Este foi o ano de Pipeline. Sem dúvidas a rainha do North Shore mostrou todo seu poder durante o inverno.

 

Depois de alguns dias de jejum, na última sexta-feira as ondas amanheceram com seis pés por todas as bancadas do North Shore.

 

Jocko?s, Haleiwa, Sunset e Rocky Point tinham ondas perfeitas penteadas por um forte vento terral e tempo nublado.

 

Por volta do meio-dia as ondas começaram a subir, o tempo ameaçou abrir e depois das 15 horas Sunset e Pipeline eram as melhores opções.

 

O paulista radicado no Hawaii Daniel Skaff desfrutou altas ondas na sua praia preferida, Sunset. ?Peguei altas ondas. As maiores séries já tinham oito pés sólidos?.

 

Pela manhã, segundo testemunhas, o pupilo da Mormaii Julio Terres tentou dropar uma da série em Pipe e foi arremessado lip/base. A onda que tinha seis pés pareceu ter 12 segundo a galera.

 

Na hora do almoço, Matt Archbold era o único ?haole? na água e, mesmo beirando os 40 anos, arrepiava a direita como um moleque.

 

O longboarder Bonga Perkins também dominava seu pranchão como se fosse uma pranchinha. Séries de seis pés sólidos bombavam na bancada.

 

Em Pipeline o palanque já está montado para o Monster Energy Pro, evento válido pelo WQS e circuito havaiano. Conseqüentemente o crowd era animal.

 

Só havaianos na água treinando para o evento. De fora d?água já dava para sentir que as ondas e os locais eram um paralelo de urubu em cima da carniça.

 

Jerônimo Vargas e o cinegrafista Kleber Pires na água. Eu, Bruno Lemos, Yuri Sodré, Luciano Lima, Pato e Fabiana Nigol apreciando os melhores momentos na água e trocando varias idéias até que a bunda ficou dura na areia e fomos todos para a água.

 

Uma das afirmações era o quanto o filho mais velho de Valdir Vargas está quebrando as ondas. Jerônimo tem surfando com muito talento e estilo em todas as condições de mar.

 

O mar subia a cada série. De oito pés chegou aos 12 e ficou nisso até escurecer. Binho Nunes deu o ar da graça em mais uma temporada e veio curtir a queda em um lugar que já rendeu momentos memoráveis em sua carreira.

 

De patrocínio novo (ele trocou a Rip Curl pela Rusty), Jamie O?Brien dava seu show partucular.

 

Ele pegou a maior da série do terceiro reef e mandou duas rasgadas no olho da onda, como nunca havia presenciado ? para chegar com toda velocidade no tubo e sair com uma baforada que deve ter ardido as costas.

 

?A onda foi linda, mandei duas rasgadas na cara e me senti em Haleiwa enorme para a esquerda. Quando chegou na bancada coloquei no tubo e quando saí do salão aquela baforada fortíssima lavou meu corpo?, disse O?Brien  enquanto trocávamos uma idéia esperando a série no Banzai, com Jamie Sterling e o peruano Gabriel.

 

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A série bombou e, mesmo depois de ter surfado uma onda daquelas, O?Brien me rabeou em uma onda enorme, mas antes da onda entrar na bancada ele saiu.

 

Na volta Jamie Sterling, a bordo de sua prancha e capacete extremamente coloridos, vem deslizando em uma linda onda.

 

Sua prancha parecia uma faca quente na manteiga. O vento já tinha diminuído e as ondas estavam beirando a perfeição.

 

Cada série bombava com o mínimo de seis a oito ondas vindas do terceiro reef, que varriam a todos os que sentavam mais para dentro da bancada – na esperança de pegar aquela onda intermediária e pesada.

 

Quem sentava no Banzai e olhava para a praia ficava praticamente em Rockpiles.

 

Depois de ser varrido por uma série fiquei na primeira bancada até uma hora antes de escurecer. O final de tarde vermelho despontava no horizonte e a leve brisa terral tornou o visual ímpar.

 

Nesse meio tempo, com o crowd bem mais leve e disperso, aparece Kelly Slater. O heptacampeão mundial chega no outside e presencia o bodyboarder e stand-up charger Kainoa Mcgee dar a curva em um tubo sólido de dez pés na bancada.

 

Slater grita: ?Party Wave?, e ameaça entrar na onda do havaiano, que sorri para ele e se joga para dentro de um salão lindo.

 

Ao meu lado, o novo integrante do WCT Yuri Sodré comenta: ?Peguei só uma onda
boa?, enquanto rema e entra em mais uma. A realidade de Pipe é essa, ou melhor, da maioria dos picos no Hawaii.

 

Uma boa onda aqui rende mais adrenalina do que em muitos lugares do mundo e é isso que a maioria dos atletas que se deslocam dos quarto cantos do mundo procura. Essa adrenalina incomum.

 

Slater por sua vez dropa uma onda bem na bancada e a galera que lutava para não tomar a onda na cabeça rema desesperadamente para o canal.

 

O vermelho do pôr-do-sol ilumina a crista da onda e assim que ele dá a curva para o tubo eu olho para baixo e a base da onda prateada recebe o floridiano, que sai na baforada e em seguida para os braços de Gisele Bündchen.

 

Escurece e saio remando do mar depois de ver um bodyboarder suicida no meio do breu se jogar em um drop insano.

 

No estacionamento uma Cherokee com seis brasileiras paparicavam ao lado do meu carro. Mais um colírio para os olhos mesmo para quem tem namorada.

 

Assim termina mais um típico ?hawaiian day?. Amanhã tem mais.

 

Aloha

 

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