
Se eu tivesse que escolher algum momento na história do Uruguai para apontar um futuro campeão mundial do país, o momento seria agora e o atleta seria Nicolás Malet, apelidado de ?Supernico?.
O garoto praticamente não sabia caminhar e já surfava com o pai. Com um ano de idade, Nicolás pediu para acompanhá-lo e o pai Juan o levou no bodyboard.
Pouco tempo mais tarde, ele ficava em pé num funboard e agora, cinco anos depois, tem seus patrocinadores e vence atletas com dobro de sua idade.

Nascer com a prancha embaixo dos pés não é comum no Uruguai. É bem mais normal ver as crianças com a bola de futebol nos pés.
Pela primeira vez na história do país aconteceu que um menino, com um ano de idade, encantou-se com uma prancha.
Dos três aos cinco, sentiu-se à vontade no oceano e, aos seis, mandava boas manobras e descolou patrocínio de roupas, prancha, neoprene e quilhas.
Chegados os seis anos, já com uma prancha personalizada, mais uma vez foi de férias para Florianópolis, litoral sul de Santa Catarina. O garoto surfava com o pai e no final da sessão um cara se aproximou da dupla.
Era o Guilherme Almeida, da Upon Surfboards, quem tornou-se amigo da família Malet. Ele perguntou a idade do menino e não acreditou quando soube que o pequeno tinha apenas seis anos e já mostrava aquela habilidade. Nico também acertou parceria com a Extreme Fins.
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Eles concordaram em se encontrar no dia seguinte para ir à fabrica de pranchas e começar uma parceria.
Em algumas semanas, Nico já tinha suas duas primeiras pranchas de graça e Guilherme aconselhou Nico e ele evoluiu ainda mais.
Voltou para Uruguai e competiu na primeira etapa do circuito nacional, estreando na categoria ?Mini? sem encontrar ninguém de sua idade.
Com isso, ele competiu na Cadetes (Sub-14) e ficou em primeiro numa bateria de cinco surfistas.

Logo depois, mais uma vez voltou para Brasil e Guilherme tinha preparado tudo para que o menino ficasse três dias com os irmãos brasileiros Luan e Cauê Wood.
Foram dias de amizade e mais evolução para Nico. Mais uma vez, a casualidade esteve ao seu lado.
Em outro dia, depois de uma sessão nos Ingleses, ele saiu da água e o cunhado do Netão, chefe de equipe da Mormaii, viu o talento do moleque e ficou impressionado com sua performance.
O Netão se reuniu com o pai de Nico e depois de um encontro decidiu patrociná-lo. Nico, Supernico ou a Formiga Atômica ? como a revista Mareas o chamou em uma de suas edições – já fez mais em sete anos do que muitos outros surfistas uruguaios em toda sua história.
Ele foi o último Pirralhos, da revista Fluir, conquistou espaço no Jornal Solto e uns segundos de fama na TV no programa Gravedad Zero, da ESPN.
O menino é uma grande novidade no Uruguai. São muito poucos os surfistas patrocinados no país e nenhum deles tem menos de 10 anos.
Agora Nico esta indo para escola, jogando bola e vivendo a vida de moleque como deve. Mas, fiquem atentos, tem um menino uruguaio que vai chamar sua atenção, se tudo continuar no caminho certo, com viagens e treinamento. É só questão de esperar para ver.