Natural da cidade do Guarujá, localizada no litoral Sul de São Paulo. Menino pobre nascido na periferia da cidade, me apaixonei pelo bodyboard ao ver o campeonato Phillipines, ainda no fim dos anos ’80. Comecei nas ondas aos 14 anos de idade.
Tive vários problemas de saúde na minha infância, inclusive três cirurgias no coração: aos oito anos, aos dez e novamente aos doze. Lembro do médico dizer para minha vó: “Este menino não poderá fazer esforço físico e terá saúde limitada.”. Como ele estava enganado!
Criado por meus avós, minha primeira prancha comprei com ajuda deles. Minha avó juntou dinheiro do troco do pão e comprou uma bodyboard usada. Começou uma historia de vida, minha vida com o esporte. Praia todos os dias e dedicação máxima.
Uma bermuda, camiseta de lycra velha e uma nadadeira de mergulho completavam o equipamento. Muitas vezes escondi a prancha na casa de outras pessoas para despistar meu pai que não queria me ver na praia. Sempre acobertado por minha avó, sempre contei com seu apoio para continuar no esporte.
Melhorei minha técnica e conheci pessoas que me ajudaram no meu crescimento. Amigos como Ringo, surfista de prancha que sempre deu maior força e David Borges, atleta profissional que ajudou a lapidar o recém apelidado Quá-Quá.
David percebeu minha facilidade no esporte e resolveu me levar ao mundo das competições. No primeiro evento, com minha prancha velha e bermuda rasgada, cheguei na final iniciantes do circuito paulista. Lembro até dos nomes dos adversários: Roberto Ritis, Marcus Biju e Alexandre Augusto.
Foi quando o locutor deu o resultado: “E o campeão é… Roberto Germano.”. Tive uma sensação que nunca havia experimentado na vida, algo inexplicável. Vontade de chorar, mas de alegria. Chorei quando vi aquele bodyboard novinho, vindo na minha direção. Era minha primeira prancha nova e o começo da realização de um sonho.
Engrenei nas competições e não parei mais. Trabalhei em serviços diversos e me jogava como podia até os eventos. Graças a Deus tudo foi se encaixando. Ganhei muitos prêmios e vendia tudo para continuar competindo.
A maior surpresa estava por vir. Conheci duas pessoas importantes na minha vida: Kelly e Cris, duas amigas muito gente boa que ajudaram a conseguir meu primeiro patrocínio. Levaram um empresário de sampa na minha casa, trazendo roupa, prancha e uma ajuda de custo em grana.
Inacreditável aos olhos do meu avô e, ao mesmo tempo, transbordava felicidade daquele olhar. Ele via que diferente da maioria dos meus amigos de infância, que caminhavam rumo às drogas e destruição, eu estava dando passos em direção a um futuro de vitórias e sucesso.
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Foi nesse momento que ouvi o melhor conselho da vida quando meu avô perguntou se era isso mesmo que eu queria. Respondi que sim e ele completou: “Então vai até o fim, vai mesmo! Sem desistir.?
Conheci os empresários e proprietários da Genesis bodyboards João e Antônio Vilela. Estava na loja de uma amiga, que foi a primeira a ser visitada por eles naquele dia.
Excelente coincidência. Conversamos muito e me ofereceram apoio de prancha. Aceitei na hora! E foi nessa que pude estar realmente próximo do esporte.
Fui eu que testei o primeiro bloco de Duralight, uma nova era para o bodyboard brasileiro. Fundei a primeira escolinha de bodyboard do Guarujá e ajudei a montar muita estrutura de campeonato em troca de inscrição. Washigton Teixeira e Boreu sempre fortaleceram.
Para chegar lá é preciso dar o maximo de nós. Realizei campeonatos no Guarujá e carreguei muitas caixas de pranchas nas costas, para entregar a premiação nos eventos. Ganhei muitos campeonatos, tive confrontos diretos com grandes nomes e participei de finais inesquecíveis em minha vida de atleta.
Há cinco anos, fui convidado para trabalhar no escritorio da Genesis, fazer relacionamento direto com atletas e eventos. Além disso, desenvolvo outro trabalho que gosto. Presto serviços para outras marcas, como a nadadeira Aquatica.
Também colaborei para que a Cobra D’água entrasse mais forte no esporte e a escola de bodyboard que fundei, foi a primeira escolinha de bodyboard gratuita do Brasil.
Fiz muito para que a competição no parque aquático Wet’n’Wild acontecesse e a história repetiu-se em um Flow Rider na Ilha de Florianópolis (SC). As primeiras competições realizadas em piscina no país.
A Genesis apoia a maior equipe de atletas do Brasil. Apoia ainda, 90% dos eventos em território nacional. Muitas pessoas dizem: “Só tem Genesis no mercado!”. Na real, temos um bom trabalho com nosso esporte e acreditamos nele.
Temos um sistema de apoio para qualquer problema apresentado em algum de nossos produtos, oferecemos todo suporte necessario ao cliente. Desenvolvemos ainda um sistema de franquia para escolas de bodyboard. Existem hoje várias escola Genesis espalhadas pelo país.
Esta é boa parte da minha historia de vida.. Temos que acreditar, ralar e buscar muito. Não adianta reclamar da falta de patrocínio, corra atrás do objetivo. Só os grandes conquistam!
Agradeço ao Davi Borges por tem me inserido no esporte e também por ter me apresentado ao nosso senhor Jesus. Melhor escolha da minha vida! Nosso esporte tem várias historias de lutas e conquistas como a minha. Nunca diga que o bodyboard não te deu nada.
No meu caso, deu os lugares que visitei, as pessoas que conheço e amigos. Além de tudo que conquistei ter sido graças ao bodyboard. Hoje, no grupo Genesis, administro a marca Z-Point.
Para terminar, uma frase aos iniciantes no esporte: ?A estrada parece ser longa, mas tenha certeza que casa passo que der, será uma nova página escrita na sua vida”.


