Ruídos Alternativos / Promoção Bad Religion

E aí leitores ruidosos! Esta semana trago bandas cheias de essência Rock?n?Roll, duas pedradas eletrônicas e muita informação sobre influências musicais. Não se esqueçam do Festival Abril Pro Rock aqui em São Paulo e o Skol Beats!

O ?fórum? abaixo ainda não está funcionando de forma sensata, pessoal! Vamos trazer dúvidas, sugestões e pedidos. A coluna tem como objetivo salientar algumas questões referentes ao universo paralelo da música de uma forma geral. Não estamos aqui para dar nomes nem rotular pejorativamente movimentos musicais adversos. Buscamos harmonia e vamos fundo na observação de bandas realmente inovadoras e originais.

Não queremos ?trazer mais do mesmo?! Não é uma coluna calcada na Surf Music e no Reggae apenas. Apesar de estarmos ligados a um site de surf, queremos abrir a gama sensorial de cada um para coisas interessantes e aprazíveis, sempre salientando o que está saindo de novo no mercado nacional! Afinal de contas, pagar R$ 50 por um CD gringo não é para qualquer um…

Promoção Relâmpago Bad Religion!

Nesta semana a Promoção Relâmpago traz para vocês bonés irados do Bad Religion. Lançado no final do ano passado aqui no Brasil, ?The Process Of Belief? é o mais recente trabalho desta histórica banda de Punk Rock tradiça ? inclusive entre a galera que pega onda!

Para participar de mais esta promoção semanal, basta responder a seguinte pergunta: ?Qual é o nome da loja que está lançando o histórico álbum ?Do You Know House??.

#Você já sabe, a dica está logo abaixo na resenha do disco ?Do You Know House? ? Volume One?!

Corra! Apenas cinco sortudos (as) levarão os bonés do Bad Religion! Não percam as Promoções Relâmpago que faremos ao longo do ano. Boa sorte!

Agradecimentos ? Sum Records.

Ganhadores da Promoção ?Honeydogs?:

Alessandro Bonaspetti (BA)
Gustavo Zampa Mancini (SP)
Ricardo Nogueira Silveira (SP)
Érico Fernando Romano Padrão (SP)
Ana Florença G. de Oliveira (RJ)


OCEAN COLOUR SCENE | The Very Best Of Ocean Colour Scene: Songs For The Front Row

Muito falatório em cima do Ocean Colour Scene. Não é para tanto, mesmo porque o pop energético com um pé revitalizado no psicodelismo ultra-rock?n?roll já é bastante discutido na cena da qual estes caras fazem parte, em Manchester, lá pelo meio da década de 90. Apesar do Ocean originalmente ter se formado por volta do final dos anos 80, seu reconhecimento começou a se tornar evidente nesta época.

Alguns de seus discos já alcançaram status altíssimos, caso de ?Moseley Shoals?, de 96, transformando ?The Riverboat Song? em hit arrasa quarteirão. Também, com caras como Noel Gallagher (Oasis) fazendo publicidade a favor, quem não explode? Essencialmente, o disco ?The Very Best Of Ocean Colour Scene: Songs For The Front Row? é uma coletânea com um pouco de cada fase desta aclamada banda inglesa.

Com uma história bem conturbada, cheia de promessas e possibilidades, o Ocean sempre esteve prestes a estourar, mas nunca conseguiu alcançar os ?louros dourados? da música mundial. Isto pode ser bom por um lado, como pode trazer problemas para a inventividade coletiva da banda. Na realidade, o grupo nunca foi visto com bons olhos pelos americanos, isso sim! Bela bosta! Quer saber, o incrível é que esta coleção de hits foi lançada primeiro sabe onde? Na terrinha do Tio Sam… Vai entender! Coisas da indústria fonográfica.

Sobre o disco, temos alguns bons destaques. A começar pela música ?The Riverboat Song?, entusiasticamente pronunciada pelo já citado Gallagher e culminando com a transformação da faixa em música tema do programa de Chris Evans, um locutor da Rádio 1 da BBC, lá de Londres. Porradaria precisa e forte em ?Hundred Mile High City?, que é bem rock?n?roll setentão! Baladona à La David Bowie em ?Better Day?, viagens insólitas em ?Get Blown Away?, peso dançante em ?July?, além da brilhante canção ?Huckleberry Grove? em versão B-Side e ?Robin Hood? ao vivo no ?Royal Albert Hall?, em fevereiro de 97.

