Quanto vale um caldo em Pipeline?

Analisando os resultados do WCT após a etapa de Sunset, onde o havaiano Andy Irons sagrou-se campeão mundial de 2002, algumas curiosidades se tornam evidentes.

 

Por exemplo: Andy ganhou cerca de U$160 mil em premiação até o momento nesta temporada. Já o último colocado no circuito, o brasileiro Marcelo Nunes, levou US$ 50 mil, mesmo ocupando a 46º posição no ranking.

 

Isso significa que a diferença de premiação entre o primeiro e o último colocado no circuito até o momento foi de apenas 3,2 vezes. Analisando friamente e levando em conta o grau de evidência que o surfe possui na mídia, em que outro esporte a diferença de premiação entre o primeiro e o último colocado seria tão pequena?

 

Pense no tênis, ou se quiser piorar, considere o futebol. Em qual desses esportes um campeão mundial faz apenas US$ 160 mil em prêmios no melhor ano de sua careira? O norte-americano Tiger Woods ganhou milhões de dólares no ano em que se tornou campeão mundial de golfe, esporte cujo único risco físico a que o atleta está exposto é ficar queimado de tanto pegar sol.

 

Quem assistiu ao lendário filme de surfe “Free Ride” deve lembrar de uma cena em que Wayne “Rabbit” Bartholomew, atual presidente da ASP (Association of Surfing Professionals), aparece recebendo um prêmio de US$ 500 pela sexta colocação no campeonato Smirnoff, realizado em ondas de quase 20 pés em Waimea, Hawaii – e naquela época nem havia jet-ski para salvar ninguém!

 

Desnecessário dizer que o baixinho Romário ganha mais do que muitos Andy Irons reunidos, e olha que estamos falando de Brasil. Se compararmos com um astro do futebol americano (ou rugby) o surfe vira um esporte realmente pobre em termos de potencial de enriquecimento dos atletas que esperam viver dele.

 

Agora, olhemos para os atletas brasileiros no WCT. Se dividirmos a premiação do Marcelo Nunes pelo número de meses do ano (12), veremos que fora seu salário como atleta, ele garantiu uma remuneração mensal em prêmios na faixa de US$ 4 mil por mês, uma ótima remuneração para um atleta proveniente de uma família humilde do Nordeste.

Mesmo considerando que parte desse valor seja gasta em despesas ao longo das viagens, sobrando em média 30% para o atleta, ainda assim é uma grana legal.

 

Se analisarmos Peterson Rosa, atual 16º colocado, que ganhou cerca de US$ 68 mil em prêmios, e Neco Padaratz, atual 17º colocado, que faturou US$ 80 mil, o circuito mostrou-se altamente recompensador para esses atletas, pois eles ganham em dólares, moeda atualmente supervalorizada no Brasil.

 

Indo mais adiante nesse raciocínio, concluímos que é muito mais vantajoso para um atleta brasileiro correr o circuito mundial do que para um norte-americano ou australiano, pois a realidade econômica destes países condena-os a disputar um circuito de baixo valor, frente à economia em que vivem.

 

Ok! Podem dizer que Kelly Slater tem um contrato milionário e que o cara ganhou muito dinheiro na vida, assim como os aussies Mark Ochilupo e Tom Caroll. Mas essa lista não possui mais do que uma dúzia de nomes, se tanto, que ficaram milionários surfando profissionalmente.

 

Talvez fique mais fácil de entender porquê os Estados Unidos passam por uma crise de desinteresse pelo surfe como esporte profissional, com uma taxa de renovação de atletas bem abaixo do potencial do país, onde carreira e sucesso profissional são mais importantes do que qualquer outra coisa. 
 

Mais uma vez, a comparação com outros esportes se torna inevitável. A premiação de um Grande Slam do tênis ultrapassa facilmente a casa de US$ 500 mil. Um atleta que chega às semifinais pode levar para casa um cheque de mais de US$ 150 mil e, se for um Roland Garros, na França, ou Winbledon, na Inglaterra, esse valor ultrapassa os US$ 250 mil, tranqüilamente.

 

E o que é a Tríplice Coroa Havaiana senão um Grand Slam do surfe, ou mais, o que dizer da etapa de Teahupoo, no Tahiti, com aquelas ondas assassinas? Antes de responder, vale lembrar que um semifinalista em Sunset, no Hawaii, ganha apenas US$ 8,5 mil se ficar em terceiro na bateria, e US$ 7,5 mil se ficar em quarto.

 

Sei que irei receber muitas críticas sobre o ponto de vista apresentado, poderão até dizer que nunca competi seriamente e sempre fui um free-surfer apaixonado e posso estar tendo uma visão excessivamente crítica. Mas uma coisa não pode ser negada: comparado com outros esportes, o surfe está longe de ser um esporte justo em termos de premiação. E ponto final.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.