Apontado por muitos como uma das grandes promessas da nova geração brasileira, o catarinense Ricardo Wendhausen poderia ter sido mais um talento ofuscado pelos tortuosos caminhos do surf profissional no país.

 

Aos 18 anos, Riquinho, como é conhecido, foi do céu ao inferno em sua curta carreira. Recém-contratado pela Onbongo, agora ele tem a chance de recomeçar do zero em busca de seu principal objetivo: integrar a elite do surf mundial.

 

Filho do falecido catarinense Wanderbill, lendário shaper dos anos 70 (com quem conviveu até os três anos), Riquinho teve uma bela carreira como amador.

 

Foi vice-campeão catarinense Iniciante e sempre se destacou em sessões de free-surf com um estilo moderno e arrojado.

 

No começo deste ano, porém, ele teve que encarar a dura realidade de ficar sem patrocínio, depois de sete anos em uma das maiores marcas do Brasil e do mundo.

 

Para piorar, sofreu uma contusão no joelho direito que o afastou do mar por cinco meses.

 

Com as dificuldades para se manter e a distância do surfe veio também a depressão, que o abateu por dois meses.

 

?Foi realmente um ano muito difícil para mim. Sempre tive tudo e de repente me vi sem nada, até dificuldade para comer eu passei?, conta o atleta.

 

Nesse período ele se afastou totalmente dos campeonatos e do meio. Quando tudo parecia perdido, os amigos perceberam o drama de Riquinho e passaram a incentivá-lo a voltar a treinar e retomar a carreira.

 

?A ajuda de caras como o Fernando Moura, Marcelo Cathcart e Guilherme Tranqüili, entre outros, foi fundamental para minha recuperação. Fiz muita fisioterapia e voltei a surfar com a galera, com isso voltou a vontade de recuperar meu espaço?, relata Riquinho.

 

Fortalecido pelas dificuldades e motivado com o novo patrocínio, ele agora se sente mais maduro e preparado para enfrentar as turbulências do profissionalismo. ?Aprendi a dar valor a tudo que construí e sei que tenho potencial para estar entre os melhores?, afirma confiante.

 

Recuperado da lesão no joelho, no ano que vem Riquinho disputará o Brasil Tour, de olho em uma vaga no SuperSurf, e as seletivas do Pro Junior, já que ainda tem três anos para tentar o título mundial da categoria. Mas também pretende investir no WQS, já que sua principal meta é figurar entre os tops do WCT.

 

?Acredito no meu surf, no passado tive duelos acirrados com o Mineirinho, que hoje está no circuito mundial, e sei que posso chegar lá também. Quero tentar o título mundial Pro Junior e também fazer parte do SuperSurf?, comenta.

 

Para isso ele terá o suporte do antigo shaper Joca Secco, amigo de seu pai e que sempre o apoiou durante a carreira. A falta de ritmo fez com que fosse eliminado logo na estréia no Onbongo Pro Surfing.

 

Mas isso não tirou a motivação do jovem atleta, que como uma Fênix renascida das cinzas, prometeu voltar a brilhar no cenário do surf profissional. Talento não lhe falta.

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