliformes fecais e outras bactérias muito acima dos níveis aceitáveis.
Em outras palavras, boa parte desses corpos d?água foi transformada em lixeiras, que carregam o esgoto para as praias.
A presença de esgoto nas praias constitui um sério risco à saúde pública, pois vários micro-organismos causadores de doenças como hepatite, cólera, tuberculose, leptospirose, entre outras, podem estar presentes.
Porém, além dos micro-organismos, essas novas pesquisas indicam que as águas dos rios, riachos e canais podem ser potencialmente tóxicas para os animais aquáticos, e assim causam impactos negativos no equilíbrio ecológico.
As pesquisas foram conduzidas como parte dos trabalhos de conclusão de curso de três estudantes de biologia e mostram uma situação bastante preocupante.
O primeiro trabalho foi conduzido pela estudante da Unesp de São Vicente, Andréa Pimenta Ambrozevicius, com financiamento da Fundação Estadual de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp, processo 04/12325-2)(2).
Nessa pesquisa, foram analisadas as águas dos riachos e canais que desembocam nas praias de Santos e São Vicente, tendo sido observada contribuição tóxica aguda em oito dos 15 corpos d?água analisados, além de altos níveis de amônia.
Os outros dois trabalhos foram conduzidos por Tommy Amista e Janaína Bezerra Silva, ambos da Unisanta, orientados pelo Prof MSc Camilo Dias Seabra Pereira.
##

Em seu TCC(3), Amista avaliou a toxicidade das águas do Rio Una, em São Sebastião, tendo observado piora substancial da qualidade das águas após o rio atravessar a rodovia BR-101 e passar próximo às edificações existentes, como residências, comércio, cemitério, entre outras.
Janaína Silva estudou a carga tóxica das águas do Rio Itamambuca e um de seus afluentes(4), o córrego Arataca, e observou toxicidade desde as áreas mais próximas do pé da serra até a foz, com piora gradativa da qualidade das águas à medida que o rio se aproxima do mar.
Nesse local, toxicidade aguda (mais severa) chegou a ser observada.
Se confrontados com os dados da Cetesb, os resultados indicam que esgotos e talvez outras fontes de poluentes colaborem na degradação dos corpos de água analisados ? conforme já publicado no Waves(5).
E comprovam alguns dos problemas causados pela ocupação desordenada da zona costeira, demonstrando o que a falta de um planejamento que considere a saúde pública e a questão ambiental pode causar.
Além disso, esses estudos mostram uma situação de risco para banhistas, surfistas e para o meio ambiente, o que torna urgentes medidas de saneamento no litoral paulista.
Apenas para relembrar, o despejo de esgotos é proibido em rios e praias, de acordo com a legislação brasileira.
Os trabalhos encontram-se disponíveis para consulta nas bibliotecas da Unesp e da Unisanta, respectivamente.
Para saber mais
1 Relatórios Cetesb
2 Estudo da Contribuição Tóxica de Corpos D?Água Afluentes para as Praias de Santos e São Vicente, Litoral Sudeste do Estado de São Paulo. Trabalho de Conclusão de Curso. Andréa Pimenta Ambrozevicius. Universidade Estadual Paulista, São Vicente, SP. Orientador: Prof Dr Denis Abessa. 2005.
3 Avaliação da Toxicidade Aguda e Crônica de Água Superficial do Rio Una, São Sebastião, SP. Trabalho de Conclusão de Curso. Tommy Amista. Universidade Santa Cecília, Santos, SP. Orientador: Prof MSc. Camilo Dias Seabra Pereira. 2005.
4 Avaliação Ecotoxicológica da área de influência do córrego Arataca no Rio Itamambuca, Ubatuba, SP. Trabalho de Conclusão de Curso. Janaína Bezerra Silva. Universidade Santa Cecília, Santos, SP. Orientador: Prof MSc. Camilo Dias Seabra Pereira. 2005.
5 O perigo invisível da poluição das águas