Michael Rodrigues

Premiação questionada

Michael Rodrigues questiona regra da Federação Cearense depois de vitória em etapa do circuito estadual profissional. Foto: Lima Jr.

Segundo Michael, a Federação quer pagar metade do prêmio porque ele não optou por virar profissional antes do evento. Foto: Lima Jr.

Depois de vencer a última etapa do circuito cearense profissional, disputada na Ponte Metálica, em Fortaleza (CE), o jovem atleta Michael Rodrigues fez um protesto contra a Federação Cearense de Surf (FCS) nas redes sociais.

Bicampeão brasileiro na categoria Open, Michael questiona uma regra da FCS. Segundo o atleta, a Federação quer pagar metade da premiação de R$ 9 mil porque ele é atleta amador e só optou por tornar-se profissional depois de conquistar o título da etapa.

“Um atleta amador vai a uma competição profissional, consegue surfar muito bem, dá um show de surf no meio dos surfistas profissionais, ganha o evento e decide virar profissional para pegar o prêmio de R$ 9 mil e investir em sua carreira. De repente, aparece um cara da federação de surf – que não faz nada pelo atleta que ganhou o evento – e diz que, para receber a premiação, o atleta deveria ter virado profissional antes de o evento começar”, reclama Michael.

“Com isso, o atleta que iria pegar o dinheiro para investir na sua carreira, tem que dar metade do dinheiro para uma federação. Alguém sabe onde vai parar esse dinheiro? Será que isso é justo? Uma federação que, em muitos eventos amadores, muitas vezes, não oferece nem água para os atletas”, dispara o cearense.

O protesto de Michael ganhou o apoio de alguns surfistas reconhecidos nacionalmente, como André Silva, Itim Silva, Charlie Brown e Claudemir Lima, mas despertou a ira da Federação Cearense de Surf.

O presidente Romero Jucah rebateu as críticas de Michael. “É muito fácil mandar ver nas redes sociais sem antes dar uma olhada no livro de regras. Já fiz 500 eventos profissionais e inclusive um Mundial. A regra sempre foi essa. Vejo que você está muito estrela antes do tempo. Pensei que fosse mais humilde. Já vi grandes nomes do surf cearense não chegarem lá por estrelismo”, dispara Romero.

O diretor técnico da FCS, Pedro Viana, mais conhecido como Netão, exibe um trecho do livro de regras do circuito cearense profissional: “Os atletas amadores poderão participar do circuito cearense profissional e receberão apenas 50% do valor da premiação e não terão direito a vaga de pré-classificado”.

 

A redação do Waves entrou em contato com Marcelo Andrade, que deixa o cargo de diretor-executivo da Abrasp no próximo dia 31 de dezembro, depois de fazer um belo trabalho na principal entidade do surf profissional brasileiro.

 

Segundo Marcelo, a regra depende de cada entidade e o livro de regras tem que ser respeitado. Na Abrasp, o amador só recebe 50% da premiação, mas se ele quiser tornar-se profissional em um evento no qual foi bem, recebe o total do prêmio e é descontada a taxa de filiação anual.

 

“Filipe Toledo venceu uma etapa do circuito Petrobras no Guarujá (SP) e tomou a decisão de virar pro. Levou o prêmio todo. Nosso livro permite isso, porque achamos que um resultado bom em um evento pro é o primeiro passo para o garoto virar profissional. Assim foi o caso de Mineirinho, Jadson, Filipe e alguns outros”, opina Marcelo Andrade.

 

“Mas, se o livro da Federação Cearense diz que o atleta amador só recebe 50% da premiação em um evento pro, tem que ser respeitado. A regra já estava definida e tem que ser cumprida”, conclui Marcelo.

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