Coquetel Molotov 2008

Recife é capital do rock

Shout Out Louds, da Suécia, é atração do festival no Recife em setembro. Foto: Marlarky.

Ao completar cinco anos de vida, com patrocínio da Trident, o festival No Ar Coquetel Molotov, volta seus olhos para as novidades que surgem a cada dia no mundo da música nacional e mundial. O festival ao longo dos anos foi se tornando sinônimo de revelações e boas surpresas.

 

E em 2008, o festival leva aos palcos do Centro de Convenções da UFPE, no Recife, o trabalho de artistas que vêm se destacando no cenário da música independente.

 

Entre os dias 19 e 20 de setembro, o público poderá conferir sem medo de errar uma seleção de boas apresentações ao vivo onde a diversidade musical dá o tom. Folk, batidas eletrônicas, afrobeat, hip hop e, como não poderia deixar de ser, rock. Estes e outros estilos musicais se fazem presentes na programação do No Ar Coquetel Molotov 2008, um festival onde a música ganha sua devida atenção, apostando na ousadia e na espontaneidade de algumas de suas atrações.

 

O festival No Ar 2008 também reserva uma grande estréia para o público recifense: a primeira apresentação ao vivo do projeto solo do cantor Marcelo Camelo (Los Hermanos) em palcos brasileiros. Com disco pronto para ser lançado neste semestre, Marcelo Camelo, em sua primeira aventura solo nos palcos, vem acompanhado de integrantes do grupo paulista Hurtmold e do instrumentista Rob Mazurek para executar ao vivo as músicas de seu disco de estréia.

 

Atrações deste ano, Guizado (SP), Vanguart (MT), Mallu Magalhães (SP), Bandini (RN), Akin (SP) e Burro Morto (PB) são representantes de uma nova geração de artistas na música brasileira. Tocando cada um a seu estilo, eles estão alcançando novos espaços e conquistando um público maior, seja através da Internet ou em shows em festivais pelo país.

 

E conectando o Recife à produção musical de outros lugares do mundo, o No Ar 2008 traz em sua programação o show do violinista Owen Pallett, que já trabalhou com bandas como Arcade Fire, Grizzly Bear e Beirut, com seu projeto solo Final Fantasy, com o qual ganhou o Polaris Music Prize de melhor álbum canadense por ?He Poos Clouds?, em 2006.

 

Invasão Sueca – Os destaques internacionais deste ano vêm da Suécia, que invade novamente as terras brasileiras com boa música. O projeto Invasão Sueca, uma parceria do Coquetel Molotov com o Swedish Institute, chega ao seu terceiro ano trazendo no embalo do assovio pop de ?Young Folks? uma das bandas suecas mais adoradas do mundo: Peter Bjorn and John.

 

A música, que começa com um assovio e um refrão contagiante, já apareceu em diversos comerciais de TV e está na trilha sonora do seriado ?Gossip Girl? e do game Fifa 2008. O novo disco do trio sueco, sucessor do aclamado ?Writer?s Block?, será lançado pela Universal no início de setembro para acompanhar a turnê do grupo no Brasil.

 

Os grupos suecos Shout Out Louds e Club 8 completam a invasão nórdica dentro do festival. O Shout Out Louds, grupo bastante elogiado por crítica e público na Suécia, lançou seu disco mais recente ?Our Ill Wills? no mercado americano em 2007 e é uma das bandas suecas mais requisitadas em festivais pelo mundo.
Club 8, formado por Karolina Komstedt e Johan Angergård, é uma das bandas do elogiado catálogo de artistas do selo sueco Labrador. Seu disco mais recente, ?The boy who couldn?t stop dreaming?, lançado no ano passado brinca com melodias alegres e melancólicas ao mesmo tempo.

 

Provando que a cena musical do Recife tem muito a oferecer, o festival No Ar Coquetel Molotov apresenta neste ano novíssimos talentos da cidade, com artistas, projetos e grupos com pouco menos de um ano de vida, mas com muito talento a mostrar.

