Em fevereiro deste ano, parti para a minha quinta temporada no arquipélago de Fernando de Noronha (PE). Programei a viagem desde o mês de outubro e cheguei uma semana antes do Carnaval.
Do avião já era possível ver a Cacimba do Padre com altas. A adrenalina foi às alturas, pois sabia que um potente swell estava a caminho. Cheguei logo depois do WQS (World Qualifying Series) e a galera ainda estava em peso na ilha.
Feras como Danilo Costa, Wilson Nora, Aldemir Calunga, entre outros, estavam ao meu lado naquele paraíso. É muito legal ver estes caras ao vivo, em condições clássicas e tubulares. Um privilégio para poucos.
O Nordestino Pro estava começando e, ao mesmo tempo, um swell com ondas de até 5 metros fazia um barulho assustador na areia. Nestes dias apenas assisti ao campeonato, pois a Cacimba era só para os corajosos competidores. Fui checar outros picos, como Porto e Abras.
Depois que o swell abaixou um pouco e o campeonato foi encerrado, o mar ficou clássico na Cacimba com ondas de até 3 metros na série. Parecia o Hawaii, tubos atrás de tubos, mar cristalino e água quente. Surfei ondas com calibre de um Off The Wall no Hawaii, direitas e esquerdas tubulares abrindo como nunca tinha visto em Noronha.
Depois, na terça-feira feira de Carnaval, outra bomba entrou fazendo a ilha quebrar com calibre de um Banzai Pipeline. Surreal, ondas de 5 a 6 metros ali, na minha frente, eu pensava: “O Hawaii é aqui”. Com certeza as maiores ondas que vi na minha vida.
Esta ondulação fez a Laje do Bode quebrar de gala. Vi a galera já dentro da água, surfando no final de tarde, só que não sabia por onde entrar. Resumindo, não consegui surfar porque eram só pedras e nem havia água para sair remando. Noronha não é fácil.
Na manhã seguinte levantei cedo e acelerei para a Cacimba. A maré era perfeita e, quando cheguei à praia, lá estava a Laje do Bode ainda maior e mais perfeita, com apenas um cara na água.
O Calunga é muito gente boa e me explicou por onde entrar. Fui que nem uma bala para o line-up, minha primeira onda já foi um tubão seco. Depois de uma meia hora o Calunga me disse: “Ficou tão agoniado de não ter surfado ontem que hoje veio com tudo, né”.
Demos risadas, pois éramos apenas nós naquelas ondas perfeitas. Foi sensacional, com certeza minha melhor queda, até porque eu nunca tinha surfado aquela onda.
E assim foi minha trip. Parti de cabeça feita para São Paulo. Queria agradecer minha namorada, Talita Faria, que registrou minhas quedas, queria mandar um beijão para meu filho Henrique e mandar um aloha para o Iapa, para o Nego, e para o Bruno Santos, que apavorou pegando um baita tubaço.
Um abraço especial para toda galera da ilha, sem palavras, e também agradeço a marca Ezekiel, que me apóia no free surf.
Aloha!











