Reggae no ritmo do surf

“Tudo começou por causa do surf que me levou para o Hawaii. Comecei a colecionar reggae e acabei criando o Zion Train. A partir de então resolvi viver… reggae”. Assim pode ser definida a trajetória do surfista-músico André Felipe Derizans, atualmente em São Francisco, Califórnia, onde faz neste domingo um tributo a Bob Marley.

 

Apenas um olhar de relance na história do reggae no Rio de Janeiro e Hawaii é suficiente para achar fatos que mostram a importância de Zion Train – um programa de radio que passou pela Imprensa FM (RJ), Fluminense FM (RJ), Napa Valley FM (Califórnia, EUA), Atlântida FM (Florianópolis) e Radio Free Hawaii (Hawaii – EUA).

 

Trata-se de um programa que com certeza contribuiu bastante para o estabelecimento do reggae como parte da cultura desses lugares paradisíacos no período entre 1989 e 1994.

 

André Derizans, produtor e apresentador do Zion  Train, começou a partir de 1994 a traçar uma nova trajetória na sua carreira musical quando gravou com Pato Banton a música “Tudo de Bom”, um dos maiores sucessos do reggae no Brasil e passaporte de Derizans para o cenário do reggae mundial levando a dupla André e Pato a fazer centenas de shows pelo Brasil, Europa e EUA.

 

Em 1996, André Derizans & Zion Band lançam seu primeiro CD “Reggae Trem”, álbum que conta com participações especialíssimas, superestrelas do reggae como Yellowman, Black Uhuru, The Wailers e Pato Banton.

 

O lançamento no Brasil do clip de musica “Ipanema” foi exibido na MTV e Multishow e André Derizans passou a freqüentar as melhores casas noturnas das capitais e interior, viajando o Brasil com a Zion Band.

 

Em 1999, o surfista colecionador de reggae volta ao Hawaii e lança seu primeiro CD, conquistando o coração da galera havaiana definitivamente com as músicas “Tudo de Bom”, “Play the Music” e “Save Hawaiian Land”, quando assina contrato de cinco anos com a tradicional gravadora Hula Records.

 

Assim, Derizans abriu caminho para produzir trilhas-sonoras de vários programas de surf para a TV havaiana e filmes lançados até no Japão. É comum ouvir músicas dele na praia durante campeonatos de surf ou estourando os graves dos alto-falantes de um carro passando.

 

Não por acaso o destino uniu André Derizans, Gabriel  OP, Lazão,  Bino e Pato Banton em uma série de quatro shows nas ilhas de Maui e Oahu para mais de cinco mil locais.

Agora, Derizans lança “Peace Warriors”, rico em mistura e fusões de ritmos com base roots, apresentando um leque de alternativas de reggae. Como de costume, André aparece com ilustres convidados, como velhos amigos de Lazão e Bino, do Cidade Negra – que foram ao Hawaii para as gravações – bem como o ídolo Pato Banton.

 

Este novo trabalho tem lançamento previsto em dezembro simultaneamente no Brasil e nos EUA. Um dos destaques é a faixa “Roots Rock Reggae”, de Bob Marley, produzida em conjunto com Marty Dread, a partir de gravações originais cedidas pela família Marley. 
 
Nesta semana, a Zion Band está em São Francisco, Califórnia, onde hoje faz um tributo a Bob Marley. No final do ano, Derizans faz um show na festa de abertura da Tríplice Coroa Havaiana.

 

Acompanhe nas próximas páginas entrevista exclusiva de Derizans concedida por email ao nosso correspondente Bruno Lemos.

 

Clique aqui para ver a galeria de fotos de André Derizans.

