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Quebrando a cabeça em Teahupoo

Depois de dois meses de pausa, o WCT entra em ação novamente. E a 5ª etapa não poderia ser em um local mais apropriado, a temida e cascuda onda de Teahupoo, no Tahiti. Por ser um evento totalmente diferente, saber em quem arriscar palpites é primordial para se dar bem no FluirGame.

Esse pico de esquerdas, com tubos sinistros, numa bancada extremamente rasa, assim como Fiji e Pipeline, é completamente diferente do que a maioria dos integrantes do Tour está acostumado. Um drop vertical, uma cavada rápida e o posicionamento para entubar ou ser massacrado. Isso basicamente é tudo o que se deve fazer, ainda mais quando o mar está acima dos 6 pés. Não há espaço para aéreos, batidas no crítico e até mesmo os tradicionais cutbacks são realizados com toda cautela possível. Passar por dentro é o que os juízes e público anseiam em ver. Sendo assim, o hall de favoritos não é muito grande e pode variar de acordo com as condições, pois como em qualquer evento, quanto mais radicais as condições menos nomes brigam pelo título.

Tratando-se deste tipo de condição, por razões óbvias, Kelly Slater sempre entra como bicho papão, já que domina como ninguém os tubos, tanto de frente como de costas, além de já ter vencido este evento em quatro oportunidades. E Teahupoo, por ser uma onda bem rápida, acaba favorecendo os regular footers, que sabem se entocar com a aprumada técnica de grab rail. Aquela atrasada com a bunda faz o surfista ganhar alguns segundos a mais no caroço, aumentando sua nota. Digo até que o drop fica mais fácil, mas veja bem, isso para quem domina a técnica. E não é muita gente. Apenas dois regulares venceram ali, Slater e Andy Irons, por duas vezes.

Os goofies que se deram bem ganhando este campeonato, que faz parte do Circuito desde 1999, são ou foram exímios tube riders. Occy, Cory Lopez, os irmãos Hobgood, Bobby Martinez duas vezes e Bruno Santos, o único trialista que já subiu ao alto do pódio, são os felizardos.

Aliás, os trialistas costumam atrapalhar e muito a vida dos primeiros do ranking. Por causa do seed, geralmente caem contra o primeiro e segundo do mundo, e invariavelmente mandam estes “pseudo” favoritos para casa cedo. A Billabong faz um trials, que muitas vezes tem ondas e atuações melhores do que o próprio evento principal, classificando dois surfistas para a disputa com os Top 34. É bom ficar de olho nestes convidados, pois assim como Bruninho, eles podem causar estrago.

Alguns caras, não tão bem rankeados como os ex-campeões da etapa, C.J. (também foi três vezes vice) e Damien Hobgood sempre vão bem em Teahupoo. Jeremy Flores, vencedor do Pipe Masters, é outro que sabe tudo ali. Josh Kerr idem. Na nova geração, Julian Wilson e Owen Wright são dois bons nomes para apostar, principalmente no goofie aussie.

Entre as estrelas, tirando Kelly Slater, apenas Taj teve relativo sucesso, chegando por duas vezes à final, sendo derrotado em ambas. Mick Fanning também já disputou a derradeira bateria, mas como seu compatriota Taj, perdeu.
Dois brasileiros costumam se destacar ali. Adriano de Souza e Raoni Monteiro. O segundo, mais experiente, é um excepcional tube rider e fica bem à vontade nas cracas. Adriano, sofreu muito em sua estreia no pico, mas depois de muito treino, começou a se destacar, como a melhor aposta brazuca. Ainda se recuperando da lesão no joelho sofrida em Fiji, Raoni é uma incógnita, mas não deve ser deixado de lado.

Heitor Alves já conseguiu algumas boas atuações, mas nunca chegou muito longe. Jadson André, apesar de como Alves também ter a facilidade de ser goofie, também não avançou muitas baterias por lá. Alejo Muniz disputou suas primeiras baterias ano passado e foi razoavelmente bem de backside, mas não chega a ser considerado uma grande opção.

Nossos moleques travessos Miguel Pupo e Gabriel Medina vão fazer suas estreias no pico. Apesar de mostrarem talento para se entocar em Fiji, vão sofrer caso o mar fique acima dos 6 pés. A experiência conta muito ali e ambos são totalmente crus. Mas já provaram, principalmente Medina, que a genialidade pode romper certas barreiras e quem sabe, os meninos prodígios surpreendam, de novo.

Para finalizar, fora Slater, a melhor aposta é o novato John John Florence, atualmente o melhor tube rider do planeta. Apesar de novinho, o jovem havaiano tem muita quilometragem em tubos e é junto com Kelly a melhor opção para vencer na esquerda mais quadrada do mundo.

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Aguardamos seus palpites no FluirGame

Boa sorte!

Alex Guaraná é colunista da FLUIR e especialista em WCT. A partir desta etapa, ele apresenta suas análises pré-campeonato, com pontos essenciais sobre cada point
e os principais atletas, para você mandar bem nos palpites.
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