Final de ano, época de passar a régua nas contas, fazer os balanços, planejar os investimentos para 2010 e dar aquela relaxadinha básica que lota os picos de Norte a Sul, seja no Hawaii ou seja aqui no Brasil.
Ainda não é hora do Torcedor Fanático entregar os boletins aos atletas de 2009, mas esta hora vai chegar. Só para adiantar, o balanço até que foi positivo perto das previsões de começo de ano e pelos resultados do ano passado.
Nossa conversa agora é sobre investimento. Tenho visto pelos quatro cantos do país cada vez mais gente reclamando de patrocinadores, salários, investimentos em marketing, entre outras coisas.
Muita gente boa sem patrocínio, muito veículo de comunicação de nível querendo mostrar serviço e os empresários dando de ombros como se não precisassem de atletas e da mídia.
Nem preciso dizer que temos muitas exceções, claro! E parabéns aos que realmente estão preocupados, engajados e, principalmente, investindo.
Este ano ouvi muitos papos sobre crise no setor, concorrência com matéria prima da China e outros países da Ásia, aumento de impostos e muitas outras reclamações também vindas por parte dos empresários.
Não sou nenhum expert em finanças, mas tenho contato com muitos gerentes de lojas que têm realmente como passar o melhor feedback. Eles têm dito que as vendas em 2009 aumentaram no segundo semestre com relação a 2008 e a projeção para o natal é bem animadora. Ou seja, as vendas estão realmente sendo reaquecidas e a desculpa de quebradeira em virtude da crise já era.
O que o Torcedor Fanático quer ver é mais gente com adesivo no bico da prancha quebrando a vala seja nos circuitos regionais, seja nos circuitos maiores.
Cansei de ver a frustração dos marmanjos que perderam seus patrocínios principais e tem doído demais ver agora uma molecada surfando muito, mas muito mesmo, jogados às moscas. Perdendo o “timing” das competições justamente por não ter infra para ir atrás delas.
Sendo assim, vou apresentar aqui um destes exemplos de alto potencial e lançar o desafio de qual marca de surf realmente acredita no valor humano de um grande talento.
O nome dele é Vinícius Wichrestiuk, surfa muito e procura um patrocinador principal para correr tudo quanto é campeonato Pro Junior e Open.
Ele tem uma pequena deficiência auditiva, mas é um exemplo de superação, ou seja, vive normalmente e compete normalmente.
Ainda é uma pedra bruta, pouco lapidada, assim como muitos outros. Mas tem bastante experiência, foi o melhor atleta da Bahia na categoria Mirim do Brasileiro Amador (6º no geral) e só não foi mais alto por estar sem um apoio maior.
Só tem 16 anos e pode surpreender, mesmo com alguns dizendo que ele já deveria ter estourado. Mas estourar sem apoio é que nem comprar uma caixa de rojões de 12 tiros e não ter um isqueiro para acendê-los, não é?
Independente de ser Vinícius, Francisco, Zequinha, etc. Está dada a chamada para os empresários que tem sim condições de acreditar mais no material humano como marketing e como incentivo ao esporte.
Se você é dono de uma marca de surf, precisa incentivar o surf. O surf envolve o surfista e todo o contexto social em que o surfista está inserido, seja para o lazer ou para competir. Ajudar nas campanhas de limpeza das praias e conscientização da população também é válido e muito bem-vindo.
Não adianta nada a cobrança só rolar solta nas rodinhas de conversas e nos bastidores. Aplaudimos sim quem faz, mas vaiamos quem poderia fazer e não faz.
Não adianta o Torcedor Fanático puxar a orelha dos atletas que dão mole nas baterias e receber a resposta de que o apoio ao surf no Brasil é tão baixo que o cara entra na água preocupado com o contrato que está para vencer. O “vencer” tem que ter outra conotação na cabeça desta galera.
Vamos ver o que nos espera em 2010!