Enquanto estava em Nias, recebi a notícia de que em Bali, a pousada Aya Guna Inn havia sido incendiada. O Aya Guna era, com certeza, um dos lugares mais procurados por brasileiros para hospedagem devido aos preços acessíveis e pela proximidade dos picos de surf.
Como não estava presente a Bali durante o triste acontecimento, aproveitei a oportunidade para extrair partes do diário de um amigo meu que presenciou tudo.
Confira o relato escrito por Felipe Mesquita.
“Dia 17 de junho de 2008, Indonésia, ilha de Bali, bairro de Uluwatu, pousada de Aya Guna In.
Hoje acordei às 9 horas da manhã, um dia como outro qualquer. Mas, assim que saí, logo percebi uma movimentação estranha, gente correndo com seus pertences de um lado para o outro, neguinho gritando desesperado “me ajuda, pelo amor de Deus, me ajuda!”. Quando eu vejo uma das cabanas, a terceira ao meu lado pegando fogo! Em chamas!
E, como os quartos eram todos feitos de madeira e palha, logo vi que era o início de um incêndio de grandes proporções! Aí, o negócio já havia virado salve-se quem puder! Saí gritando para o meu companheiro de quarto “tira! tira! tira tudo! Incêndio! Tá pegando fogo nos quartos ao lado!”.
Aí, começou a correria. A primeira coisa que pensei foi no passaporte e no dinheiro. Salvei isso e depois fui tirando o resto – roupa, mala, câmera, toalha, prancha. Lá pelas tantas, o vento bateu e começou a espalhar o fogo para várias cabanas. Nego chorando, as mulheres gritando desesperadas “ajuda! ajuda pelo amor de Deus!”.
Era só o que se escutava. Percebi então que eu estava participando de uma verdadeira tragédia! Assim que salvei minhas coisas comecei a ajudar o pessoal. Depois, em uma tentativa em vão, fui ajudar a tentar apagar o fogo jogando baldadas de água. Mesmo sabendo que era inútil, estava fazendo a minha parte.
A primeira coisa que se pensa é nos bombeiros, né? Hunf, na Indonésia, num bairro de surf afastado da cidade, longe de qualquer estrutura, os bombeiros demoraram no mínimo duas horas pra chegar. Quando chegaram, de 30 cabanas, 23 foram engolidas pelo fogo. O meu quarto foi um dos primeiros a ser lambido pelo fogo.
As cabanas caíam em questão de segundos assim que o fogo as atingia. Coitados… Coitado de várias pessoas. Pena dos espanhóis vizinhos meus, foram para a praia cedo fazer o surf e, quando voltaram, sua cabana já em cinzas… Perderam tudo, tudo mesmo. Passaporte, todo o dinheiro, roupas e mercadorias. Bom, pelo menos não perderam suas vidas, né?
A propósito, ninguém se feriu. Fora os espanhóis, tiveram outros caras que perderam tudo. Voltando do surf, agora só lhes resta uma bermuda, uma prancha e um strep. Pena também do balinês dono da pousada. Simplesmente perdeu o negócio da vida, perdeu a sua única fonte de renda, que já é escassa por essas bandas. E por fim, coitado do cidadão possivelmente responsável pelo início do incêndio. Esse aí está frito.
O cara estava desesperado, um brasileiro, carioca. Tava chorando bastante! Não sei qual vai ser para ele, não sei se vai ter que pagar alguma quantia ou não. Só sei que vai ter muita dor de cabeça daqui pra frente. Quanto ao fator como se iniciou o incêndio, isso é uma incógnita. A verdadeira verdade só quem sabe é o carioca. Bom, a versão dele é de que rolou um curto-circuito e ele já acordou com o quarto pegando fogo. Pensei que ele foi muito juvenil em não ter apagado o fogo assim que começou. Pô, havia vários travesseiros e edredons para ele abafar o fogo.
Mas, sei lá, né? Quem sou eu para julgar o cara. Enfim, no final restaram sete acomodações, mas acho que ninguém vai se hospedar por lá durante um bom tempo! Ainda bem que os bombeiros vieram, porque se não viessem, o vento e o fogo iam dar conta de lamber a propriedade inteira!”.












