Resgate mobiliza brasileiros

Na segunda-feira da semana passada, 30 de agosto, um barco com brasileiros participou de um dramático salvamento no arquipélago das ilhas Mentawaii, na Indonésia. James Michael Walter, “Walt”, um piloto sul-africano de 55 anos, surfava em um mar de 4 a 5 pés quando caiu sobre os corais.

 

O local, conhecido como Lances Left, é um reef na remota região ao sul da ilha de Siberut. Ali é famosa a perfeição das ondas, que quebram para a esquerda sobre uma rasa bancada de corais afiados. Walt foi achado boiando perto do canal, já sem respiração, com várias lacerações na cabeça e uma perfuração.

 

O surfista estava tecnicamente morto e só sobreviveu por uma incrível coincidência. “Acordei da sesta após o almoço sem muita vontade de surfar, cansado da sessão da manhã”, conta Woody Boethel, enfermeiro e paramédico californiano.

 

“E resolvi dar um passeio até a ilha de Lances. Quando estava indo para terra, o garoto que dirigia o dingue viu algo boiando e rumou para perto. Quando nos aproximamos percebi que era um corpo, com os braços abertos e barriga para baixo. Pela característica cor azulada, sabia que já tinha se afogado”.

 

Woody conta que pulou na água e, com a ajuda do barqueiro, conseguiu colocar o acidentado no

dingue. Não se sabe quanto tempo ele ficou desacordado. “Não pode ter sido muito tempo, pois 4 ou 5 minutos sem oxigênio resultam em morte cerebral”, afirma Wood.

 

No trajeto de volta ao barco, o enfermeiro-surfista iniciou o trabalho para reviver Walt. “Você tem que trabalhar três elementos em seqüência, conhecidos como ABC – Airways, Breathing, Circulation: desobstruir as vias respiratórias, reativar a respiração e, então, recuperar os batimentos cardíacos e a circulação”.

 

Foi preciso uma hora para estabilizar a respiração e o pulso de Walt. O enfermeiro estima que entre dois e três litros de água saíram de seus pulmões. Não fosse pela experiência de Woody e pelo pronto atendimento, Walt não teria sobrevivido.

 

Porém, o drama estava apenas começando. Devido à gravidade do acidente, o paciente precisava ser hospitalizado no menor tempo possível. Para isso, teria que ser transportado até o aeroporto de Padang, na ilha de Sumatra, pois um LearJet ambulância o levaria até um hospital em Cingapura.

 

O trajeto de Lances até Padang leva em torno de 11 horas num barco rápido. Mas, para piorar a situação, estava prevista uma forte tempestade naquela noite, impedindo a navegação no canal que separa Mentawaii da ilha da Sumatra.

 

No único barco que poderia vencer a tempestade, o Adventure Komodo, estava um grupo de brasileiros. Em outra coincidência decisiva, no momento do acidente, os brasileiros estavam do outro lado de Lances, surfando uma direita tubular no local conhecido como Hollow Trees.

 

“Já estávamos surfando há dez dias. Quando o capitão nos perguntou se podíamos abreviar a viagem em um dia, o grupo imediatamente concordou”, conta André Neuding Filho, surfista de São Paulo. “Afinal, tratava-se de salvar uma vida”, ressalta ele.

 

O Adventure Komodo, de 75 pés, é considerado o mais moderno “Surf Yacht Charter” em operação no mundo. Foi construído em 2003, em uma estrutura de casco duplo, e navega na velocidade máxima de 20 nós.

 

Com o SOS via rádio, vários barcos foram mobilizados para o salvamento. Walt foi amarrado em uma maca improvisada, construída com uma porta retirada da embarcação onde ele se encontrava. Foi então trazido para o Komodo, em uma operação que utilizou um barco menor, de 45 pés, como ponte, alinhando o convés por onde o acidentado foi passado.

 

O translado de Walt entre os barcos, feito durante à noite em um mar agitado, foi uma operação trabalhosa e delicada. Finalmente, às oito horas da noite, o Adventure Komodo iniciou a travessia, que levaria 14 horas, enfrentando ventos de 45 nós e um swell de 10 pés.

 

“Esta foi uma das piores condições de mar que já vi” disse Oliver Langley, o experiente capitão do Komodo. “A combinação de um swell de sudoeste com o forte vento de leste criou ondas que se chocavam, tornando a navegação perigosa”.

 

 Nos momentos em que recobrava a consciência, Walt era auxiliado por Woody e pela tripulação do Komodo. Pela manhã, Walt acordou e conseguiu tomar um suco. Ao chegar ao porto de Padang, às dez horas da manhã seguinte, uma equipe com médico e enfermeira aguardava o sul-africano, que foi imediatamente levado para o aeroporto.

 

As primeiras informações do estado de Walt foram muito promissoras, fato comemorado por todos os envolvidos no salvamento. Perguntado sobre a coincidência que permitiu o resgate do piloto, Woody disse: “There was no coincidence. It was God’s direction”.

Clique aqui para ver as fotos da galera do Adventure Komodo. 

 

Envie um email para o enfermeiro Woody Boethel. O endereço é [email protected] .

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