 

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Quais os melhores momentos na sua carreira esportiva?
No surf foi ter participado num campeonato no Quebra-Mar. Acho que foi o primeiro campeonato da OSP (Organização dos Surfistas Profissionais do Rio de Janeiro). Cheguei a ficar entre os oito finalistas. Mas o melhor de tudo é que tinha altas ondas, um Quebra-Mar clássico da vida. Quem tava lá se lembra…

 

Depois, em 88, aqui no Hawaii participei do circuito havaiano (HPAC). Cheguei  até às oitavas-de-finais. Nada demais, mas foi legal para mim. Eu nunca fui um  grande competidor, mas sempre gostei muito do surf. Na época, eu tinha patrocínio da K & K, e o Klecio e o Kleber não faziam questão de que eu competisse.

 

Então, o free-surf era algo bem confortável para mim. Às vezes, entrava num campeonato ou outro, principalmente em Ipanema ou no Arpoador, o quintal de casa. Eu sempre surfava com Royler e com o Rickson Gracie. Eles sempre me levavam para a Prainha, Recreio, Meio da Barra. Inclusive pegamos um Grumari inacreditável .

 

E eles sempre me chamavam pra treinar jiu-jitsu. Mas como eu estava totalmente envolvido  com o surf, nunca aparecia no tatame. Já joguei basquete pelo Flamengo. Mas, depois de começar a surfar, parei com tudo.

 

Só comecei a praticar jiu- jitsu quando tinha 20 anos. Cheguei também a competir até conseguir alguns títulos como campeão brasileiro na faixa roxa em 95, vice-campeão  estadual em 97 e  participei do primeiro campeonato de jiu-jitsu no Hawaii em 92, quando eu e você fizemos a final numa luta muito polemica (risos).

 

Você acha que o surf e o Hawaii  têm algum tipo de influência no seu estilo de música?
Com certeza. As atividades e o ambiente em que vivo sempre me influenciaram e fazem parte de um estilo de vida que se reflete em tudo que faço. Mas, ao mesmo tempo por um outro lado considero mais forte a influência do meu ser como pessoa, independente do que faço ou do lugar onde estou.

 

Essa influência do meu ser vem  totalmente do meu lado espiritual, onde eu encontro inspiração para compor minhas músicas e tentar transmitir uma mensagem positiva. E acho que quando faço isso ao vivo, em shows por exemplo, é que sinto uma grande realização, vendo os corpos dançando e os olhos brilhando.

 

Como você descreve o seu som? 
Gosto muito de misturar e experimentar combinações de ritmos, com grande influência do reggae, mas com pitadas de outros estilos que sempre pintam na hora, principalmente música popular brasileira. Adoro Cidade Negra, Bob Marley, Twinkle Brothers e música havaiana entre outras.    

 

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Você pratica surf e jiu-jitsu, que mal ou bem é considerado um esporte violento para algumas pessoas. Teoricamente, é uma atividade  bem distante da música. Como você vê e descreve seu envolvimento com essas situações extremas? Existe alguma relação entre elas?
A prática do jiu-jitsu é milenar. É um privilégio daqueles que desfrutam desse estilo de vida, conseqüência da conquista de três objetivos: disciplina, concentração e atividade física.

 

Tudo isso ajuda o auto-conhecimento de cada indivíduo, preparando para qualquer situação. Na minha vida, poderia dizer que o jiu-jitsu é o principal alicerce. Acho que o instinto de sobrevivência dentro do tatame serve como uma inspiração também para sobreviver no meu dia-a-dia.

 

Acho que existem alguns elos entre o surf, música e jiu-jitsu sim. No surf, por exemplo, é mais um encontro entre o seu “eu” e a natureza, lidando com o inesperado, às vezes o imprevisível, pois cada onda é diferente. Você precisa estar em harmonia e pronto para fazer sua “assinatura” na onda.

 

Esse convívio com o oceano proporciona uma relação com a natureza que sem dúvida é projetada na minha música. Os ritmos estão sempre presentes em nossas vidas, desde o início no  ventre de nossas mães, onde aprendemos a gostar das batidas do coração dela.

