Artigo de repúdio

Quem são os verdadeiros assassinos dos mares?

Tubarão-martelo é uma espécie em extinção. Foto arquivo: AP / Terra.

As cenas mostradas no noticiário local da RBS Notícias de Florianópolis no último fim de semana, em que a barbaria dos pescadores contra um indefeso animal é acompanhada pelo público, me faz lembrar mais uma vez dos tempos da “escuridão”, na Idade Média e na Inquisição, onde as execuções dos grandes vilões e pecadores eram expostos em praça pública para “deleite” da platéia.
 

Clique aqui para ver o vídeo

A chamada da notícia é a seguinte: “Ação cruel na praia da Capital. Uma fêmea grávida de tubarão-martelo, espécie em extinção, é capturada e morta a facadas enquanto estava em trabalho de parto.”
 
Mas por que os pescadores empregam tamanha crueldade contra um animal e a população em geral pouco protesta? Simplesmente porque o animal em questão é um tubarão, e um tubarão está sempre acompanhado pelo falso estigma de “comedor de homens”.

 

E é essa fama irreal de “assassino dos mares” que faz com que o pescador se auto-invista como o macho-herói-protetor que mata a grande fera e a população apoie tal insanidade. Será que se fossem cadelas ou gatas grávidas haveria mais repúdio?
 
Nesses momentos, costuma-se discutir inutilmente se são ou não tubarões agressivos. Mas será que já não está na hora de percebermos que todos os animais, independente de seu potencial de ameaça aos seres humanos, merecem respeito e devem ser protegidos da ação predatória e inconseqüente do homem? E olha que o litoral de Santa Catarina está praticamente livre de ameaças de ataque de tubarão (nos últimos 86 anos somente 01 ataque foi registrado em todo o Estado, e não foi de tubarão-martelo).
 
O mais importante é perceber o que estamos fazendo com os tubarões em nossa costa e identificar o grau de ameaça a que eles sim estão expostos. No caso do tubarão-martelo, seu declínio é de 90% nos últimos 20 anos. Ou seja, só temos hoje 10% do estoque de tubarões-martelos que existiam há duas décadas.

 

O agravante nesse caso é que se tratava de uma fêmea grávida que abortou seus filhotes (atitude comum em caso de forte estresse). Acrescente-se a isso o fato de que essa fêmea, que só se reproduz uma vez a cada dois anos, levou cerca de 12 anos para atingir sua maturidade sexual. Como são espécies ameaçadas de extinção, uma fêmea grávida representa uma grande perda para sua fragilizada população.
 
Já está na hora de juntar esforços que assegurem a sustentabilidade da pesca dos tubarões. Necessitamos de uma verdadeira legislação de proteção que efetivamente venha a cercear a pesca predatória e a sobrepesca das espécies de tubarões, de modo a reprimir os atos conseqüentes e inconseqüentes dos pescadores comerciais, artesanais ou industriais. Precisamos de limites (ou cotas) para a quantidade de tubarões pescados, proteção de áreas de berçario e épocas de defeso.
 
Atualmente, temos no máximo 70 ataques de tubarão por ano no mundo todo. Estatísticas da FAO (órgão das Nações Unidas) estimam que 100 a 150 milhões de tubarões são capturados e mortos anualmente em todos os oceanos. Quem são os verdadeiros assassinos dos mares?

* Marcelo Szpilman é biólogo marinho formado pela UFRJ, com Pós-Graduação Executiva em Meio Ambiente pela COPPE/RJ. Mergulhador há mais de 30 anos, ele é autor dos livros “Guia Aqualung de Peixes – Guia Prático de Identificação dos Peixes do Litoral Brasileiro”, de sua versão em inglês “Aqualung Guide to Fishes”, “Seres Marinhos Perigosos – Guia Prático de Identificação, Prevenção e Tratamento”, “Peixes Marinhos do Brasil – Guia Prático de Identificação”, além de várias matérias e artigos sobre natureza, ecologia, evolução e fauna marinha.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.