O disco não deixa de fora nenhum grande clássico da banda. ?Songs For The Front Row? é uma bela amostra do que podemos encontrar em Ocean Colour Scene e sua música. Pulando o primeiro disco inteiro, com uma grande pitada do melhor álbum dos caras ? ?Moseley Shoals? ? balanceado com uma boa dose de ?Marchin? Already?, traz também grandes pérolas dos outros dois discos. Resultado: um belo apanhado na sonoridade colorida e potente da banda. Porém, se você realmente quer entender porque estes caras deixaram o público inglês extasiado e louco, procure o álbum ?Moseley Shoals?, um dos melhores momentos do grupo registrado num disco super forte! Boa pedida.

Clique aqui e ouça a faixa ?The Riverboat Song?.


CHOCOLATE GENIUS | Godmusic

Sons difíceis de definir no primeiro instante, bandas um tanto esquisitas, ou cantores que Lenny Kravitz e Eagle-Eye Cherry gostariam de ser… Tudo está presente aqui, em nossa Coluna Semanal. Neste recente lançamento da Sum Records encontramos tudo isso e mais um pouco!

?Godmusic? é o segundo álbum de Chocolate Genius e tenha certeza que este disco nos remete para além do que a palavra ?música? pode nos oferecer. Belíssimo! Na verdade, Chocolate Genius é conhecido como Mark Anthony Thompson, no começo da faixa ?My Endless Fall?, uma pessoa do Departamento de Polícia de Los Angeles procura por ele, preste atenção. O som é gostosamente inclassificável!

Quando você acha que a coisa vai ficar bem normal, os samplers de roncos e zumbidos entram em cena e acabam se misturando às bases bem Rhythm & BLues e nos surpreendem de maneira entusiástica. Qualidade excepcional nos arranjos, em composições vocais bem diferenciadas, criando climas altamente espaciais e atmosféricos. Acentuadas melodias de piano se misturam de forma magistral a uma gama percussiva bem texturizada, buscando bases vocais muitas vezes quase que sussurradas.

A doideira não para por aí. ?Godmusic? tem uma estranheza bela, que faz com que nos apaixonemos logo de cara! Nomes incríveis fazem companhia a Thompson, caras como Marc Ribot e Chris Whitley nas guitarras e Chris Wood no baixo. Misturas adversas, muito bem perscritas, em total controle. Saiba que este disquinho é de certa maneira bem controlado em alguns momentos e deliciosamente maluco em sua maioria. Já tem lugar na minha prateleira como álbum preferido!

São canções como ?My Endless Fall?, a psicodélica ?Bossman Piss (in my lemonade)? e ?Glorious? que fazem deste disco uma preciosidade. De uma forma geral, a mensagem passada por ?Godmusic? é bastante positiva, com altos índices de ironia. Preste atenção nas letras e encontre boas sacadas. Minha faixa preferida é a que fecha o disco ?Godmusic?. Ah! Tem uma faixinha escondida depois desta última música.

As fotos do CD são maravilhosamente bem trabalhadas, além do encarte bem caprichado com as letras para todo mundo acompanhar e entender um pouco mais daquilo que o Chocolate Genius quer nos passar. Discão bacana, cheio de detalhes que fazem a diferença. Lançamento de peso, com certeza impulsiona o nome de Chocolate Genius para o topo, sem data de descida! Muito bom!

Clique aqui e ouça a faixa ?Glorious?.


JANUARY | I Heard Myself In You

Lançamentos M A R A V I L H O S O S esta semana! Mais uma pedrada digna de destaque. Algumas descrições clamam diferentes caminhos para a voz de Simon McLean, que também toca as guitarras acústicas e elétricas do disco ?I Heard Myself In You? do January. Alguns críticos vomitam comparações imprecisas, como a união de vocais suavemente sussurrados como se o vocalista da banda Low (Alan Sparhawk) encontrasse Nick Drake. Outros dizem que os vocais harmoniosos se parecem com os de Gerard Love, do Teenage Fanclub, ou mesmo os de seu companheiro de selo, Daniel Wylie, do Cosmic Rough Riders (confira a coluna da semana passada).

Entretanto, a imprecisão das informações só serve mesmo para atrapalhar nossas cabeças. O que deveríamos procurar não é a comparação entre algo já existente, e sim, apreciar a intenção ao compartilhar tão boas referências musicais! A ressonância é magnética, existe algo de sombrio e misterioso no ar. Com raízes fincadas no chamado movimento shoegazer do início dos anos 90, o January traz lindos momentos de guitarras numa atmosfera saturada de efeitos, até mesmo em ondas bastante calcadas no folk. Colidindo violões de 12 cordas com verdadeiras paredes de distorção, imprime características inovadoras e harmoniosas ao conjunto final.