 

O ritmo está nas marés, na lua, nas ondas, no tatame. O ritmo é a engrenagem da vida. É difícil falar sobre o relacionamento das três atividades – surf, jiu-jitsu e música. Estou escrevendo uma música em inglês intitulada “Soldado da Paz”, que vai passar um pouco de tudo isso.   

 

Muitas faixas do seu repertório musical têm participação especial de vários artistas. Quais nomes destaca e como você faz para harmonizar os ingredientes de sua atividade musical?
Cidade Negra, Black Uhuru, Pato Banton, The Wailers foram alguns dos artistas com os quais já tive oportunidade de trabalhar. Pra te falar a verdade, nunca planejei nada, nunca nem imaginei que um dia os conheceria. Imagina, gravar músicas com eles. Mas acho que tudo começou na época em que eu era DJ de rádio.

 

Eu fazia um programa de reggae na radio Fluminense (de Niterói), chamado “Zion Train”. Então, eu sempre cobria shows internacionais e acabava conhecendo os caras. Pedia para gravarem umas vinhetas ou uma entrevista para o programa. E acabava que com uns e outros me entendia melhor.

 

O Yellow Man, por exemplo. Fomos juntos para uma entrevista na rádio Cidade e saímos  de lá direto para um estúdio, onde gravamos uma música. O Pato Banton, conheci aqui no Hawaii. Eu estava fazendo uma cobertura para a rádio Free Hawaii, onde o conheci e agitei a ida dele ao Brasil, onde o acompanhei como intérprete.

 

No meio dessa história, fizemos a musica “Tudo de Bom”, era um tema que ele queria fazer pois todo mundo falava isso para ele. Também acho que foi uma das primeiras palavras que ele aprendeu em português.

 

Então, gravamos a música que acabou ficando show, o maior sucesso. Foi aí que praticamente iniciei minha carreira. Inclusive as pessoas ouviam a música e me perguntavam sobre minhas outras composições, perguntavam sobre a minha carreira e eu ficava até sem graça, pois não tinha carreira, eu não tinha outra música (risos). Só aquela mesmo. O pessoal nem acreditava, falavam que eu estava escondendo o jogo.  

 

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Você grava em português e em inglês. Qual seu público-alvo e onde você se considera mais conhecido, no Hawaii ou no Brasil?
Eu até hoje acho que não sei fazer música. Pode até parecer estranho, mas as músicas geralmente “vêm” para mim já prontas. Elas simplesmente aparecem na minha mente. Às vezes começo a cantarolar, pego um gravador, gravo as letras, enfim, tudo muito rápido.

 

Quem compõe  ou escreve música pode de repente se relacionar um pouco com o que estou tentando passar.

 

Eu gostaria que meu público-alvo fosse aqueles que gostam de reggae raiz. mas minhas musicas são misturadas com muitas outras coisas. Essa é uma pergunta muito difícil de responder. Se você me perguntar qual o público para o qual eu gosto mais de cantar, talvez seja mais fácil responder.

 

Aqui no Hawaii ou no Brasil, sei lá. Acho que aqui no Hawaii muita gente me conhece. Tenho uma gravadora que trabalha comigo já há alguns anos. Se formos levar em concideração a proporção da  população, acho que sou mas conhecido aqui.

 

Mas no Rio muita gente também sabe quem eu sou. Como eu tenho ficado mais aqui do que lá, sei lá, agora embolou tudo.

 

Eu fiquei espantado na última vez em que estive em Ubatuba. Fiz um show para seis mil pessoas junto com o Pato Banton. Claro que a maior parte delas estava lá  por causa do Pato. Mas eu vi  garotos de 15 anos cantando minhas músicas e fiquei pensando como é que pode, pois eu não ia ao Brasil havia quase cinco anos. Realmente foi um sentimento muito legal. 

 

O mercado musical  no Brasil é um dos setores que relativamente  movimenta  muita grana, principalmente se você for cantor de pagode ou de samba. Na sua opinião, o que está realmente faltando para que músicos ou bandas do mesmo estilo teu despontem?

