
Na minha opinião, tow-in é uma das mais radicais modalidades de esportes do momento. O surf entra a reboque como uma das qualidades da equipe, que também envolvem pilotagem de jet-ski, resgate etc.
A dupla de tow-in forma uma equipe e, como tal, na hora da vitória de um evento como o Tow-in World Cup, ou de um prêmio como o XXL, os dois componentes devem ser os campeões, ou mesmo premiados.
Mas nos prêmios como o XXL e o Oakley Awards (disputado somente em águas australianas), apenas quem surfou ganha a bolada e o reconhecimenento da mídia.

O que os ”vulgos especialistas” estão se esquecendo é que se o piloto não tivesse colocado o surfista na ”tal” onda, ou ainda pior se o rebocasse em um lugar ruim ele não teria vencido, ou até teria se machucado.
Um surfista de ondas grandes pode se tornar um excelente tow-rider, mas a habilidade para pilotar o jet-ski e resgatar torna o buraco bem mais embaixo.
Já vi excelentes surfistas não conseguirem se tornar bons pilotos, mesmo depois de muito treino. Por outro lado, depois de algumas horas em cima de um jet-ski, alguns surfistas se tornam excelentes ”drivers”.
Não há regra, mas aquela galera que já dirigiu

muita moto na adolescência, dá para notar que leva grande vantagem.
Também existe o outro lado da moeda. Na investida ao Taiti para surfar aquela onda ”abissal”, o big rider Laird Hamilton levou consigo o amigo Nelson, campeão de jet-ski.
O cara realmente puxa muito bem. Inclusive foi o responsável pelas cenas do Laird nas filmagens do “007”. Porém, depois de morrer dentro de três tubos por culpa do piloto na hora em que o bicho pegou e o mar ficou ”grosso”, Laird preferiu chamar Darrick Dorner – que estava numaa barca Da Hui.
Foi mais do que sábia a decisão de Laird. Imaginem se o Nelson o coloca em uma posição difícil naquela aberração da natureza…
O resgate na zona de arrebentação também é um caso a parte. Em lugares de ondas gigantes, o jet-ski se torna uma agulha no palheiro, no meio de tanta espuma. Para salvar um surfista nesta situação, o parceiro precisa ter muita auto-confiança, conhecimento e determinação.
Já vi muitos jet-skis irem parar nas pedras de Jaws nessas ocasiões.
A realidade é que o conhecimento do local, oceano, surf e motor fazem o resultado final.
Nos três prêmios oferecidos nos últimos anos pela maior onda surfada, a grana foi dividida.
Parsons, Burle e Makua sabem de tudo isso que descrevi acima e dividiram a grana, porém a glória ficou só para quem surfou.
Eu e a maioria dos atletas não achamos isso certo. Perguntem ao Gerlach, Eraldo e R.Rawson se eles não acham o mesmo. A parada é em equipe! Que vença a dupla.
Já vi neguinho declarar que ‘peguei e fiz e tal’. Na verdade, o dito cujo esquece de que sem o piloto ele não teria feito nada.
Seria legal também que nas legendas de fotos e matérias na TV, os jornalistas tentassem exaltar a dupla, e não só um dos atletas. Normalmente, as duplas são formadas por dois atletas de grande potencial e, nestes casos, os dois pilotam e surfam boas ondas. Mas, mesmo assim o valor agregado dos dois é outro.
O havaiano Garrett Mcnamara vai mais longe. Ele me disse que daqui para frente terá os mesmos patrocinadores de seu parceiro Ikaika Kalama. Dessa forma, segundo ele, seremos vistos como as equipes de F1 e poderemos ser melhor reconhecidos. Consequentemente, melhores patrocinadores e eventos.
Sei o que é surfar ondas enormes de tow-in com péssimos pilotos. Não se pega nada e ainda corremos riscos. O outro lado da moeda é o que todo atleta almeja. Por isso, obrigado Romeo, Burle, Eraldo, Edison e Manny pelas bombas proporcionadas.
Organizadores e mídia: não esqueçam de apontar a dupla em seus prêmios e reportagens. A modalidade é praticada em equipe. Quem venceu foi o Brasil e não o Ronaldinho!
Aloha
Obs: Tow-in só quando não há ninguém remando!