Esta mistura de folk com space rock (rótulos malditos), nos traz paz de espírito e viagens bem longas para dentro da sonoridade escutada. Experimente colocar o disco do January no seu CD Player e apreciá-lo com fones de ouvido. Comece fechando os olhos e escutando a faixa de quase 9 minutos ?Falling In?, que é perdidamente extasiante e pertubadora! Gosto das experiências em ?All Time?, ?Invisible Lines? e na inconstante ?Sequence Start?, além da faixa na seqüência ?Eyes All Mine?. Muito foda!

Saiba que a busca frenética por boas canções é infinita. ?I Heard Myself In You?, do January, rompe barreiras em direção ao inusitado e ao belo. O disco como um todo vem em uma levada bem relaxada, chega até ser bem melancólico, mas tem seus momentos absurdamente enérgicos. Possivelmente, um novo álbum pode pintar aí por este ano de 2002, vamos esperar para ver… confesso que estou bem ansioso!

Clique aqui e ouça a faixa ?Through Your Skies?.


THE MONTGOLFIER BROTHERS | Seventeen Stars

Não sei nem por onde começar… o disco é excelente em todos os sentidos. Letras, arranjos e harmonia. Naturalmente flui de seus tímpanos para cair diretamente em seu cérebro, fazendo deste caminho uma sofisticada viagem! The Montgolfier Brothers é um duo lá de Manchester (ô terrinha cheia de bandas boas), que se apropriaram do nome dos pioneiros do balonismo francês para fazer um som altamente trabalhado. Alguns chamam de ?chamber pop? (algo como pop de câmara), em uma referência direta ao ?chamber jazz? (jazz de câmara).

Mas que diabos é este tal de ?chamber pop?? Nada além de um pop sofisticadíssimo, com toda a bagagem de cordas e instrumentos acústicos em primeiríssimo plano, fazendo com que o som nos traga relaxamento, melancolia e o sentimento de paz interior. O disco tem um certo charme europeu, calmo, consciente e muito chique! Para trazer uma referência aos leitores, lembram daquela banda/projeto This Mortal Coil, do magnífico selo 4AD? Então, é bem nesta praia. Ah! Sobre o selo, passaram por lá Pixies, Mojave 3 e Dead Can Dance, só para ir se familiarizando com o ?punch? da moçada aí!

?Seventeen Stars? é o disco de estréia dos caras. Porra! Imagine o que vem por aí depois deste emocionante lançamento. Difícil mesmo é destacar uma faixa para mostrar à vocês o gabarito deles. ?Even If My Mind Can?t Tell You?, ?Low Tide?, ?In Walks A Ghost?, ?Between Two Points? e ?Fin?, todas muito boas, criam ambientes sonoros de tirar o chapéu! Lançamento versão nacional Trama, lá do selo Poptones inglês. Com embalagem super chique, daquelas ?Tri-Fold Digipak?, sabe? Abre em três partes, de papelão e berço do CD em plástico. Uh lá, lá!

Vou fazer dos versos da canção ?Between Two Points? minhas palavras: ?…just let them walk all over you, laugh through the punches and the pain… let the life-blood drain away from you, they?re right you?re wrong…?! Em uma tradução bem livre: ?…deixe caminhar por tudo em você, sorria através das batidas e da dor… deixe escorrer de você o sangue da vida, eles estão certos, você está errado…?. Será? Maravilhoso, perfeito, preciso e imutável!

Clique aqui e ouça a faixa ?In Walks A Ghost?.


LAMB | What Sound

Desde sua formação, em 94, na cidade de Manchester, Inglaterra, fiquei apaixonado pela sonoridade do Lamb. Dizem que são filhotinhos de bandas como Portishead e do maluco do Tricky. Mas, acho que eles possuem uma sonoridade bem particular. Em 96, com o lançamento do primeiro álbum intitulado simplesmente de ?Lamb?, sua fama no meio não parou de crescer. O mais importante de tudo isso é a contundente evolução musical da dupla. Andrew Barlow como produtor e a maravilhosa voz de Louise Rhodes fazendo a química pegar fogo! Louise também fez bonito na faixa ?Azura?, de um dos meus discos preferidos do 808 State, ?Don Solaris?.

