Hang Loose Pro 2008

Renan relembra bons tempos

Renan Rocha já subiu ao pódio duas vezes na Vila. Foto: Aleko Stergiou.

Depois de integrar a elite mundial durante nove anos, o paulista Renan Rocha é só alegria nos bastidores do Hang Loose Pro 2008, etapa do World Tour que rola em Imbituba (SC).

 

Atualmente produzindo reportagens para a ESPN Brasil, bem como fotos e vídeos para seus patrocinadores, Renan já subiu ao pódio duas vezes na praia da Vila.

 

Em 2004, perdeu para o norte-americano Kelly Slater na semifinal. No ano seguinte, parou na mesma fase, dessa vez caindo diante do australiano Tom Whitaker.

 

“Acho essa onda alucinante para o meu surf. Tem uma esquerda longa e uma direita que quebra pra dentro do canal. É um belo cenário, uma onda que gosto de surfar, sem dúvida uma das melhores daqui”, afirma Renan.

Renan Rocha no World Tour da Vila em 2005. Foto: Aleko Stergiou.

Profundo conhecedor do pico, o paulista revela a tática para fazer bonito na Vila. “A leitura de onda é fundamental. Quando o mar está grande, você tem que apostar sempre na série. Se estiver pequeno, tem que analisar bem a onda e ver se ela vai esticar e proporcionar manobras fortes”, revela.

 

O convite da organização a Peterson Rosa foi bastante festejado por Renan. “Achei sensacional, muito justo. Ele já tinha dado uma bronca na galera, falando que merecia a vaga, e achei que ele merecia mesmo, pois está no rip, está ganhando campeonato”, conta Renan.

 

“Esse convite prova três fatos. Primeiro, mostra que a nossa geração, mesmo sem o título mundial, é uma geração dourada. Segundo, que Peterson está no rip. Por último, que quando o atleta fica saturado das competições e de repente fica de fora e ganha uma chance dessa, ele vem com mais apetite pra mostrar serviço”, acredita o paulista.

 

Ao falar sobre as críticas recebidas por sua geração, Renan ironiza: “Nossa geração teve uma reunião e está dando risada, porque agora eles (os novos atletas do Tour) estão vendo o quanto é difícil. Infelizmente, quando quisemos ajudar, eles não quiseram escutar e agora estão sofrendo as conseqüências”, alfineta Renan.

 

“Essa molecada ficou com falta de informação pra poder entrar no World Tour e, pior ainda, ficou pequena dentro do circuito, parecendo crianças. Mas tem uma nova geração sub-20 que a partir do ano que vem vai começar a dar as cartas”, aposta.

 

Para Renan, dois times da nova geração estão sendo preparados – um 100% competição e outro 100% “ondas boas”.

 

“Esse balanço aí vai ajudar bastante o Brasil. No time da competição, coloco o Wiggolly Dantas, Alejo Muniz e Jadson André. No de ondas boas tem a gang do Ricardinho dos Santos, que conta com o Jerônimo Vargas, Marco Giorgi, Pedro Scooby e Thiago Camarão”, afirma Rocha.

 

Ao analisar a performance de Adriano de Souza no Tour deste ano, Renan é só elogios. “Este ano o resultado está sendo mais do que o esperado. Acho que é uma nova fase que não vai acabar, vai ser daí pra melhor e ele vai ser a referência pra essa nova molecada que vem aí”, diz o paulista.

 

As mudanças do formato do World Tour em 2009 também foi comentada por Renan Rocha. “Acho que complicou a vida dos brasileiros, europeus e africanos, porque vão proteger os top 10. Vai ser impossível trocar esses caras. Realmente quem não tiver força de patrocínio, força de mídia e conhecimento nas ondas do Tour, não vai durar nada”.

 

Para o free surfer e comentarista da ESPN, Taj é o favorito na praia da Vila. “Não dá pra apostar em ninguém, mas ele é favorito por ser o melhor cabeça-de-chave que está na competição. O resto está tudo no mesmo balaio de gato”, brinca Renan.

 

O paulista conclui a entrevista falando do afastamento do Tour. “Eu definitivamente tirei meu coração do mundo das competições, mas quando vejo alguém dando mole ou ganhando bateria sem surfar bem, ainda me dá uma agonia, dá vontade de entrar na água”, finaliza Renan, que abandonou as competições em 2006, com vitória no WQS em Ubatuba (SP), no quintal de casa.

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