Hang Loose Pro Contest

Projeto une surf e cordel

O Hang Loose Pro Contest homenageia pelo segundo ano consecutivo o mestre da xilogravura e ícone da cultura nordestina José Francisco Borges, ou apenas J.Borges, como ele prefere ser chamado.

Aos 75 anos, J.Borges é um dos artistas mais expressivos do cenário nacional e leva ao mundo o universo cultural nordestino, dos costumes às lendas fantásticas em um incrível repertório de “causos” contados com visão bem humorada.

“No ano passado a comunicação visual foi um sucesso e recebeu muitos elogios. Optamos por repetir a dose e seguir mais um ano valorizando este expressivo talento da cultura nordestina”, diz Tom Toledo, diretor de arte da Hang Loose.

No segundo semestre de 2008, Alfio Lagnado, fundador da Hang Loose e colecionador de arte popular, visitou o ateliê de J.Borges acompanhado pela amiga Ana Maria, que intermediou o contato para a visita.

Repleto de paredes empoeiradas e abarrotadas de artes, o espaço está localizado à beira de uma estrada em Bezerros, no agreste pernambucano. Depois de tomarem uma garrafa de cachaça “Pau Dentro” e fecharem alguns negócios, surgiu a ideia de celebrar o décimo ano de evento na ilha com a arte do folclórico J.Borges, que aceitou de bate pronto o convite e sugeriu comemorarem a parceria saboreando carne de cabrito em um restaurante de beira da estrada.

“Enquanto esperávamos a refeição, peguei um guardanapo e desenhei uns garranchos com elementos de Noronha para ele ver. J.Borges ainda brincou e disse: ‘Depois dizem que eu é que desenho mal’. Ele usou a fértil imaginação para retratar o cenário, pois não tinha nenhuma referência do local”, explica Alfio.
 
A partir daí, J.Borges deu asas à imaginação e criou a imagem que originou o cartaz, palanque e toda a comunicação visual do Hang Loose Pro Contest.

Nascido no povoado de Piroca, Bezerros (PE), J.Borges é filho de agricultores e, aos oito anos, já empunhava a enxada. Foi para a escola só aos 12 anos, mas a frequentou por apenas dez meses. “Resolvi sair pela vida”, comenta o artista.

Foi marceneiro, mascate, pintor de parede, oleiro e confeccionou cestos de balaio para vender na feira local. Na adolescência, trabalhou com o jogo do bicho, fabricou lajes e tijolos e confeccionava móveis de brinquedo. O processo artesanal da produção de cordéis e um talento peculiar para criar xilogravura fazem dele o maior gravador popular do Brasil.

Consagrado pela criação de um estilo próprio, o artista demonstra uma extraordinária capacidade de interpretar criativamente o imaginário nordestino.
 
Graças aos folhetos de cordel, J.Borges fortaleceu o gosto pela escrita. Aos 20 anos (em 1954), juntou uns trocados e comprou cordéis de outros escritores para vender nas feiras. Ele também escrevia os próprios versos, mas mantinha-os às escondidas, por vergonha.

Em 1964, aos 29 anos, enfim publicou sua primeira obra: O Encontro de Dois Vaqueiros no Sertão de Petrolina. Ele costuma dizer que esta publicação lhe rendeu cinco “milheiros de muita sorte”. Animado com o resultado, escreveu o segundo cordel: “O verdadeiro aviso de Frei Damião Sobre os Castigos que Vêm”, que o conduziu pela primeira vez à técnica do entalhe.
 
A principal arte de J.Borges não são os versos, e sim a xilogravura. E ele descobriu isso por acaso. Sem dinheiro para comprar as chapas de zinco que serviam de base para a confecção das capas dos cordéis, pegou um pedaço de imburana e talhou a fachada de uma igreja, dando início à carreira de xilogravador.

O desenho estampou a capa de seu segundo trabalho e ele seguiu colocando na madeira o ideário sertanejo: o diabo, Lampião, prostitutas, vaqueiros, festas de São João. No total, lançou mais de 200 cordéis ao longo da vida. A partir de 1970, J. Borges começou a receber pedidos para ampliar seus trabalhos em preto e branco. “Não sabia por que aquele povo da cidade queria tanto meus desenhos ruins”, lembra J. Borges.
 