Eu acho que tudo tem o seu tempo. Tudo tem sua hora e o seu destino. Eu particularmente faço música porque gosto. Talvez se tivesse apenas uma pessoa me ouvindo, ou até mesmo ninguém me ouvindo, continuaria fazendo, pois tenho prazer nisso.

 

Aonde minha música vai me levar, isso eu ainda não sei. Talvez  eu pudesse ter ido mais longe do que estou no momento, mas acho que isso só o tempo vai dizer. De uma maneira geral, acho que o que realmente falta para o nosso segmento musical despontar é que falta os “cartolas” da música, os caras das gravadoras, os caras que têm o poder de fazer a carreira de uma banda ou das pessoas, entenderem que o reggae é parte da cultura brasileira, não é uma música alternativa.

 

O litoral inteiro escuta reggae, em muitas outras partes do Brasil se escuta reggae, muito mais do que a mídia relata ou que se escuta nas rádios. Mas talvez  realmente deva ser mais fácil fazer músicas sobre violência ou de sacanagem, ou engraçada para ridicularizar alguma situação, sei lá.

 

Eu não faço música para agradar ninguém. As músicas geralmente vêm para mim, elas simplesmente aparecem na minha cabeça. Já ouvi produtores falarem que minhas músicas são muito espirituais, que deveriam ser um pouco mais comerciais. Mas eu não sei se consigo ser assim. Como falei, acredito em destino. Acho que um dia ainda vou me dar bem, mas não vou mudar meu estilo de música por causa disso.

 

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Você foi praticamente nascido e criado em Ipanema, onde aprendeu a surfar. Como descreveria as ondas que quebravam lá? Quais eram os melhores surfistas da área? E o que acha que mudou em relação à atualidade, ainda sobre a onda de Ipanema?

Foi muito bom para aprender a surfar em Ipanema, pois me deu uma excelente  base para depois poder surfar a melhor onda do Brasil, que é Saquarema. Pois Ipanema é uma onda buraco e curta.

 

Você tem que ter reflexos rápidos. Como comparação, é como jogar futebol de salão e depois jogar ir para o futebol de campo. Ipanema é assim, uma ondinha curta, oca, rápida, tubular e com força, me deu muita experiência para surfar os fundos de pedra do Nordeste,  Saquarema e até o Hawaii. 

 

Quando comecei  a pegar em Ipanema tive muita inspiração dos caras que surfavam na região. Alguns surfistas eram muito bons mesmo, como Valdir Vargas, Fred d’Orey, sem falar no Maurinho Pacheco, minha maior inspiração, pois ele é regular como eu. Ele talvez tenha sido um dos melhores surfistas que eu já vi. Ele surfa muito, inclusive aqui no Hawaii.

 

Também tem a galera do Arpoador, que se eu começar a falar, vou ficar aqui até amanhã. Tinha também o Daniel Friedman, Jefferson, Lipe,  Pepe, muita gente daquela época que servia de inspiração para a galera.

 

Em relação à qualidade das ondas, acho que eu ainda sou novo para falar nisso, pois não dá para comparar com dezenas de anos de um fundo de areia. Acho que antigamente dava mais ondas sim, mas não sei te dizer o porquê.

 

Antigamente, dava uns 6 pés de onda tubular, tubos para pegar em pé. Hoje em dia, o fundo está um pouco diferente. Mas, no Arpoador acho que continua dando muita onda, com tamanho lá atrás  da laje, perfeito. 

 

Uma  de suas primeiras músicas que ouvi foi “Ipanema”. Como surgiu essa inspiração e qual a repercussão no bairro, famoso pelas composições de Tom Jobim e Vinicius de Morais?

