No último fim de semana, o site australiano Stabmag.com publicou uma reportagem sobre a ausência de um surfista na lista dos 100 atletas mais bem pagos do mundo publicada pela revista Forbes.
No início do texto, o autor Jake Howard cita Buster Posey, receptor da equipe de baseball do San Francisco Giants, como o último da lista. Ele recebe US$ 20,8 milhões por ano (17,8 milhões de salário e mais 3 milhões de outros rendimentos).
“Não há um único surfista na lista da Forbes, nenhum deles chega perto, e a questão é que nunca chegará”, publicou o site australiano.
Especula-se que o havaiano John John Florence seja o surfista mais bem pago do mundo, segundo a Stab, ganhando aproximadamente US$ 3,2 milhões por ano (Hurley, Monster, Stance, Futures, Spy, Pyzel, etc). Desde 2011, a sua média de premiações por ano na WSL é de US$ 260 mil.
Nota da redação – Vale ressaltar que a grande maioria da mídia especializada estrangeira não tem muitas informações sobre os valores dos contratos do fenômeno Gabriel Medina com empresas de outros segmentos.
“Sem dúvida é muita grana, mas não é o dinheiro de Buster Posey, e certamente não é o de Cristiano Ronaldo. A estrela do futebol arrecadou um total de US$ 88 milhões no ano passado e está no topo da lista”, escreveu o autor da matéria. “A estrutura do surfe profissional garante que nenhum surfista nunca vai ganhar um salário como Buster ou Cristiano, mesmo nesta nova era da WSL. E o dinheiro da premiação não chega perto se comparado a esportes como o golfe ou tênis”, continuou o site.
Kelly Slater, o surfista mais vitorioso em 25 anos de tour, ganhou US$ 3,8 milhões em prêmios na carreira. Em comparação, o lucro líquido de Tiger Woods na carreira fica na casa de US$ 1,3 bilhão.
A Stab citou ainda exemplos de atletas que estão chegando ao tour. Segundo o site, um novato na NFL recebe US$ 435 mil, enquanto na NBA ganha US$ 525 mil por temporada. “Nenhum estreante no World Tour faz meio milhão de dólares em um ano, nem mesmo Jack Freestone”, afirmou Jack Howard.
Alguns surfistas complementam suas rendas através de outros negócios. Em 2014, a Forbes divulgou que Kelly Slater tinha planos de vender suas 73.500 ações da GoPro (recebidas em ações promocionais e consultorias). A venda foi estimada para compor 35% da sua atual posição na empresa, e depois dos impostos ele sairia com US$ 1,1 milhão. “Isso é aproximadamente a renda que LeBron James (jogador de basquete) ganha semanalmente em seus contratos publicitários”, citou a Stab.
Segundo a Stab, há uma estimativa de 3,3 milhões de surfistas nos Estados Unidos. Enquanto isso, existem cerca de 25 milhões de praticantes de golfe nos EUA. “Tradução: você pode vender muito mais camisetas de golfe do que camisetas de grandes marcas de surfe só por conta de um logotipo”, escreveu o autor da matéria.
Ainda de acordo com o site australiano, desde que as coisas se complicaram na indústria do esporte, há cerca de 5 anos, os orçamentos de marketing para apoiar as estrelas do surfe nunca foram recuperados.
“As lojas de surfe estão apostando mais e mais na venda de bens duráveis (pranchas, quilhas, cordinhas, roupas de borracha) para promover seus negócios. Então, sim, os dias da camisetas caras por conta de um logotipo se foram e isso causa impacto no que algumas estrelas do surfe ganham.
E enquanto a WSL tem atraído mais dinheiro de grandes empresas como a Jeep e a Samsung, apenas 1% de 1% tira proveito desses negócios. E mesmo que Gabriel Medina seja muito grande no Brasil, ele não vai chegar perto de ganhar o mesmo dinheiro de um patrocinador de carro como a Jeep se comparado a alguém como Neymar Jr.”, opinou Jake Howard.
Para finalizar, o autor da matéria faz uma ironia: “No fim das contas, não fique triste por esses caras, poderia ser pior… eles poderiam ser fotógrafos de surfe”.