
Se a pororoca do vizinho parece boa, imaginem a pororoca da nossa terrinha! O que todos viram até agora foram ondas pequenas em São Domingos do Capim (PA) e algumas morras mexidas no Araguari (AP).
Porém, existe um terceiro Estado com uma onda magnífica! Na capital do reggae brasileiro, Maranhão, mais especificamente no rio Mearim e Pingaré, acontece uma onda de água doce inimaginável. Quem viu no Esporte Espetacular sabe do que estou falando…
Uma esquerda longa e tubular quebrando sozinha às margens da Floresta Amazônica, isso sem falar na direita, que também é de sonho!
E foi na lua cheia de abril que rolou, no Maranhão, a segunda etapa do I Circuito Nacional de Surf na Pororoca, evento somente para surfistas convidados e ranqueados na temível onda de rio. A Alternativo Eventos, em parceira com o Governo do Estado do Maranhão, Prefeitura Municipal de Arari e Gerência de Turismo do Maranhão, proporcionou mais um espetáculo da natureza versus o homem.
Logo no primeiro dia de mapeamento, pressenti, com minhas seis temporadas de Pororoca, um clima carregado. Comentei com meu colega de quarto, campeão da etapa, Sávio Carneiro (PE), que naufrágios aconteceriam. Não deu outra. Quando a onda pipocou no horizonte, a lancha em que estávamos pifou e ficou para trás sem muito que temer, pois estávamos num canal.
A sorte não foi a mesma com a equipe local da rede Globo, que acabou naufragando. Fora esse desastre, causada pela inexperiência do piloto, outros sustos foram tomados, mas nada grave.
Boatos de jacarés, piranhas, redemoinhos gigantes e até tubarões que adentram no rio com a força da maré deixavam a turma toda atenta ao pular na água marrom, principalmente quando a Pororoca passava e ficávamos à deriva. E quem vai pensar nestes fatores quando uma onda perfeita cor de chocolate de 2 metros de altura surge na sua frente quebrando sem parar por intermináveis minutos?
O campeonato foi acontecendo conforme as bancadas apareciam. Ricardo Tatuí (RJ) venceu Rogério Dantas (CE), que vinha numa boa performance. Sávio Carneiro (PE) passou por Marcelo Piu Piu (MA). Sandro Buguelo (PA) derrotou Serginho Laus (PR) numa das mais disputadas baterias. E Flavio Marão (MA) não deu chances à Felix Junior (PA). Na semi-final, Buguelo se classificou para mais uma final no último minuto da bateria contra Tatuí, e Sávio avançou ao derrotar Marão na onda mais longa do mundo.
Entre uma Pororoca e outra, o pessoal procurava se distrair na cidade em que cada habitante tem pelo menos uma bicicleta… E como todo brasileiro gosta de futebol, fomos convidados para assistir ao clássico dos Pororoqueiros FC x Arari Futsal Club.
Nosso time era formado pelo repórter Regis Rosing, editor de imagens Cláudio Marques, repórter cinematográfico Gil, todos da Globo, Serginho Laus e um goleiro local para levar bomba.
Fomos para brincar, e acabamos perdendo como o Palmeiras, de goleada. Voltando ao fenômeno fluvial mais temido da Amazônia, entramos direto na final do evento com Sávio Carneiro, principiante na Pororoca, e Sandro Buguelo, buscando o tetra campeonato.
Sávio não bobeou e surfando sempre próximo a espuma executou manobras como se estivesse no mar. Ganhou certa vantagem em cima do paraense, que lacrou seu caixão quando ficou para trás da onda deixando o pernambucano arrepiar uma esquerda que se ergueu na sua frente.
A próxima etapa na Pororoca rola na lua cheia de maio, no rio Araguari (AP), a mais temível e poderosa Pororoca do mundo. E aguardem, mais naufrágios, adrenalina, surfe e competição irão rolar na onda mais longa do mundo.
Resultados I Circuito Nacional de Surf na Pororoca – segunda etapa
1 Sávio Carneiro (PE)
2 Sandro Buguelo (PA)
3 Ricardo Tauti (RJ)
3 Flavio Marão (MA)
5 Serginho Laus (PR)
5 Rogério Dantas (CE)
5 Felix Junior (PA)
5 Marcelo Piu Piu (MA)
Ranking geral
1 Sandro Buguelo (PA)
2 Ricardo Tauti (RJ)
3 Serginho Laus (PR)
4 Felix Junior (PA)
5 Sávio Carneiro (PE)
6 Rogério Dantas (CE)
7 Flavio Marão (MA)
8 Sergio Roberto (PA)
9 Rodrigo Barros (PA)
10 Ricardo Mello (RJ)
11 Marcelo PiuPiu (MA)