
Em sua passagem pelo Sul para disputar a primeira etapa do circuito SuperSurf, na praia do Rosa, o atual campeão brasileiro Renato Galvão visitou o Centro Desportivo & Cultural Aragua, onde oncedeu esta entrevista.
Atleta patrocinado pela Mormaii, Galvão começou a temporada 2005 com a quinta colocação no Rosa e afirmou que a pressão para defender o título na existe.
O campeão também conta que seu foco principal neste ano é competir no WQS, buscando a tão sonhada vaga para o WCT.
Além do surf, você realiza algum trabalho paralelo para manter o rip?

Quando comecei a competir, não me preocupava muito com esse lado. Não gostava de fazer alongamento, descuidava da alimentação, não fazia nada. Quando me profissionalizei, vi a necessidade que isso tinha, e que precisava de algo mais além pra evoluir meu surf.
Foi quando busquei um trabalho técnico, com Carlinhos, que é professor de alongamento. Começamos daí esse trabalho crítico, analisando o surf, entrando e saindo da água com maior dinâmica. Comecei a cuidar da alimentação, dessa parte toda. Fui buscar isso porque sabia que ia me dar retorno, pois é dessa maneira que o surfista vai evoluir.
Fora seu talento, todo esse trabalho influenciou na conquista de títulos importantes, como o brasileiro profissional do ano passado?
Com certeza. Logo depois que comecei a fazer esse trabalho, meu surf começou a mudar bastante. Foi bom trabalhar com Carlinhos, que é uma pessoa muito crítica e analisava muito detalhadamente o surf. Foi algo que começou a mudar bastante, e o alongamento passou a ser essencial para mim. Hoje em dia não consigo me imaginar entrando na água sem me alongar antes. Analisei filmagens antigas e outras recentes, e percebi a mudança no meu surf. Com certeza fez diferença também nas competições. Agradeço a Deus por estar me dando esta oportunidade de fazer esse trabalho, mas com certeza o Carlinhos foi bastante importante.
Qual o tipo de disciplina que o atleta deve ter para se dar bem como surfista profissional?
Pra mim, isso não foi muito complicado, pois sempre fui uma pessoa tranqüila. Também tive minhas fases de ser mais desencanado, de não surfar, de não ter um foco. Realmente quando comecei a me concentrar mais e encarar o surf como profissão, vendo que era aquilo que eu queria para minha vida, aí foi o momento que tive alguns resultados e comecei a fazer minha carreira como profissional. Isso é ser profissional, estar concentrado em seu trabalho e saber o que você está fazendo, treinando direto e trabalhando bastante.
Depois dos títulos paulistas, do Super Trials e do Super Surf, qual é seu foco atualmente?
A primeira meta de todas foi entrar no SuperSurf, quando virei profissional, e consegui. Depois veio o título de campeão paulista. No outro ano era brigar por um título brasileiro e ganhar o Super Trials. Graças a Deus consegui terminar em terceiro no brasileiro e vencer o circuito Super Trials. Depois foi tentar ser campeão brasileiro e consegui, além de me dar bem no Trials em algumas etapas. Esse ano estou focado mais o WQS pra entrar no WCT, além de estar encarando com seriedade o SuperSurf deste ano, que são campeonatos de altíssimo nível. Estava em 33º lugar antes da etapa na França, mas com esses últimos resultados, fui para 48º lugar no WQS, e em 5º no SuperSurf, depois da primeira etapa.
Como foi esse início de circuito brasileiro? Sente alguma pressão para defender o título?
Não, estou tranqüilo. Foi legal o campeonato, com disputas acirradas. Minha bateria foi muito disputada, com a interpretação dos juízes definindo o resultado a favor do Flávio Costa. O SuperSurf hoje está com um nível muito alto em todas as baterias que são disputadas. Vou trabalhar para conquistar o bicampeonato, pois nesse ano as etapas do WQS não vão conflitar com as etapas do SuperSurf. Dá pra competir nos dois.
Como analisa o trabalho desenvolvido pelo Centro Desportivo & Cultura Aragua em Florianópolis?
É um trabalho pioneiro, não vi nada igual no mundo ainda. É importante ter alguém na frente do projeto estimulando a galera a participar. Um projeto desse em Ubatuba, onde moro não seria problema. Tendo um Aragua lá, muita gente participaria, mesmo sem ter um incentivo.
A estrutura que se tem aqui é algo totalmente diferente do que temos lá. A tendência do atleta que treina no Aragua é só melhorar. Aqui você tem um acompanhamento de uma nutricionista, de uma psicóloga, de um preparador físico, os treinos de surf que são realizados, enfim, é muito completo todo trabalho realizado aqui no Aragua. É importante as pessoas saberem aproveitar. Bem que o Netão poderia mandar um desse lá para Ubatuba.