De Bali a Java

Portilho isolado em G-land

Marcelo Portilho demonstra atitude em G-land. Foto: Arquivo pessoal.

No último dia primeiro de setembro partimos para a Indonésia, com o objetivo de surfar as ondas de Uluwatu e G-land, nas ilhas de Bali e Java, respectivamente.

 

A barca era composta pelos surfistas Victor Valle e Daniel Castro, além de mim, que sou bodyboarder.

 

Ficamos hospedados no Puri Uluwatu, em cima do cliff, onde os brasileiros são muito bem-vindos. Outra vantagem de ficar ali é a proximidade com a caverna de Uluwatu, entrada para surfar no pico. Vale a pena surfar bem cedo quando possível, pois o crowd é menor.

 

Em Bali, surfamos durante quatro dias e pegamos até 1,5 metros perfeitos de onda. Através da Internet, soubemos que a chegada de um novo swell estava próxima, com ondas de até 3 metros, que

Victor Valle bota no trilho em Uluwatu. Foto: Arquivo pessoal.

quebrariam sobre a bancada de G-Land.

 

A viagem para G-land totaliza 8 horas e inclui um ferry-boat, que liga Bali à ilha de Java, uma extensa parte terrestre e outra travessia marítima final, da vila de pesca de Grajagan para o surf camp. Existe também a opção de ir direto de barco de Bali para G-Land, por mais US$ 200 (ida e volta). Esta opção leva apenas duas horas.

 

A região que comporta os três surf camps continua selvagem por ser localizada na costa Leste da reserva florestal, que ocupa metade da ilha de Java. Por estar regressando àquela região depois de 10 anos, pude notar a mesma sensação de isolamento que experimentei da primeira vez.

 

Chegamos em G-Land com o mar praticamente colado, mas a previsão indicava que o swell já começaria a entrar naquela tarde. Fizemos uma bateria de reconhecimento e voltamos para o camp, onde tomamos uma cerveja local e brindamos às próximas ondas.

 

No dia seguinte, o mar já apresentava mais de 1 metro e continuava subindo gradualmente. De maneira geral, havia muita névoa cedo pela manhã. As ondas ficavam boas somente na metade da manhã, quando o vento terral e a troca da maré faziam o ajuste, deixando as ondas longas e tubulares.

 

Mas o que impressiona em G-land, é que se trata de uma onda com três picos de características diferentes e que durante os melhores dias podem se conectar.

 

Trata-se de uma onda tubular, longa e ao mesmo tempo com vários momentos manobráveis, que quebra por cima de uma bancada de coral afiada. No período em que estivemos lá, a profundidade oscilou entre 0,5 e 1,5 metros entre a maré baixa e a alta, em média. O tamanho das ondas beirou os três metros nos melhores momentos.

 

Os finais de tarde eram alucinantes com o sol se pondo no mar e as ondas ficando mais buraco. O crowd era ?sob controle? e a galera estava botando para baixo com disposição.

 

Depois de sete dias de G-land com altas ondas voltamos de cabeça feita para Bali. Pegamos mais quatro dias clássicos e voltamos para o Brasil, com a cabeça cheia de lembranças de tubos perfeitos e intermináveis.

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