Quando o radical é social

Como assim? O Bodyboarding não é um esporte radical? Que papo careta é esse de esporte educacional?

 

Se é radical, não venha com essa conversa de que é um esporte para crianças e meninos bonzinhos, que seguem os padrões e as normas da sociedade.

 

Durante muito tempo percebi que os esportes radicais possuem uma tendência em gerar este tipo de pensamento.

 

São alternativos, carregam consigo toda uma filosofia, um modo peculiar de se vestir, uma linguagem própria. Atributos suficientes para seduzir os jovens.

Aliás, é bem verdade que o maior público atingido, a princípio, é o de adolescentes. Justamente os adolescentes, com suas cargas e confusões típicas de uma idade de grandes transformações.

 

Buscam razões para a auto-afirmação e encontram no grande meio social desses
esportes os falsos valores que a eles estão diretamente agregados. A busca pelo ser radical não tem limites, vai desde a introdução ao consumo de drogas, à perda dos sentimentos de amizade, fraternidade, honestidade e família.

 

Assemelha-se a uma doença, que amofina os esportes radicais, uma enfermidade contagiosa que se espalha à medida que formamos e criamos os falsos ídolos, os maus exemplos, como aqueles que muitas vezes somos obrigados a engolir ao assistir uma grande quantidade de horrendos filmes australianos e americanos, repletos de cenas selvagens de vandalismo, pornografia e violência, transmitindo para a sociedade uma falsa imagem do nosso esporte e contribuindo para a proliferação de idéias errôneas.

Se estes são os melhores exemplos que podemos mostrar, como evitar o massacre de alienação aos quais estão submetidos nossos adolescentes?

 

Como impedir a inundação de péssimas personalidades que surgem a todo instante? A maturação e o desenvolvimento, são processos sociais e dependem de estímulos da própria sociedade. Que tipo de estímulos somos capazes de produzir? Que tipo de meio social estamos criando? Não é função do esporte disseminar bons valores aos jovens?
          

Devemos nos preocupar com isso, não apenas expor nossa imagem aleatoriamente na mega vitrine, na arena dos supershows. Aceitando suas regras e imposições regidas pelo capital.

 

Produzir grandes competições e trazer investimentos ao nosso esporte deve ser, sem dúvida alguma, nosso objetivo, assim como observar as transformações do mesmo diante de tais injeções.

 

Tornar tudo isso possível sem tirar de foco o ser humano. Este e seu bem estar devem ser a prioridade de qualquer instituição, seja ela particular, governamental, ou mesmo, esportiva.

     
Acredito particularmente que as escolas esportivas têm grande responsabilidade nisso. A
edificação de conceitos que façam cair por terra os valores banais, a construção de bons exemplos para o então resgate de jovens alienados.

 

Uma escola de bodyboarding não deve se restringir ao treinamento técnico para atletas, pois assim não poderia se chamar escola, e sim, academia, ou mesmo CT (Centro de Treinamento).

 

Não podemos esquecer que os grandes homens um dia foram crianças e precisaram de orientação e educação. Então porque não dizer que através da escola podem surgir grandes líderes, grandes atletas, presidentes de federações, árbitros, empresários,
profissionais liberais em geral. Digo grandes, no sentido de humanidade, de ética, de conduta moral sólida e não apenas em qualidade profissional. 

 

Homens e mulheres que tenham em suas mentes muito mais do que apenas a construção dos bens materiais, que muitas vezes aprisionam os indivíduos. Para que tenham uma vida baseada na responsabilidade social, no bem coletivo. 

 

Será que viemos a este mundo apenas para curtir nossas vidas, realiza-las apenas no plano material? Dessa forma viajar apenas pelo desfrute das ondas e só pensar em nós mesmos, nas nossas satisfações e vaidades?

 

Ou administrar esses sentimentos de forma madura e perceber que o dom da vida é muito maior que o nosso egocentrismo?
          

Percebam a grande responsabilidade que deve ter um professor, e a importância de possuir sensibilidade e conhecimentos científicos além do domínio de fundamentos do esporte. De certa forma, é a única profissão que possui a responsabilidade sobre o
futuro de todas as outras profissões.

 

Não creio que sejamos professores diferentes do outros pelo simples fato de ensinarmos um esporte e não estarmos numa sala de aula. O professor é aquele que educa, antes de tudo.

 

E existe maneira melhor de educar senão na praia, usando uma linguagem jovem, fazendo uso do poder de atração que o esporte tem para se aprofundar nos conceitos dos jovens?

 

Digo isso, pois já tive muitas experiências com adolescentes nesses seis anos como professor de Bodyboarding, sei da minha responsabilidade. Ouço pais, todos os dias, me contarem que seus filhos me admiram e que seria muito mais fácil para mim dizer-lhes críticas em relação a suas vidas.

É necessário a participação de todos, tornar nosso esporte algo maior que apenas a alegria que sentimos ao pegar ondas.

 

Teremos muito mais valor para a sociedade, pois estaremos baseados no sentimento humano, na formação de valores. Que não se dissolvem com o tempo.

 

Seremos jovens com uma áurea capaz de iluminar onde não houver luz!

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