 

As atrações convidadas vão da música instrumental dos garotos d?A Banda de Joseph Tourton ao rock sofisticado e cafajeste do Pocilga Deluxe. Psicodelia, batidas eletrônicas e releituras electro-brega estão presentes nas vozes e na música de Zeca Viana, Júlia Says e Catarina.

 

As atrações musicais realizam seus shows no festival nos dias 19 e 20 de setembro, em dois espaços no Centro de Convenções da UFPE: a Sala Cine UFPE e o Teatro da UFPE. No primeiro espaço, os shows, que começam às 17h, são gratuitos e apresentam projeções de imagens em telão próximo às bandas, dando um ar mais intimista onde o público se aproxima realmente do artista.

 

No Teatro da UFPE, a partir das 21h, mediante ingressos, o público se delicia com as principais atrações do evento em momentos que ficarão registrados na memória afetiva de cada um dos presentes.

 

Eventos ? Antecipando os shows, o Centro de Convenções da UFPE abriga outros eventos da programação do festival No Ar Coquetel Molotov 2008, como os debates da Plataforma Integrada de Encontros Musicais, a Feira Cultural e uma exposição do artista plástico Kilian Glasner. Em exposição em sala interativa no Centro de Convenções da UFPE, o público terá a oportunidade de conferir o trabalho do artista enfocando aspectos da violência urbana com imagens que assustam pela proximidade e pelo contato sombrio do cotidiano em materiais diversos na incidência de luz direta.

 

Realizada no Hall do Centro de Convenções da UFPE, a Feira Cultural do festival No Ar Coquetel Molotov agrupa estilistas e expositores de moda, artistas plásticos, produtores culturais, zines e selos musicais. Neste ano, a Feira Cultural conta com o stand Recife Independente que será ponto de vendas de produtos das bandas do Recife.

 

Os interessados em colocar seus produtos (CD’s, camisetas, botons) à venda no festival podem entrar em contato com a produção do stand até o dia 10 de setembro através do email: [email protected].

 

Debates – Neste ano, a Plataforma Integrada de Encontros Musicais traz palestras e workshops que tratam de temas como arte e tecnologia ligadas à música. Kilian Glasner, artista plástico, inicia os debates do festival na sexta-feira falando de arte interativa e dos conceitos que permeiam sua exposição em cartaz no Hall do Centro de Convenções da UFPE.

 

Logo em seguida, o gaúcho Cristiano Rosa realiza um pequeno workshop mostrando o potencial criativo do Circuit Bending, técnica pela qual se pode construir instrumentos musicais simples e geradores de efeitos a partir de brinquedos e estruturas eletrônicas simples.

 

No sábado, o professor de Design da UFPE Clylton Galamba debate sobre questões entre arte e tecnologia, onde a técnica artificial de criar arte passa a ser um ponto de reflexão sobre as próprias obras e a vida social. E encerrando a Plataforma Integrada de Encontros Musicais, o pesquisador Jarbas Jácome apresenta um workshop sobre as diversas técnicas para espetáculos audiovisuais com a sincronicidade de som no momento da execução, que vai dos ?color organs? a softwares utilizados nos dias de hoje como Pure Data/GEM e ViMus, software que vem sendo desenvolvido pelo palestrante desde sua graduação em Ciência da Computação.

 

Cinema – Em parceria com o Cinema da Fundação Joaquim Nabuco e o Consulado Geral da França, o festival No Ar Coquetel Molotov apresenta uma mostra de documentários, longas e curtas de temática musical em sua programação. De 15 a 18 de setembro, a partir das 18h, o Cinema da Fundação exibe a mostra Play The Movie com produções nacionais e internacionais de temática musical a exemplo de ?Metal: A Headbanger?s Journey? (Dir: Sam Dunn, Scot McFayden e Jessica Wise), ?Rock?n?Tokyo? (Dir: Pamela Valente), ?Quebrando Tudo? (Dir: Rodrigo Hinrincsen) e ?Interstella 5555? (Dir: Kazuhisa Takenôchi).

