Problema mundial, solução brasileira

Vazamentos não são o único risco que os navios oferecem ao ecossistema marinho. Quando aportam em seu destino, enchem seus porões com a água do litoral onde se encontram. Esse mecanismo, chamado água de lastro, serve para estabilizar o navio e evitar que ele se parta na viagem de volta.

 

Mas, por que isso se torna um risco para o meio ambiente marinho? O problema dos reservatórios é que, além da água, eles carregam microorganismos e espécies da fauna e da flora de uma região para a outra, o que provoca um grande desequilíbrio ecológico.

 

O que a natureza e a seleção natural das espécies levaram milhares de anos para construir e separar, o homem desorganiza em questão de dias. O problema é considerado tão grave que órgãos de vigilância sanitária de todo o mundo e até a Organização das Nações Unidas (ONU) buscam soluções para a questão.

 

Um organismo transportado de uma região para a outra, se não encontrar predadores, reproduz-se rapidamente e passa a competir com espécies locais por alimento. Além disso, a água de lastro também pode disseminar diversas doenças. Alguns pesquisadores crêem que foi a água de lastro a causadora de várias epidemias de cólera ao redor do globo.

 

Para solucionar o problema, a Organização Marítima Internacional (OMI), órgão da ONU, vem realizando uma pesquisa em portos e baías do Brasil, China, índia, Irã, Ucrânia e África do Sul. O objetivo é avaliar os prejuízos causados pela água de lastro aos ecossistemas e à saúde das populações. Uma das metas já alcançadas foi a maior fiscalização sanitária nos portos.

 

Mas uma das mais eficientes medidas para diminuir os danos da água de lastro vem do Brasil, onde o problema é estudado há anos. Em 96, durante reunião do Comitê de Proteção ao Meio Ambiente (vinculado à OMI), pesquisadores brasileiros apresentaram uma possível solução para os problemas.

 

Trata-se de um método desenvolvido por engenheiros da Petrobras no qual a água dos reservatórios é constantemente substituída durante o trajeto do navio, evitando a interferência de espécies vivas e de poluição de um ecossistema para o outro. Após ter sido testado pela OMI em 2000, a solução brasileira passou a ser considerada referência internacional. Mas a questão está longe de ser resolvida.

 

Cerca de 95% do comércio exterior do Brasil acontece por via marítima, mas apenas 10% dos navios são nacionais. Por isso, a solução não pode ser de apenas alguns governos, precisa ser colocada em prática por todo os países que realizam o comércio marítimo…

 

Os governantes são muitos. Mas o planeta é um só.

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