
O surfe brasileiro está crescendo sem parar. Pensando nisso, a Confederação Brasileira de Surfe (CBS) está abrindo um fórum de debates a fim de tentar achar uma fórmula ideal para desenvolver nosso esporte em todos os Estados federados.
O objetivo é desenvolver um formato que não interfira tanto na vida e na educação dos novos valores que surgem todos os anos. Desde que incluíram os amadores em campeonatos nacionais, em 84, que as categorias de base vêm se desenvolvendo no Brasil. O OP Pro e o Sundek de 86 serviram de base para a equipe do mundial amador na Inglaterra no mesmo ano.
Em 87, quando foi criada a Abrasa (Associação Brasileira de Surf Amador), foi organizado um ranking com 13 provas válidas, e incluída pela primeira vez a categoria Junior, onde foi formado o time que representou o Brasil no mundial de Porto Rico em 1988.
Naquela época, realizar um circuito nacional era a oportunidade de se criar uma verdadeira estrutura para o surfe nacional, fazendo o intercâmbio com os Estados e ajudando na formação de associações e de federações. Já na época, o formato do circuito e a conseqüente escolha da equipe nacional eram alvo de questionamento. Alguns preferiam um evento só, outros justificavam a importância da realização das provas nos Estados, principalmente os que estavam se desenvolvendo.
Em 1991, mudamos o circuito para uma só prova e fomos sempre alvo de críticas, principalmente das federações, que estavam querendo fazer eventos nacionais antes de estarem organizadas e com associações locais fortes.
Com a mudança de diretoria em 95, foi estabelecido o circuito de seis etapas, que durante algum tempo se mostrou eficiente, mas que com o crescimento do surfe nacional acabou ficando muito complexo e dispendioso. Este ano, serão realizadas oito etapas, o que está sendo alvo de mais críticas devido ao tempo que nossos atletas juniores ficam fora de casa.
Durante vários anos estas federações se dedicaram a realizar os circuitos estaduais sem ajudar as associações locais a fazerem seu próprio circuito. Só em 98, com a fundação da CBS, que as associações locais ganharam força, pois a partir de então elas elegeriam os presidentes estaduais.
Desde então alguns Estados, como Santa Catarina, já realizam o interassociações, considerado o formato ideal para circuitos estaduais. Não é fácil ter uma solução que atenda a todos e também não podemos ser hipócritas de achar que atletas de elite, que querem ser campeões mundiais, vão ter uma vida escolar normal. Em nenhum esporte acontece isso, seja na natação, no vôlei ou na ginástica.
A Confederação e as Federações devem tentar intervir junto às escolas sugerindo horários diferenciados e compreensão com relação às faltas. Os patrocinadores não devem se omitir e, se querem que o atleta estude, basta condicionar o pagamento às notas, sem demagogias. Existe por aí um discurso “politicamente correto” como se estudar até o segundo grau fosse resolver, depois pode ir para as Mentawaii… Faculdade, nem pensar.
Aliás, cabe a Confederação ajudar a desenvolver o esporte em vários níveis, seja na parte técnica, no nível competitivo ou na massificação do esporte. Devemos, sim, exigir matrícula escolar condicionada à inscrição, mas não temos como fiscalizar e controlar, principalmente devido a profissionalização precoce de alguns juniores.
Para concluir, proponho que se abra a discussão, e para começar vou lançar a minha idéia. Como as associações já estão mais organizadas, proponho um campeonato nacional de nove dias, nas férias de julho. Um grande festival com todas as categorias dos mundiais da ISA, formado por equipes estaduais, sem alternates, para forçar cada Estado a ter um ranking atualizado.
Neste evento nacional, haverá um rodízio de sedes e todos os Estados vão ter sua vez de realizar um brasileiro. Espero que os interessados participem mandando sugestões, para que possamos tomar a direção mais correta possível.
Aguardo críticas e sugestões.