
Surfar Pipeline pela primeira vez é algo inesquecível para qualquer surfista. Todas as histórias, lendas e tubos que rondam esse pedacinho de reef deixam qualquer um adrenalizado quando está para encarar a rainha do North Shore.
E essa proporção aumenta e muito para garotos de apenas 11, 12 e 14 anos de idade, acostumados com nossas lindas praias de fundo de areia e boas ondas, porém pequenas comparadas à potência de Pipe.
E foi justamente isso que Cauê Wood, Julio Terres, Santiago Muniz e Victor Borges sentiram ao conhecer de perto um dia clássico em Pipeline.

Os garotos estão hospedados na casa alugada pela Mormaii no North Shore e, depois de uma boa conversa na noite da última segunda-feira, ficou combinado que no dia seguinte eles enfrentariam um dos maiores desafios de suas vidas.
É claro que pensamentos como o de Victor, “Como estaria o mar, que tamanho, será que vou conseguir pegar algum tubo?”, rondaram a cabeça de todos durante a noite inteira.
Mas tenho que confessar que fiquei surpreso com a atitude da garotada. Na terça o mar amanheceu nervoso, com ondas de 8 a 10 pés varrendo o outside desde o segundo reef, explodindo com a força e os tubos de sempre.

Apesar do crowd tradicional, bastou uma olhadinha de 15 minutos para todos estarem prontos, com suas “gunzeiras” e, ao lado de Morongo, caminharem ao ponto onde se entra no mar.
Eu fiquei apenas observando e alerta a qualquer vacilo, enquanto os garotos partiram ao outside com uma vontade que me assustou. Em poucos minutos já estavam no canal, que segundo eles nunca tinha visto nada igual.
“Os tubos são muito grandes”, disse Santiago. “A onda é muito animal”, alertou o pequeno Cauê.

Resolvi então entrar na água e ver de perto como estavam aqueles garotos que, para mim, se transformaram em heróis, pois conheço muitos surfistas que já vieram ao Hawaii e nunca entraram em um mar como esse.
Quando passei a arrebentação vi Morongo saindo. Ele me pediu para levá-lo ao hospital, com um corte muito profundo na mão que ele nem sabe como aconteceu, logo na primeira onda. O corte lhe rendeu cinco pontos internos e nove externos.
Dei uma atenção rápida a ele e resolvemos que o melhor era eu ir para a água cuidar dos meninos enquanto ele se virava. Quando cheguei no outside, a molecada vibrava a cada tubo e morria de rir a cada vaca.
Eu senti que estavam realmente curtindo, viajando, se realizando por assistir um dia clássico dentro da água, com os melhores do pico entubando fundo. Realmente o visual era animal.
Eles me pediram para pegar um tubo daqueles, pois queriam ver. Que desafio, hein? Parti para o pico deixando Pedroca, professor de yôga, responsável por eles. Mas, não era meu dia e eles caíram na gargalhada, pois minhas duas primeiras ondas foram duas vacas de tirar o fôlego.
Depois foi a vez de eles enfrentarem o medo e surfar as primeiras ondas. Victor foi o primeiro, depois foi a vez de Julio e todos começaram a surfar as “ondinhas” que rolavam no canal.
No final da sessão todos saíram de cabeça feita. Para eles e para mim, um dia inesquecível. Quem sabe não está entre eles nosso campeão mundial no futuro?
Aloha.
Confira a galeria de fotos da session em Pipeline.