 

Além da exibição de filmes, eventos especiais estão programados para o Play The Movie deste ano, incluindo a apresentação do espetáculo em vídeo ?Dance Screen Sweden – The New Mix?, com peças contemporâneas de vídeo-dança, que chegam ao país com apoio do Swedish Institute. A Mostra PLAY THE MOVIE também abriga pocket-shows interativos como o do grupo Monodecks em cima de fragmentos do filme ?Pi?, de Darren Aronovsky e o Cine-Concerto do músico francês Olivier Mellano com o filme ?Aurora? (1926), de F.W. Murnau.

 

Ingressos – Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) para cada noite de shows no Teatro da UFPE, sendo que os showcases na Sala Cine UFPE, a Feira Cultural, a Exposição e os Debates da Plataforma Integrada de Encontros Musicais são de acesso gratuito. Pessoas do interior de Pernambuco e de outros estados podem reservar seus ingressos pelo e-mail [email protected] e aguardar as instruções.

 

Os ingressos para o festival No Ar Coquetel Molotov 2008 já estão à venda nas lojas Imaginarium (Plaza Shopping – Casa Forte e Shopping Recife ? Boa Viagem), como também no Teatro da UFPE, na loja Bendito Fruto (Paço Alfândega ? Recife Antigo) e no Café Castigliani (Cinema da Fundação ? Derby). O primeiro lote de 400 ingressos, vendidos na Imaginarium, possui desconto promocional e será vendido por R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

Programação

 

Segunda a quinta ? 15 a 18/09

Cinema da Fundação (Derby) ? A partir das 18h

 

Exposição de Killian Glasner

Sexta e sábado ? 19 e 20/09

Salas do Hall do Centro de Convenções da UFPE ? A partir das 14h

 

Plataforma Integrada de Arte, Música e Tecnologia

Sexta ? 19/09

Salas do Hall do Centro de Convenções da UFPE ? A partir das 14h

Palestra: Reflexões ? Abertura da Exposição No Festival No Ar 2008

Palestrante: Kilian Glasner

 

Palestra: Circuit Bending

Palestrante: Cristiano Rosa

 

Sábado ? 20/09

Salas do Hall do Centro de Convenções da UFPE ? A partir das 14h

Palestra: Art da Tecnologia: Humanização da Tecnologia e Desumanização da Arte

Palestrante: Clylton Galamba

 

Palestra: Algumas Tecnologias para Música Visual

Palestrante: Jarbas Jácome

 

Feira Cultural

Sexta e sábado ? 19 e 20/09

Hall do Centro de Convenções da UFPE ? A partir das 15h

 

Shows

Sexta – 19/09

Sala Cine UFPE ? A partir das 17h

Burro Morto (PB)

A Banda de Joseph Tourton (PE)

Bandini (RN)

Guizado (SP)

 

Sexta ? 19/09

Teatro da UFPE ? A partir das 21h

Júlia Says (PE)

Vanguart (MT)

Shout Out Louds (Suécia)

Marcelo Camelo (RJ)

 

Sábado – 20/09

Sala Cine UFPE ? A partir das 17h

Pocilga Deluxe (PE)

Zeca Viana & Onomatopéia Bum (PE)

Akin (SP)

Club 8 (Suécia)

 

Sábado – 20/09

Teatro da UFPE ? A partir das 21h

Catarina (PE)

Final Fantasy (Canadá)

Mallu Magalhães (SP)

Peter Bjorn and John (Suécia)

Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia para estudantes, professores, maiores de 65 anos, Assinantes do Diário de Pernambuco que apresentarem o cartão Clube Diário)

 

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Maconheiro. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.