
No feriado da Páscoa fui até a pequena cidade de Lennox Heads (uma hora ao sul da Gold Coast) surfar por mais uma vez a famosa direita de Lennox Point, uma de minhas ondas preferidas da região (para quem não conhece, dê uma olhada no filme “Fanning the Fire”, no trecho que ele surfa uma direita perfeita com uma roupa de borracha azul e amarela).
Fui com mais dois amigos, Ricardo “Pensa” e Victor “Big Chicken”, e ficamos na casa da Jenna, uma amiga australiana. Também fomos com a intenção de curtir a 14a edição do maior festival de Blues da Austrália.
O “14th Annual International East Coast Blues & Roots Music Festival, Australia’s largest International Festival of Blues & Roots Music” (Bluesfest.com.au), na maravilhosa cidade de Byron Bay, tinha no cronograma figuras do calibre de Ben Harper & Innocente Criminals, Jack Johnson e outras feras.
Fomos equipados com pranchas entre 5’11” e 7’0″, pois sabíamos que a região hospeda diversos picos de surf. Como já é tradição no Estado de New South Wales, o swell de Páscoa chegou na forma de um ciclone e trouxe ondas de até 2 metros. Infelizmente, junto com as ondas veio o frio e um forte dilúvio nos acompanhou durante todo o feriado.
Olhando pelo lado bom, a chuva deixou o mar glassy, e as longas paredes de Lennox Point se estendiam por todo a bancada. De cima do cliff – chegando em Lennox você estaciona o carro num pequeno cliff que, em dias de maral, serve de ponto de decolagem para asa-delta e pára-pentes -, o visual era cinematográfico, com linhas de 6 pés rolando perfeitas sem nenhum vento.
Colocamos nossas pranchas na água e numa questão de minutos já estávamos remando contra a forte correnteza do pico. Em dias clássicos, a onda de Lennox Point se estende por mais ou menos 500 metros com uma sessão de parede bem volumosa no outside e uma rápida sessão tubular no inside, seguido por mais uma parede já quase em frente ao beach-break.

O crowd se espalha pelo bancada de pedra e os locais impõem respeito quando necessário. Em dias de 6 pés para mais, recomendo pranchas maiores, tamanha a força das ondas e a extensão do pico, que exige uma boa remada e um ótimo preparo físico.
Durante o resto do feriado as ondas abaixaram e pegamos 3 a 4 pés de ondas sempre muito divertidas. Em Lennox Heads não deixem de comer na famosa padaria local, as atendentes são todas lindas e as laricas deliciosas. A chuva não parou um dia sequer e na segunda-feira descansamos por toda a manhã, esperando a grande hora do Festival de Blues.
Ano passado não pude comparecer devido a grande demanda de estudos, mas já tinha ouvido falar que o evento lembrava Woodstock por estar sempre chovendo muito, e o uso liberado de drogas e bebida transformava o lugar em uma grande babilônia. Chegamos uma da tarde no local e as duas assistimos ao show do grupo Beautiful Girls – uma surf music que já é febre nos novos filme de surf por aqui e espero que chegue ao Brasil em breve.
Duas horas depois estávamos em frente a Donavon Frankenreiter (free-surfer, amigo de Kelly Slater e cia, que tocou por 12 anos na banda Sunchild) ouvindo seu novo trabalho solo. Performance destaque na minha opinião.
Uma hora e meia depois, G-love & Special Sauce subiram ao palco para enlouquecer a galera com uma mistura de surf music e hip-hop. Enquanto isso, perdíamos a apresentação da banda aborígine Yothu Yindi no palco de musicas roots. Após uma tarde de muita curtição, fui dar um check no evento em si. O cenário era composto por muitas tendas coloridas e barracas que vendiam comida, bebidas, artesanato e artigos promocionais.
Três mega palcos com boa estrutura sonora e equipamentos de primeiro mundo hospedavam as bandas e o público totalmente diverso rodava sem parar como numa grande feira ao ar livre. Quando escureceu uma chuva torrencial inundou os gramados e os mais alterados começaram com os banhos de chuva e lama. O visual colorido, o som e as pessoas do mundo todo completavam o que realmente parecia uma miniature de Woodstock na Austrália.
Às 6:30 horas Resin Dogs tocava o rock’n roll frenético, fechando o show com a famosa música “Are you ready” (parte de Bobby Martinez no filme “3 Degrees” preview). Às 7:30 horas Jack “mellow demais” Johnson começou o show no palco principal. Uma das maiores atrações do evento, Johnson já é figurinha carimbada na Austrália.

Depois de um boom no ano passado, agora já está desgastado entre a galera antenada do surf, mas o festival parou para ouvi-lo tocar músicas de seu novo álbum “On and on”. Depois de dançar muito e beber a boa cerveja VB australiana, nos preparávamos para o auge do evento: Ben Harper & the Innocent Criminals ao vivo.
Estrela do evento, o americano do Alabama que não da entrevistas literalmente alucinou o Festival. Ben Harper tocou algumas músicas do seu disco novo (Diamonds on the Inside) e clássicas como “Sexual Healing”, que na minha opinião e na situação que me encontrava foi o momento supremo do show.
Foi um daqueles momentos em que parece que alguma força superior está junto, iluminando o caminho. Com certeza pensei em todos os meus amigos e parentes e foi com certeza uma grande viagem. Aconselho a todos que pretendem vir à Austrália para procurar saber mais sobre a música local e os artistas destas pequenas cidades de NSW. O lugar é uma fonte de talentos e que respira surf.
Ao chegar em casa escrevi uma frase num pedaço de papel que gostaria de compartilhar com vocês: “O amor é um campo de força o qual o mal não ultrapassa, o surf uma arma contra a depressão e a música, o vento que embala os dois na maior harmonia possível” – Vitor Froimtchuk, 3:30am.
Na próxima coluna, minhas aventuras no deserto australiano de West Asutralia. Para saber mais sobre algumas bandas do Festival acesse:
Ben Harper: Benharper.net
Jack Johnson: Jackjohnsonmusic.com
G-love: G-love.com
Donavon Frankenreiter: Donavonf.com/choose.htm
The Beautiful Girls: Thebeautifulgirls.com
Resin Dogs: Resindogs.com.au