
Em seu terceiro ano, o projeto Praia Local, Lixo Global, criado pelo fotógrafo e surfista baiano Fabiano Prado com o objetivo de quantificar e identificar a procedência dos lixos e detritos despejados no mar do Brasil por navios estrangeiros, encontrados principalmente no vasto e isolado litoral baiano, continua ativo e atinge novas conquistas.
Depois de conseguir um importante financiamento, por dois anos, da fundação alemã Lighthouse Foundation para dar seqüência às pesquisas e expor os resultados dos estudos em fórum sociais pelo mundo, em países como Japão e Alemanha, além de participar do Global Marine Litter Information Gateway, com o objetivo reunir informações relacionadas ao lixo marinho e difundi-las entre o maior número de pessoas possível, é possível faze um balanço dos números e dados colhidos até agora.

Em 2003, o país com maior número de detritos encontrados foi os EUA, com 77 peças (15,8% do total), seguido da Inglaterra, com 31 (6,4%), e Alemanha e Cingapura, ambas com 30 (6,2%). Entre os continentes, a Europa foi a campeã, com cerca de 40% do lixo coletado, seguida da América, com 28,7%, e Ásia com 23,2%.
Porém, apesar do número pouco significativo, a poluição européia diminuiu com relação aos anos anteriores. Já a americana manteve-se igual a 2002, enquanto a asiática aumentou seu percentual comparado aos anos anteriores. O plástico continua sendo o material mais encontrado entre o lixo, com 65% da incidência, seguido do metal, com 16,7%, e do papel, com 13,2%.
Agora, Prado está empenhado na criação do Programa Brasileiro de Monitoração do Lixo Marinho (Global – bases oceânicas). Segundo ele, a idéia do programa é monitorar as praias brasileiras desabitadas, aonde a incidência do lixo marinho global é maior.

“Estamos iniciando em abril o Programa de Monitoração do Lixo Marinho da Costa dos Coqueiros. Aí, depois de caminhar cada trecho a cada semana (por pelo menos dois anos), será possível tirar conclusões mais precisas. Quando você anda uma vez por ano, não se pode concluir muito, porque existem muitas variáveis em questão. Mas, quando a checagem é semanal, dá para ter um banco de dados bem preciso. A questão é que se o intervalo for grande, as embalagens afundam na areia, ou seja, são soterradas pelo movimento da praia (chuva, vento, maré, etc.)”, explica.
“Estou criando um sistema para identificar os navios poluidores. Para isto eu preciso identificar as rotas do lixo marinho. O tempo que as embalagens precisam para chegar na praia, nas diferentes épocas do ano e dos diferentes pontos. Quando eu tiver estes dados, vou fazer o cruzamento com outros, como as embalagens devidamente catalogadas (data de validade, de fabricação, lote, etc.) encontradas na praia e as encontradas no

navio quando este chegou no porto (a capitânia dos portos tem direito de olhar) e a rota do navio”, conclui Fabiano, que embarcou na última terça-feira para Mumbai, na Índia, onde irá expor a pesquisa no World Social Fórum.
Tempo de decomposição de materiais jogados no mar
Papel – de 3 a 6 meses
Pano – de 6 meses a 1 ano
Filtro do cigarro – 5 anos
Madeira pintada – 13 anos
Nylon – mais de 30 anos
Plástico – mais de 100 anos
Metal – mais de 100 anos
Vidro – 1 milhão de anos
Borracha – tempo indeterminado