EVENTO SERÁ MARCADO POR MANIFESTAÇÃO PELA PAZ MUNDIAL

 

Durante o Oxbow Pro de São Sebastião, que ocorre entre os dias 20 e 25 de maio de 2003, haverá uma cerimônia de “Manifestação pela Paz”, conclamando todos os atletas, mídia e público presentes ao evento, para formar nas areias de Maresias, utilizando seus pranchões, as palavras PAZ, PAIX e PEACE, em português, francês e inglês respectivamente. Inicialmente esta manifestação está prevista para a tarde do dia 24 de Maio, Sábado, mas poderá ser realizada em outro horário, definido pela ASP, de acordo com o cronograma da competição, que tem como prioridade a realização das baterias nas melhores condições de ondas encontradas durante os seis dias do período de espera.

 

DEMONSTRAÇÃO DE SURF FEMININO

 

A ASP ainda não formou o WLT (World Longboard Tour), na categoria feminino, mas durante o Oxbow em São Sebastião ocorrerá uma competição de demonstração da modalidade. A princípio o cronograma prevê a participação de 14 atletas, mais duas convidadas pela Oxbow.

 

HISTÓRIA DOS MUNDIAIS DE LONGBOARD

 

O nascimento do surf profissional organizado se deu em 76, quando foi concebido o primeiro Circuito Mundial de Surf, com etapas em vários países. A ASP, órgão que governa o surf mundial até hoje, foi criada em 83 e a partir do ano de 86, com o crescente regresso dos pranchões ao cenário internacional, competições de longboard começaram a ser incluídas junto com algumas etapas do World Tour. No primeiro ano que isso ocorreu o australiano Nat Young, um dos maiores responsáveis pela revolução que mudou o surf no final dos anos 60, transformando os longboards em pranchinhas, provou ser o mais competitivo surfista da modalidade.

 

Nat havia sido campeão do mundo em 66, quando nem haviam pranchinhas ainda, o campeonato de âmbito mundial que ocorria naquela época era o World Contest, hoje transformado no Mundial Amador da ISA. Esse campeonato ocorria a cada dois anos e embora Nat fosse o favorito dois anos depois (68), em Porto Rico, utilizando pranchas bem menores (8 pés), que já faziam parte do início da Shortboard Revolution, o vencedor daquele World Contest em Porto Rico acabou sendo o havaiano, Fred Hemmings, que ainda utilizava tradicionais pranchões de mais de 9 pés. A partir dos anos 70 Nat Young se retirou do cenário competitivo, mas nunca deixou de mostrar sua categoria, com pranchas de qualquer modelo.

O longboard nunca desapareceu de vez em lugares como Austrália, Califórnia e Makaha, em que point breaks perfeitos convidavam para a prática da modalidade. Em lugares de ondas mais radicais, como o North Shore de Oahu, eles praticamente sumiram. Aqui no Brasil também eram raríssimos os surfistas que ainda praticavam o pranchão. Vinte anos após sua vitória em San Diego, no World Contest, Nat Young provou que ainda era o melhor do mundo e exceto pela vitória de seu compatriota, o habilidoso Stuart Entwistle, que venceu o circuito em 87, Nat dominou o cenário da clássica arte dos pranchões, até a virada da década de 90, tornando-se tetra campeão da modalidade, um recorde que ainda não foi superado.

 

O BRASIL ENTRA EM CENA

 

O Brasil logo entrou no cenário do longboard mundial. Quando o Circuito Abrasp foi criado, em 87, já foram incluídas competições de pranchão. Em 88 o Sundek Classic, de Ubatuba, foi uma das etapas do Circuito Mundial, Nat Young, o eventual campeão e Stuart, vieram surfar em Itamambuca. Nat vencia as competições utilizando uma abordagem sólida, com manobras definidas e muito bem executadas. Stuart era um malabarista, muito ágil, passeava com desenvoltura até o bico, tendo como marca registrada um hang five no qual girava o pé no bico da prancha, apoiando só as pontas dos dedos e deixando o calcanhar pendurado para fora do bico, ficando de costas para a direção que a prancha ia, por um bom tempo.

 

Neste ano de 88, Rico de Souza havia sido vice-campeão no Mundial Amador de Porto Rico, no mês de fevereiro. Com a realização da etapa de Ubatuba, em julho, e correndo outras etapas na Austrália e Europa, Rico finalizou o ano também como vice campeão profissional da ASP. Hoje, aos 50 anos, Rico estará presente, competindo no Oxbow, em Maresias. Em 89 o melhor brasileiro no tour de longboard foi Alfio Lagnado, sétimo no ranking final, pois acompanhava Fabinho Gouveia em todas etapas em que havia competições de pranchão. A partir de 90 Picuruta Salazar entra na cena internacional do longboard. Começa disputando títulos com Nat Young. Em 91, se Picuruta não tivesse se enroscado numa interferência com Nat, na etapa de Hossegor, teria sido o campeão daquela temporada. Acabou como vice pela primeira vez. Com sua vitória no Alternativa, no Rio de Janeiro, a última etapa do ano, quase ultrapassou a pontuação do australiano Marty McMillan. Depois deste circuito em 91, o campeão da temporada passou a ser decidido em um único evento, patrocinado pela Oxbow, realizado a cada ano em um local diferente do planeta.

 

Durante os anos 90 Alex Salazar foi o grande expoente do longboard brasileiro, disputando títulos contra Rusty Keaulana na Ilha Reunião e contra Bonga Perkins nas grandes ondas de Guéthary, na França, chegou a marca de três vice títulos mundiais. Além de ter vencido o Mundial da ISA, em Portugal, no ano de 98, Picuruta tem em seu carte sete títulos da Abrasp na categoria longboard. Em 99, no Oxbow World Championship realizado na Austrália, foi a vez de Marcelo Freitas disputar a final contra Colin McPhilips e obter mais um vice para o Brasil. Colin, ao lado do havaiano Rusty Keaulana, possuí três títulos mundiais e são os atletas em atividade com mais chance de alcançar a marca do tetra de Nat Young. Em 2000, na Praia do Rosa, aconteceu um fato histórico, durante o último Oxbow World Longboard Championship, que decidiu em uma única etapa o campeão da modalidade, Beau Young, filho do lendário Nat, definiu uma dinastia de campeões, ao ser o primeiro filho de um campeão mundial a conquistar a mesma coroa do pai.

 

O Brasil ainda não tem nenhum título mundial da ASP no pranchão, na última temporada, o local do Guarujá, Amaro Matos, foi o melhor classificado, terminando o ranking em sétimo lugar, mas a temporada de 2002 não contou com nenhum evento válido em território brasileiro. Picuruta Salazar foi o segundo melhor classificado, terminando a temporada em décimo quarto no ranking. O formato atual, com seis etapas, duas no Brasil, aliado ao contingente cada vez mais afiado de longboarders tupiniquins, eleva nossas chances significativamente. Em 2003 podemos ter nossa grande oportunidade. E tudo começa com o Oxbow Pro Longboard Brasil, em Maresias, agendado para 20 a 25 de maio.

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