Agora, com o recém-lançado ?What Sound?, o Lamb vem definitivamente provar o que eu mais gosto de ver nas bandas: evolução contínua e progressiva! Com as ditas bandas meia boca, ou mesmo aquelas que são cópia das cópias, não encontramos tal evolução, essa melhora significativa! O cuidado que o disco recebeu transcende a aura eletrônica. As batidas em total harmonia com as linhas vocais estão absurdamente bem trabalhadas. Duetos hipnotizantes mostram o comprometimento do Lamb em fazer música e torná-la cada vez mais interessante!

Dá para perceber que o disco está estonteante mesmo. Não é exagero de minha parte… passe em uma loja e dê uma conferida! Ouça com bastante atenção, as faixas são bem diferentes umas das outras, mas existe uma veia mestra, condutora de todas as sonoridades! Destaque para a canção de abertura ?What Sound? com maravilhosos arranjos de cordas, além das incríveis ?Scratch Bass? e ?Heaven?, sem esquecer da belíssima ?Gabriel?. Ah! Faixa escondida lá pelos 13 minutos da última música.

Olha, para quem já gostava do Lamb este disquinho acrescenta qualidade na coleção iniciada lá em 96, com ?Lamb?. Depois, na seqüência, ?Fear Of Fours? veio engrossar um pouco o caldo, mas, ?What Sound? decisivamente abre campo para uma excelente viagem ao mundo eletrônico de batidas apaixonantes. Para quem não conhecia, está aí um ótimo trabalho de um dos grupos mais inventivos dentro da eletrônica atual!

Clique aqui e ouça a faixa ?Gabriel?.


VÁRIOS ARTISTAS | Do You Know House? ? Volume One

Para quebrar um pouco a levadona com bandas cheias de elementos acústicos, guitarreiras puras, vocais sussurrados, efeitos e etc, vamos arrebentar sua casa com uma coletânea prá lá de essencial: ?Do You Know House? ? Volume One?. Como dito no próprio encarte do CD ? ?Por favor, manuseie este disco com o cuidado e respeito que ele merece, obrigado!?. Muito antes da House Music existir, a loja Dance Tracks, lá de Nova York, já havia se estabelecido, fazendo fama pelo mundo afora. Os DJs de plantão entenderão o que falo aqui.

Com milhares de ramificações, a House Music, em geral, caminha de forma paralela aos grandes e pequenos selos da cena, fazendo, portanto, história na música dançante do planeta. O objetivo do disco ?Do You Know House? ? Volume One? é contar uma história quase que geográfica sobre as imensas influências que a House Music desprendeu através dos tempos. Ele não se atreve a contar a história de forma definitiva, mas como foi experimentada, através das memórias dos compradores e das vendas da loja pelos anos afora.

Passando por inúmeros lugares e muito antes da mídia falar dos movimentos fenomenais, chamados mais tarde de ?raves?, muitos produtores ingleses estouraram as cabeças e contribuíram para este som da House Music. ?One Kiss?, por exemplo, é a cooperação de dois desses produtores consagrados. A Escócia também tinha uma cena fortíssima e vibrante e ?Harry? e ?Sub Club? foram sinônimo de House em sua época. De lá saíram selos como Glasgow Underground, Sol Music e muitos outros. Na levada ?Funk de Fino? virou ?cult underground? na hora!

Chicago é considerada a segunda cidade mais importante na América, é berço da cena eletrônica americana e aclamada também por sua fama de ?criadora? do Techno em sua forma mais pura. Não é para menos. Terra natal de caras como Carl Craig, Kevin Saunderson, entre outros. ?Starlight?, de Juan Atkins, um dos pioneiros do Techno, obteve a segunda melhor venda de discos da Dance Tracks. A viagem vai imprimindo velocidade e você vai se perdendo em meio a tantos clássicos. ?Let Me Love You? na voz de Shanan se tornou hino da loja, lá nos idos anos 90.

É nesta levada que Stefan Prescott, dono da loja Dance Tracks, compila e mixa todas as faixas deste disquinho excelente. ?Do You Know House? ? Volume One? é um delicioso passeio através de muita história, calcada em importantes selos, nomes e personaliades da cena. Se você quer entender um pouco mais sobre a House Music, corra atrás deste álbum importantíssimo! Uma verdadeira lição de vida, voltada essencialmente para a música dançante, de raiz, não aquela ?sem vergonhice? que ouvimos por aí!

Clique aqui e ouça a faixa “Techno Powers” de A Man Called Adam.

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