
Na última reunião do CEMIT – Comissão Especial de Monitoramento de Incidentes com Tubarões, realizada no início de junho, foi aprovado por unanimidade o projeto da Tela de Proteção para o Surf.
Projeto único no Brasil e também em todas as Américas, ele permitirá a volta da prática do surf nas praias do Recife, onde os eventuais ataques de tubarão levaram a interdição das praias para o surf pelo Governo do Estado.
Rômulo Bastos, coordenador do Projeto Praia Segura, afirmou que isso não seria possível sem a contribuição e esforço pessoal do professor Mauro Maida, do Projeto Recifes Costeiros, ex-surfista e ex-fabricante de prancha. O professor Mauro foi de fundamental importância no entralhamento e na confecção das telas.
Segundo Rômulo, o professor Mauro afirma que a fabricação das telas de proteção é uma ação pessoal para contribuir com os surfistas e a sociedade, bem como para mostrar que o ser humano pode conviver ?pacificamente? com tubarões.
A tela de proteção para o surf segue o conceito já em uso há mais de 10 anos em Hong-Kong, onde telas deste tipo são usadas para proteger praias onde já foram registrados ataques de tubarão.
Segundo o especialista de Hong Kong, Dr. Anthony Havens, nenhum ataque foi registrado nas praias com telas de proteção.
As telas são feitas de um material que não captura peixes, botos, tartarugas, evitando assim a depredação do meio-ambiente. Ao mesmo tempo, isola uma área, em que nenhum tubarão poderá entrar.
As redes estão atualmente no CEPENE, onde estão sendo “entralhadas”. Os órgãos que aprovaram a tela são os seguintes: CPRH, IBAMA, CEPENE, Instituto Recifes Costeiros, Capitania dos Portos, Corpo de Bombeiros, Prefeitura da Cidade do Recife, Universidade Federal Rural de Pernambuco e departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco.
Se não houver atraso na liberação de documentos por estes órgãos, a tela de proteção poderá ser colocada experimentalmente entre os meses de julho e agosto.
Durante estes dois meses deverão ser efetuados seis lançamentos. Em cada lançamento a tela passará quatro dias dentro d’água, de segunda a quinta, mas o surf ainda não será permitido.
A tela será testada para comprovar a “inocuidade ecológica”, ou seja, que não provoca danos ao meio-ambiente, além da agilização da instalação, monitoramento, capacitação de pessoal: mergulhadores e instaladores da rede.
Além disso, será testada a resistência da rede ao vento e às ondas, já que nestes meses são registradas as maiores ondas e os ventos mais intensos.
Os recursos captados até agora só permitiram a compra do material, a confecção da tela, os testes, e a capacitação do pessoal que irá trabalhar com a tela.
Depois será necessário captar recursos da iniciativa privada, para o prosseguimento do projeto. Se tudo der certo, a tela de proteção poderá ser liberada para o surf no dia 7 de setembro, informa Rômulo.
São parceiros neste projeto: o Instituto Praia Segura, o Projeto Recifes Costeiros, a fábrica de blocos Teccel e a Custom Surfboards.