As obras chegaram até ao escritor Ariano Suassuna, que virou seu padrinho e o considera o melhor gravador popular do país. A partir daí, os trabalhos passaram a circular nos meios acadêmicos e artísticos, que antes viam com desdém a xilogravura. As ilustrações de J.Borges estamparam capas de discos e livros, como “As Palavras Andantes”, do escritor uruguaio Eduardo Galeano e gravuras suas foram usadas na abertura da telenovela Roque Santeiro, da Rede Globo.

J. Borges também foi condecorado com a comenda da Ordem do Mérito pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, recebeu o prêmio UNESCO na categoria Ação Educativa / Cultural. Em 2002, foi um dos 13 artistas escolhidos para ilustrar o calendário anual das Nações Unidas. Sua xilogravura A Vida na Floresta abre o ano no calendário.
 
Pro Contest estrelado O Hang Loose Pro Contest reúne os principais atletas do circuito mundial nas tubulares ondas da Cacimba do Padre, em Fernando de Noronha (PE) entre 2 e 7 de fevereiro.

Realizada pela décima primeira vez no arquipélago, a competição é a única no Brasil com status “prime location” – devido à excelente qualidade das ondas – e distribui 6.500 pontos ao campeão. Válida pelo ASP One Ranking, novo ranking mundial unificado da Association of Surfing Professionals (ASP), a prova tem ainda nível seis estrelas e US$ 145 mil de premiação total.
 
A nova tabela de pontos da entidade soma os oito melhores resultados de cada atleta na temporada, inclusive dos tops 45. O niteroiense Bruno Santos defende o título da competição, que acontece pelo vigésimo quarto ano consecutivo.

O Hang Loose Pro Contest conta ainda com nomes de peso como o campeão mundial de 2001, CJ e seu irmão Damien Hobgood, ambos integrantes do Dream Tour da ASP.  Também marcam presença novatos do  World Tour, como o tahitiano Michel Bourez, o norte-americano Brett Simpson, o potiguar Jadson André, entre outros.
 
Preocupação ambiental Fazer o campeonato em uma Área de Proteção Ambiental (APA) requer uma série de medidas e cuidados por parte da organização, resultando em um evento totalmente diferenciado.

Erguido em palafitas, o palanque abriga apenas a comissão técnica, sendo que a estrutura conta ainda com duas torres de transmissão para internet. “Para termos as melhores ondas do Brasil, tivemos que nos adaptar em parceria com os órgãos ambientais (Tamar e Ibama)”, comenta Alfio Lagnado.
 
Além de palco da competição, a Cacimba do Padre também é uma área de desova de tartarugas. Para não atrapalhar os répteis, a lona do palanque é produzida em tons que não ofuscam a visão dos animais e a permanência na praia só é permitida até as 17 horas (horário em que começa a desova).
 
A estrutura da competição sai cerca de duas semanas antes do início do evento de São Paulo, de onde segue de caminhão até Recife (PE). De lá, é embarcada em um navio, no qual permanece mais três dias até chegar a Noronha. Depois, com ajuda da mão-de-obra local e acompanhamento de órgãos ambientais, como Tamar e Ibama, tem início a montagem do palanque.
 
Com patrocínio exclusivo da Hang Loose, a décima primeira. edição do Hang Loose Pro Contest em Fernando de Noronha conta com importante parceria do Governo do Estado de Pernambuco (por intermédio da Empetur – Secretaria de Turismo) e Administração de Fernando de Noronha, Instituto Chico Mendes, Projeto Tamar, Tecnologc, Napali Rib Diamanti. Co-patrocínio: lojas Overboard, Bleat, Central Surf, Sthill, Tent Beach, Uluwatu, WQSurf, Planeta Surf, Hot Water, Surf Store e Ecológica. Homologação: ASP South America. Apoio: Federação Pernambucana de Surf, Associação Nordestina de Surf (ANS), Gráfica Formags, Fluir e Waves / Terra.

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