Ressaca bomba altas em SC

A ressaca causada pelo anti-ciclone* que atingiu o litoral de Santa Catarina nos dias 9 e 10 de agosto provocou números recordes em termos de medição de ondas em alto-mar. 

 

Localizada no ponto mais a leste do litoral catarinense e famosa por receber grandes ondulações, Imbituba foi com certeza um dos pontos privilegiados para a apreciação do fenômeno.

 

Enquanto na praia da Vila o mar estava mexido e com séries desalinhadas – o que tornava impossível a visualização do horizonte -, o mirante

da praia do Porto oferecia um espetáculo gratuito e contínuo de vagalhões alinhados entrando ininterruptamente nas águas que banham o porto de Imbituba. 
 
As ondas, que geralmente quebram abaixo da linha de um navio semi-submerso – encalhado na década de 80 e responsável pela criação de uma bancada clássica -, na última quarta-feira quebravam muito além no outside, porém não com menos perfeição.
 
Os poucos surfistas que encararam o frio e o vento terral fortíssimo estavam colocados mais para dentro do Porto, nos molhes, onde geralmente o mar parece uma lagoa.

 

No meio de um destes molhes há um pico que a galera chama de “shit break”, pois ali há um esgoto que corre paralelamente ao primeiro molhe. Este pico só quebra com swell de leste grande e vento sul, mas neste dia várias ondas quebravam inteiras varrendo as duas prainhas ao mesmo tempo.

 

Várias embarcações pequenas estavam abrigadas atrás do Quebra-Mar principal do porto, coberto pelas séries maiores.

 

Durante todo o dia havia carros estacionados que se revezavam para ver o espetáculo da natureza. Quem esteve lá com certeza saiu impressionado com o que viu.

 

* De acordo com o professor Eloi Melo, responsável pelo Laboratório de Hidráulica Marinha (Lahimar) do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), essa ressaca teve uma peculiaridade: a direção dominante das ondas foi de quadrante Leste e não Sul, como ocorre na maioria das ressacas. O motivo parece ser que o sistema atmosférico causador das ondas foi um anti-ciclone e não um ciclone, que se intensificou de forma incrível, formando um “corredor” de ventos a partir da costa de Santa Catarina por quase dois mil quilômetros de extensão.

 

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