Pra te falar a verdade, eu nunca pretendi fazer uma música para Ipanema, apesar de todo o meu amor pelo local. Confesso que quando a música veio, antes mesmo de gravar fiquei meio inseguro. Pensava ‘quem sou eu, um artista totalmente desconhecido, gravar uma musica sobre Ipanema’, mas era uma coisa que tinha que registrar, pois era um sentimento pelo lugar.

 

Mas, foi engraçado o jeito que essa música veio de repente na minha cabeça. Foi por volta de 1995. Eu estava na praia e morava a três quarteirões de lá. Um dia, fiz a música a caminho de volta da praia. Eu estava ouvindo muito “Israel Vibrations”.

 

Na  época, eu estava com um ritmo de uma música deles na cabeça me perturbando. Então, comecei a encaixar uns versos de Ipanema com um ritmo parecido com que estava na mente. E quando cheguei em casa a música estava pronta.

 

Cheguei até a achar ‘poxa, tinha sido simples demais’, mas, sei lá, foi o que veio e foi sem dúvida uma das músicas que me projetou muito no mercado. Na época, uma gravadora inglesa estava chegando ao Brasil e gostou. Fizeram inclusive um vídeo-clip  dirigido por Jodelle Lacher, então um bom diretor da Rede Globo. E para minha surpresa o vídeo tocava cerca de oito vezes por dia na MTV brasileira, sucesso total.  

 

Muitas bandas de reggae se auto-denominam rastafari, ou pelo menos cantam músicas em adoração ao imperador da Etiópia Hailé Selassié, considerado “Deus” por eles. Você  acha que para tocar reggae o cara tem que ser rastafari? Quais as suas impressõe sobre o rastafarianismo?

Eu acho que música e religião podem ou não ter um relacionamento forte. Eu toco reggae e sou católico, não acredito que você tem que ser rasta para tocar reggae. Para te falar a verdade, não conheço muito essa religião.

 

Então, não me sinto confortável para falar sobre eles. Não acredito que Haile Selassie tenha sido a reencarnação de Jesus Cristo, como eles acreditam. Mas acho que ele foi um homem muito bom e importante na África, pois conseguiu libertar o povo da Etiópia de algumas opressões através de uma boa diplomacia com a ONU. Mas como não sei muito disso, prefiro nem falar. só sei que no Hawaii e em vários lugares do mundo existem muitas bandas que tocam reggae e não são rastafaris, assim como eu.

 

Fale um pouco do seu último álbum e o que podemos esperar de sua carreira no futuro?
Esse meu último trabalho está mais maduro, mais calmo, em um certo aspecto mais romântico, mais raiz , mais raiz brasileira.

Neste caso, não vejo minha música totalmente reggae. Seria uma fusão de vários ritmos, com influência de ritmos jamaicanos, rock, jazz, música brasileira, são muitas misturas. Mais uma vez tive a oportunidade te trabalhar algumas faixas com pessoas incríveis, como o pessoal do Cidade Negra, Matty Dread – um dos pioneiros do reggae aqui no Hawaii.

 

Gravamos juntos uma faixa incrível, uma música do Bob Marley com o track original do The Wailers. Conseguimos isso como Santa Davis, baterista que possui as gravações originais e que foram liberadas pelo Ziggy e Rita Marley,  responsáveis pelo destino das músicas do Bob Marley.

 

E a música tem versos que eu  traduzi em português. Isso foi muito emocionante, pois Bob Marley sempre foi um grande ídolo. Acho que é a minha faixa favorita e tenho certeza que vai estorar no Brasil.

 

Quando você pretende voltar para o Brasil e quais são seus planos?
Estou no momento em São Francisco, onde irei fazer alguns shows com Martty Dread aqui na  Califórnia. Pretendo voltar para o Hawaii para o show de abertura da Triple Crown e depois ir para o Brasil, onde espero conseguir fechar com alguma gravadora e fazer alguns shows para divulgar um pouco mais o meu trabalho.

 

Para sabe mais sobre o trabalho de André Derizans acesse o site Brazildeluxe.com.br .

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Maconheiro. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.