Cada um pensa de uma maneira, e eu, no momento, e acho que até o dia da minha morte, sempre vou querer (cada vez mais) que o surf moderno, recheado de aéreos e manobras mais difíceis de entender, seja o centro das atenções no mundo do surf.

 

A mentalidade dos “sábios” do esporte neste país me parece demorar um pouco para assimilar a real situação do surf brasileiro e não incentiva, nem um pouco, a nova geração e até a velha a tentar evoluir nas manobras e levar o surf nacional para o próximo level, quando nós mesmos iremos criar as manobras e não só os americanos, como acontece há tempos.

 

Incentivo é o mínimo necessário para os poucos aerialistas nacionais. Algum tipo de evento específico para a modalidade já seria uma grande força, como demonstrações, como no skate, ou algo do tipo, desde que atraia um bom público.

 

Em campeonatos, por exemplo, muita gente prefere ver expression sessions do que o próprio campeonato… Já vi carinha deixando de ir comer pra ver uma expression. Assim como eu, acredito que muitos surfistas estão cansados de ter que ver vídeos gringos de surf pra se atualizar nas manobras e tentar uma na próxima queda.

 

Eles são muito superiores quando se fala de modernidade nos aéreos, estão anos-luz à nossa frente e parece que a mídia e o pessoal relacionado a ela não caiu na real, pois nunca fala sobre isso, ou fala besteira.

 

Sei que o mercado de vídeos no Brasil ainda está crescendo e poucas pessoas podem viver disso atualmente, tornando mais difícil o acesso a esse tipo de surf. Mas seria um sonho poder comprar vídeos nacionais com o mesmo nível dos gringos (tô falando de surf acima do lip).

 

Não vejo a hora de ver o Lombrô 3, esse vídeo promete e acho que está cheio de manobras técnicas nele (assim espero). Quem sabe após esse, algum produtor (ou até mesmo o Rafael Mellin) não vem com a idéia de lançar uma coisa no estilo daqueles vídeos de skateboard da 411vm (www.411vm.com).

 

Pra quem nunca ouviu falar entre no site e dê uma fuçada lá que tem bastante coisa. Já está na edição #55 ou #56 se não me engano, é como se fosse uma revista em vídeo (vídeo magazine). E agora a 411 já está fazendo filmes de surf (411SFVM), já existe as edições #1 e #2 por enquanto, e acredito que a #3 será lançada logo mais.

 

Temos um nível bom de atletas que mandam uns vôos nesse país, mas não é só isso que precisamos, e sim voar alto e com grabs, flips, varials, e outras variações… Pode parecer meio complicado, mas não é tanto, desde que haja muita força de vontade e persistência em tentar completar essas manobras, se os gringos conseguem, porque nós não conseguiríamos chegar ao menos próximo a eles? O principal ingrediente pra mandar aéreos é onda boa pra voar, ou seja, quase todo o tipo de beach-break, e no Brasil tá cheio de vala pra voar.

 

Só falta mais apoio pros aerialistas, acreditar mais em si e não dar bola pro que vier de negativo contra você. Aí, após um certo tempo, teríamos a chance de mostrar pra esses americanos metidos que nós podemos “quebrar” tanto quanto eles. Só que esses “tricksters” brasileiros são pouco conhecidos ou surfam em praias desconhecidas e distantes dos lugares mais freqüentados pela mídia e patrocinadores, o que conseqüentemente atrasa a evolução do surf aéreo no Brasil.

 

Espero que algum patrocinador realmente importante esteja lendo isso e tome alguma providência, porque dinheiro e condições, acho que esses caras têm. É foda ter que esperar marca gringa chegar aqui para as portas se abrirem. Falo da …Lost Enterprises que, no caso, que fez o primeiro air show em atmosferas brasileiras.

 

As marcas brasileiras deveriam começar a fazer uns campeonatos de aéreos. Se falta dinheiro eu não sei ao certo, mas se desse onda no dia do campeonato teriam um ótimo retorno, com certeza. Os aerialistas e todos os picos bons pra mandar aéreos não podem ser esquecidos tão facilmente e espero que no futuro ou em breve alguém possa viver desse tipo de surf que eu tanto defendo.

 

Tenho certeza que um dia vai existir um circuito mundial só disso, e quero poder ver um brasileiro em primeiro lugar antes de morrer. Está parecendo que minha missão é envenenar suas mentes com a “síndrome das manobras futuristas” (inventei agora, mas tá valendo), que um dia nos levará há algum lugar, e por isso vale a pena.

 

Agora só me resta esperar pessoas mais importantes começarem a fazer alguma coisa. Minha parte eu já fiz e continuo fazendo. Porque até o windsurf, que é muito menos popular que o surf, está evoluindo mais rápido – e essa é a dura realidade do surf brasileiro. Demora muito pra evoluir. O porquê disso eu precisaria de outra matéria pra explicar.

 

Uma última coisa, leitores, eu estou falando de aéreos e em ondas brasileiras, não me venha falar que o Brasil já está no mesmo nível dos gringos por causa dos big riders Burle, Resende e outros. Lembre-se que eu não estou falando de town-in e nem de surf em ondas gigantes, que pra felicidade de muitos os brasileiros estão representando bem pra caralho.

 

Espero que tenham entendido tudo isso que eu escrevi. Qualquer dúvida, crítica ou seja lá o que for, mande para o polêmico fórum e então eu vejo se vale a pena responder. E sobre os erros de português, ahh! Isso é normal, nem adianta criticar porque eu não nasci pra estudar mesmo. Bons aéreos para quem sabe, e boas tentativas para quem não sabe. É isso aí! Até a próxima.

“United We Stand Tall, Divided We Will Fall”

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)