A Praia do Norte recebeu o maior evento de ondas grandes já realizado em Portugal. A etapa portuguesa do circuito mundial de ondas grandes da World Surf League teve sinal verde no último dia 20 de dezembro, depois de estar em período de espera desde 15 de outubro.
E se a vitória foi do australiano Jamie Mitchell, a atitude ficou por conta dos portugueses. Entre a lista dos 24 melhores surfistas do mundo, apenas cinco portugueses estavam presentes e fizeram história, desafiando todos os limites ao surfar algumas das maiores ondas na remada em Nazaré.
João de Macedo, um dos surfistas portugueses mais experientes em ondas grandes e que tinha sido, até então, o único a competir no circuito mundial, foi o mentor da armada portuguesa e mostrou que, aos 39 anos, está no topo da elite mundial.
Venceu sua primeira bateria, presságio de um grande dia para as cores de Portugal, e chegando até á final graças a uma onda de última hora que lhe valeu não só um dos maiores wipeouts do dia, mas também a nota necessária para estar entre os seis finalistas. Deixou pelo caminho, entre outros, Greg Long, campeão mundial em 2012 e 2015 (na primeira bateria), e Grant Baker, líder do ranking e campeão de 2013 (nas semifinais).
Na final, João foi um guerreiro, já que faltando apenas 10 minutos para o fim do confronto, se jogou numa onda que lhe valeu o terceiro lugar e a nona posição no ranking mundial, com 8,680 pontos.
Antonio Silva apostou desde cedo nas direitas da praia do Norte e, logo na primeira bateria, garantiu passagem direta para as semifinais. Conseguir passar para a final foi um grande feito, e, lado a lado com os restantes finalistas na cerimônia de entrega de prêmios, revelou um grande respeito e admiração por todos e o desejo de correr o circuito mundial inteiro.
Para Antônio Silva, vencedor dois anos consecutivos da Bolsa EDP Mar Sem Fim para o seu projeto em Nazaré (2014/15 e 2015/16), acabou culminando positivamente sua longa relação com o pico e ocupando o décimo quarto lugar noi ranking mundial, com 5,024 pontos.
Hugo Vau foi um dos destaques da primeira bateria, com duas ondas (7,93 e 8,50) em menos de dois minutos. Um dos principais promotores do canhão da Nazaré, estava duplamente orgulhoso, com a realização do Nazaré Challenge que, para ele, “foi o ponto alto de um ciclo e o reconhecimento a nível mundial por parte da World Surf League”.
Alex Botelho, presença constante nos melhores dias da Nazaré, realizou um objetivo que perseguia há três anos: entrar numa prova do circuito mundial de ondas grandes. Na sua bateria, conseguiu uma das melhores ondas e, com a passagem para o próximo round ao alcance, ficou precisando de uma segunda onda para avançar às semifinais. Depois de ser o primeiro português a surfar Jaws, através da bolsa EDP Tour, Alex provou merecer um lugar lado a lado com a elite do surfe mundial e já se espera grandes feitos seus nos próximos anos, inclusive, novos convites para as etapas do Big Wave Tour.
Nicolau Von Rupp figurava na lista de substitutos da WSL e conseguiu entrar devido a uma desistência de ultima hora. Na sua bateria acreditou até ao final, e nos últimos minutos lançou-se a uma onda precisando de um 5.67, mas não conseguiu completar a descida e acabou ficando pelo caminho, mas mostrou ao publico a sua atitude e determinação.
As famosas ondas gigantes da praia do Norte marcaram presença no maior evento da modalidade já realizado no país, e os surfistas portugueses estiveram à altura da ocasião.
A praia do Norte tem desempenhado um papel central no projeto EDP Mar Sem Fim, com grande parte dos prêmios e bolsas atribuídas aos surfistas portugueses focados neste local.
Este ano, a bolsa EDP Tour será atribuída pelo EDP Mar Sem Fim ao surfista que mais se destacar nesta praia ao longo desta temporada, sendo esta prova mais um critério para definir um vencedor.
Nos próximos dias será também inaugurado o Hangar EDP Mar Sem Fim no Porto da Nazaré com o apoio da Camara Municipal da Nazaré, que pretende ser um espaço de preparação e treino para os surfistas portugueses de ondas grandes.