
A João Lagos Sports tornou público o cancelamento oficial do evento do World Championship Tour (WCT) que desde 2000 se realizava em Portugal – na medida em que o patrocínio das entidades oficiais se definiu tarde de mais… e por valores insuficientes.
Apesar dos empenhados esforços da Câmara Municipal de Mafra, Turismo da Ericeira, Junta de Turismo da Costa do Estoril e João Lagos Sports em encontrar uma solução para a realização do WCT na Ericeira, face à descontinuidade do apoio institucional da Figueira da Foz, as verbas angariadas revelaram-se insuficientes para a realização daquela que era uma das três únicas no mundo a congregar a competição masculina e feminina.
“O WCT era um evento prioritário no nosso calendário de provas e, sobretudo, uma das competições desportivas de mais elevado nível realizadas anualmente em Portugal, protagonizada exclusivamente pela nata do surf mundial”, sublinha João Lagos.
“Para além disso, permitia a participação de surfistas portugueses e era um acontecimento canalizador daquela que é a modalidade ‘rainha’ da nova vaga de desportos radicais, com grande aceitação na juventude atual, que servia de veículo de projeção de Portugal no mundo. Infelizmente, e tal como aconteceu com eventos de exceção como o Grande Prêmio de Portugal de Fórmula Um e o Rally de Portugal, não se encontrou um nível de sinergia capaz de manter a prova em águas nacionais. Agora, a semana no calendário que nos pertencia fará as delícias de outro público em outro País mais receptivo”.
Oitava etapa do principal circuito mundial masculino e terceira do calendário feminino, o evento português do WCT (World Championship Tour, a primeira divisão do surf profissional) tinha inicialmente programada a distribuição de US$ 310 mil (250 mil para os homens e 60 mil para as mulheres), afigurando-se como decisivo para a decisão dos títulos mundiais de surf na presente temporada – e tanto o montante de prêmios monetários em disputa como o fato de ser uma competição mista transformavam-no num dos três maiores eventos de surf do planeta (só três reúnem homens e mulheres no mesmo local), atraindo a Portugal todos os melhores representantes na hierarquia mundial e a imprensa internacional especializada, ao mesmo tempo que levava imagens do País e das suas magníficas praias aos quatro cantos do planeta.
Face às limitações decorrentes da atual conjuntura econômica reconhecidamente desfavorável, que limitou a capacidade do patrocínio tanto oficial como dos investidores privados, ainda se tentou a opção de manter somente a vertente masculina no ano de 2003, mas sem sucesso.
“Face à conjuntura econômica e insuficiência de apoios que se logrou reunir, ainda tentamos uma solução de recurso, que não era muito do nosso agrado, mas que teria o mérito de salvar o evento e manter Portugal na rota dos grandes eventos mundiais de surf, propondo à ASP organizar em 2003 somente um evento masculino em Ribeira d’Ilhas com a promessa da retoma do evento misto em 2004”, conclui João Lagos.
“Contudo, perante a pressão de fortes candidatos a ocuparem a vaga de Portugal no Circuito, a proposta foi recusada. Depois de tudo o que implicou conquistar o direito a esta prova para Portugal e das dificuldades que enfrentamos para a sua implementação, sobretudo em 2001 quando a ASP cancelou extemporaneamente a prova com a estrutura já toda montada, na seqüência dos atentados do 11 de Setembro, que nos causou significativos prejuízos financeiros, é triste e inglório terminar assim. Não obstante a boa vontade das entidades oficiais em patrocinar o evento, as limitações orçamentais inerentes à atual contextura econômica e o próprio esforço exigido pelo Euro 2004, não permitiram manter uma prova que, pela sua importância e caráter regular, dava importante contribuição para a promoção da marca Portugal”.