Por trás das notas

Protesto contra a cegueira ianque

#Uma grande polêmica se formou a partir de uma matéria da revista americana Surfer, uma das maiores do mundo, a respeito da previsão sobre o desempenho dos Top 46 da ASP para a temporada 2002.

Um jornalista (Ross Garret) desta conceituada revista, além de ofensivo aos brasileiros, demonstra que está equivocado em relação aos critérios de julgamento, principalmente se levarmos em conta as ondas onde serão disputadas as provas deste ano.

Toda sua análise se baseia no fato de os juízes valorizarem os surfistas que fazem manobras ditas modernas, como aéreos e reverses, em detrimento das manobras fortes e radicais.

Sinceramente, desde que foi divulgado que os juízes iriam valorizar as tais manobras modernas, eu não entendi, pois o critério já falava em manobras radicais nas partes mais críticas das ondas.

Depois achei que era para ratificar este critério, pois nem sempre os juízes valorizavam as manobras mais radicais e muitas vezes uma maior quantidade de cut-backs era mais bem pontuada do que uma ou duas manobras fortes no crítico da onda.

#Levando em consideração que o circuito será disputado em ondas fortes e que a direção técnica da ASP sempre aguarda um tamanho considerável para iniciar as provas, fica muito difícil acreditar que vão acontecer aéreos no Tahiti, em Jeffrey?s ou em Mundaka, para não falar de Pipeline ou Fiji.

O tal jornalista, que eu não sei da onde apareceu, detona a maioria dos surfistas experientes como se eles fossem sofrer por não serem modernos ou qualquer outra coisa parecida.

Eu penso ao contrário. As ondas pesadas de point e reef-breaks favorecem os mais experientes e acabaram estendendo a vida deles no circuito. No formato antigo, com grande parte das etapas em beach-breaks, ele até que poderia estar certo.

Seus comentários sobre os brasileiros são, no mínimo, carregados de preconceito, para não dizer falta de respeito. E sobre os surfistas mais experientes, ele demonstra falta de visão, ainda mais depois da volta do Occy ? e de outros atletas com mais de 30 anos, como Romário e Michael Jordan, que ainda estão dando shows nos campos e nas quadras.

Tenho certeza que ele vai queimar a língua e decidi escrever uma carta de protesto que enviarei à revista americana não só expondo a falta de delicadeza do jornalista, mas principalmente sua interpretação equivocada do novo critério em cima do formato atual do circuito da ASP.

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