Radicalismo a toda prova

Conhecido pelo belo estilo, o Top do WCT Joel Parkinson abusa da elasticidade nas manobras. Foto: ASP / Covered Images.

Apesar de todos os riscos envolvidos na prática do surf, uma pesquisa realizada nos EUA concluiu que este tradicional ?esporte radical? é mais seguro do que esportes populares de salão como futebol ou basquete.

 

Coordenada por membros do Hospital de Rhode Island e da Escola Médica Brown, a pesquisa teve seus resultados publicados na edição de janeiro do periódico American Journal of Sports Medicine.

 

Os responsáveis pelos estudos descobriram que a taxa de lesões entre surfistas profissionais que disputam campeonatos é mais baixa do que a encontrada entre jogadores amadores de futebol ou de basquete, por exemplo.

 

Nathan Hedge é atendido depois de sofrer um deslocamento no ombro durante etapa do mundial no Tahiti. Foto: ASP World Tour / Tostee.

Segundo Andrew Nathanson, do Centro de Prevenção a Lesões do Hospital de Rhode Island e coordenador do estudo, o surfe competitivo apresenta risco relativamente baixo de lesões ? 6,6 ferimentos significativos a cada mil horas de atividade ? em relação a outros esportes com dados comparáveis disponíveis.

 

A pesquisa teve como objetivo atualizar o pouco que se sabia sobre lesões relativas ao surf (principalmente freqüência, mecanismos ou fatores de risco), desde o boom do esporte a partir da década de 60.

 

Foram coletados dados sobre lesões em 32 campeonatos (profissionais e amadores) ao redor do mundo e documentados detalhes sobre os ferimentos ocorridos durante as provas, tamanho das ondas, mecanismo de lesão e tratamento decorrente.

 

Entre as lesões mais freqüentes estão torções e distensões nas extremidades baixas, particularmente nos joelhos, que sofrem com viradas agressivas e manobras aéreas.

 

Já as lesões que impediram o atleta de surfar por um ou mais dias, que resultaram em hospitalização ou que exigiram sutura no local foram classificadas como ?consideráveis?, de acordo com os cientistas.

 

Curiosamente, segundo estudos anteriores feitos pela equipe de Nathanson, no surf recreativo as lesões mais comuns são cortes e contusões ? normalmente causadas por choques com a prancha.

 

Essas são as mesmas lesões que ficaram em segundo lugar entre os competidores, já que no ambiente competitivo existe um número limitado de surfistas na água, além de um maior nível técnico dos praticantes.

 

A pesquisa também resultou em outras conclusões ligadas ao tema, a maioria já conhecida entre os surfistas. Uma delas atesta que o surfe em ondas grandes, modalidade que ganha novos adeptos a cada dia, dobra o risco de lesões.

 

Surfar em praias com fundo de areia também é mais seguro do que em praias com fundo de pedras ou corais, de acordo com os estudos coordenados por Nathanson.

 

O pesquisador norte-americano afirma ainda que os resultados podem ajudar na avaliação das necessidades de apoio médico em competições, além de auxiliar no desenvolvimento de pranchas mais seguras ou equipamentos de proteção.

 

 

Fonte Competitive surfing injuries: a prospective study of surfing-related injuries among contest surfers, de Andrew Nathanson; Site da agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.