
Colunista da revista Surf & Beach, Ronald Fincato expõe a idéia do marketing com visão social.
Dinâmica como o tempo é a vida. Das pessoas e das empresas. Dinâmica e cheia de surpresas! Dinâmico e surpreendente também tem que ser o marketing, acompanhando as mudanças cada vez mais rápidas, profundas e constantes do mundo, ajudando a criar para as empresas soluções inovadoras e impactantes de forma a permitir que elas continuem competitivas e cativando seus consumidores-alvo e, conseqüentemente, vendendo.
Todos os assuntos abordados nas colunas anteriores trataram das regras fundamentais do marketing, que devem ser sempre observadas

pelas empresas sob o risco de não alcançarem o sucesso. Surgidas e comprovadas na prática do dia-a-dia das organizações, estas regras foram transportadas para as salas de aula e para os livros, a fim de poderem ser disseminadas e aplicadas em novos casos de outras empresas.
São, portanto, resultado de processos que ocorreram de dentro para fora das empresas, e que estão ligados basicamente a questões administrativas e gerenciais.
Tais processos vão, sem dúvida, continuar ocorrendo, mas o que vem chamando a atenção, já há algum tempo, é que estão surgindo movimentos que estão fazendo o caminho

inverso, ou seja, de fora para dentro das empresas.
Questões que afligem a sociedade -principalmente saúde, educação e segurança-, a qual responde através da organização de movimentos em busca de alternativas e clamando por soluções. Face à ineficiência do poder público e ao agravamento da situação, só restou à sociedade recorrer às empresas privadas.
Como empresários e, antes mesmo, como cidadãos, é preciso estarmos antenados e sermos sensíveis a tais questões, tomando atitudes concretas e urgentes que contribuam para modificar positivamente a realidade atual, enquanto ainda é tempo.
É necessário passarmos a pensar e ver o mundo a partir das pessoas, da solidariedade, da qualidade de vida, da preservação do planeta e da espécie humana. É preciso pensar um pouco menos no particular e muito mais no coletivo.
Levando isto em consideração, queremos tratar, nesta coluna e na próxima, de dois temas que já há algum tempo vem sendo objeto da atenção dos empresários de visão: a responsabilidade social e a preservação do meio ambiente.
Mais do que estar na moda, gerir uma empresa com ética, com responsabilidade social e com preocupações ambientais é, atualmente, questão de sobrevivência.
Do ponto de vista social, porque o engajamento dos empresários com as questões da sociedade em geral e sua conscientização dos problemas e das necessidades do Brasil, bem como da relevância de seu papel e de seu poder transformador é uma das poucas e mais concretas alternativas para um país melhor e mais justo.
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Precisamos construir uma nova realidade, uma nova ordem social, um novo projeto de sociedade, organizada e solidária, que crie condições para a inclusão social das pessoas que se encontram à margem da mesma.
Responda com franqueza: é possível viver no Brasil, ver o que acontece à nossa volta -tanta riqueza, diversidade e potencial e, ao mesmo tempo, tanta carência social e degradação- e não nos sentirmos incomodados, não fazermos nada?
Já pelo ângulo da empresa, a implementação de práticas e políticas socialmente responsáveis é vital porque passou a ser condicionante fundamental de diferenciação em relação à concorrência e do sucesso das vendas e, por conseqüência, de sua permanência e ganho de espaço no mercado, além de fortalecer a imagem e agregar valor à sua marca.
Pesquisas recentes mostram que 31% dos consumidores brasileiros já levam em conta a responsabilidade social da empresa na hora de comprar produtos ou serviços. E 50% dos formadores de opinião também consideram essa questão.
Cada um de nós pode fazer uma parte. Fazendo uma promoção em nossa loja, que dá desconto na compra de uma nova camiseta ou bermuda para quem levar uma usada ou um quilo de comida. Doando roupas para alguma instituição. Dando aulas de português ou de surfe para crianças de comunidades carentes. E incontáveis outras ações.
Se você pôr sua cabeça para pensar em formas de ajudar, do mesmo jeito que você a coloca para raciocinar sobre as maneiras de tornar mais eficiente o atendimento ou como aumentar o lucro de sua loja, excelentes idéias surgirão. Com certeza.
Reflita. Mobilize-se. Tome uma atitude transformadora. Passe a integrar o grupo dos empresários socialmente responsáveis.
Vai ser bom pra você. E pra todo mundo. Garantido.
* Ronald Fincato é um dos sócios da Lumbras, Ohara – Comunicação, Marketing e Design, agência que presta consultoria para as marcas Hang Loose, Uluwatu, Burg e Weril, entre outras.