Reencontro com a alegria

Acabo de assistir duas belas vitórias pelas finais masculina e feminina do Super Surf na praia da Ferrugem.

 

Tanto Claudemir Lima quanto Andréa Lopes apresentaram um surfe de primeira, não deixando  dúvidas quanto aos resultados.

 

Mas sinto que a vitória deles foi além, foi traçada pelo vínculo da dedicação com a naturalidade e a alegria de surfar.

 

Ambos vinham lutando há bastante tempo por um bom resultado.

 

Andréa, quase quatro anos sem um título numa etapa do circuito enquanto Claudemir há uns três anos vem tentando e nunca tinha conseguido.

 

Todo surfista aprende que a disciplina, o treino sério e a dedicação total ao surf são o caminho certo para a vitória.

 

Mas isto só serve de regra quando não se perde a alegria, o amor e o prazer que nos fez tomar esta decisão de um dia se tornar campeão.

Conheço Andréa há bastante tempo e sempre admirei seu surfe e a maneira como ela conduz sua vida dedicada ao esporte.

 

São muitos bons resultados desde o início da carreira, mas confesso que não tinha reparado neste jejum de vitórias no circuito nos últimos quatro anos e fiquei pensando a respeito.

 

Ok, tem muita gente boa por aí e está cada vez mais difícil chegar nas cabeças. Mas tenho acompanhado Andréa nos últimos anos e ela está sempre ali por cima entre as melhores.

 

O que houve então?  Foi aí que caiu a minha ficha, ou melhor, a dela!

 

Andréa esteve treinando para o WQS durante uma semana em minha casa na Barrinha e foi ali que percebi, entre um papo e outro, que o foco dela tinha mudado.

 

Eu conhecia aquela Andréa super dedicada, com muitos projetos, metas, organização e muita disciplina.

 

Sempre comendo as coisas certas, fazendo exercícios e alongamentos pela casa. O que por um lado é muito bom e importante.

 

Mas havia muita rigidez nisso tudo e um certo apego aos resultados. Uma cobrança imensa, como se o trabalho feito à risca fosse trazer a vitória igual a uma soma matemática. Mas a vida não é lógica.

 

Só que desta vez era outra Andréa. Não que tivesse largado tudo ou que estivesse fazendo tudo diferente.

 

Muito pelo contrário, continuava muito alegre e divertida, fazendo as mesmas coisas de sempre; alongando pela casa, limpando e organizando tudo, surfando muito e todo resto de sempre, mas sem cobrança e exageros.

 

Em tudo havia um sentimento diferente! Era uma Andréa mais flexível, acessível e solta, respeitando mais seu corpo, livrando-se dos exageros dos exercícios pesados, comendo com mais liberdade e muito brilho nos olhos.

 

Rolaram altos papos-cabeça e senti que ela tinha dado espaço para a vida também fazer sua parte.

 

Parecia querer que as coisas agora fossem diferentes de sempre, sem o apego e ansiedade pelos resultados.

 

?Quero simplesmente ser, o que tiver que acontecer, virá !?

 

E veio! Andréa surfou com a alegria e a naturalidade de uma criança que não se cobra ao brincar. Simplesmente brincou, fez o que sabia com muita alegria.  

 

Parabéns, Andréa!

 

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)