Antigos Tops do WCT

Por onde andam?

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Victor Ribas, Peterson Rosa e Guilherme Herdy, veteranos do WCT.

         
        Foi assistindo pela internet à corajosa performance do potiguar Ítalo Ferreira no Fiji Pro, em junho passado, que me lembrei de seu conterrâneo Marcelo Nunes. Explico, os floaters psicopatas com os quais Ítalo estava finalizando suas ondas, sobre coral quase seco na seção da bancada de Cloudbreak apelidada de Shish Kebabs – o nosso churrasquinho grego, feito com tiras de carne – me remeteram a um floater que eu presenciara 13 anos antes, em 2002, ao vivo, de Marcelo Nunes, também numa etapa do Circuito Mundial, o Quiksilver Pro Tavarua, em Fiji, só que na bancada ainda mais exposta de Restaurants.

         Havia um paralelo bem definido entre as performances dos dois, que mesmo sabendo que floaters valem muito pouco na avaliação dos juízes, não economizavam na tentativa de somar um pouco mais para poder seguir adiante na competição. Demonstrações de “raça” sempre foram uma característica dos brasileiros no Tour, muitas vezes permitindo que surfistas limitados tecnicamente superassem seus adversários na mais pura vontade. Floaters sobre escassos poucos centímetros de água separando o surfista de uma potencial grave lesão é para quem está muito afim.

      Marcelo, ao contrário de Ítalo, em sua época de Circuito Mundial tinha dificuldade nos tubos, e não passou do segundo round. Também nem me lembro se o tal floater foi desferido durante uma bateria ou no freesurf. O que ficou guardado na minha memória foi a sensação de antecipação de que ele iria se lascar todo no coral aterrissando junto com o lip daquela maneira, e o alívio ao ver que ele conseguira completar a maluquice. Ufa. Parecido com o que eu estava experimentando acompanhando o esforço louvável de Ítalo, tentando acrescentar alguns décimos às suas notas com uma última manobra quase suicida em todas suas ondas. Torcia por sua pontuação, mas mais que tudo rezava para ele não deixar pedaços de bife grudados no coral.

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Marcelo Nunes, Cacimba do Padre, Fernando de Noronha (PE). Foto: Fabriciano Jr

 
         Não sei se floaters sobre bancadas rasas são uma especialidade potiguar, mas o fato é que de repente, do nada, eu estava me perguntando: por onde andara o Nunes? O que me levou a logo em seguida ampliar o alcance da interrogação, à medida que ia lembrando de seus companheiros brasileiros de Tour de então. Que rumo teriam tomado em suas vidas representantes brasileiros no WT que num passado recente sempre estavam presentes na mídia do surf e de quem atualmente eu não recebia mais informações, ou apenas alguma esporádica, já há algum tempo? Onde estariam morando, o que estariam fazendo caras como Rodrigo Dornelles, Guilherme Herdy, Neco Padaratz, Peterson Rosa, entre outros?       

         Foi ai que decidir recorrer ao Facebook para checar o que eu poderia encontrar sobre alguns desses valorosos surfistas brazucas que antecederam a geração Brazilian Storm. Posso dizer que os resultados me surpreenderam. De um lado, por achar que alguns dos nomes “investigados” estariam mais engajados na utilização das mídias sociais, e, de outro, pelas informações reveladas em si. Vale notar que minha intenção não foi a de apurar a fundo o paradeiro e atividade desses surfistas. Numa matéria com essa finalidade, outros recursos de pesquisa poderiam, e deveriam, ser utilizados para se chegar a informação desejada. Aqui a intenção foi assumir a posição de um fã do esporte que, de repente, ao se lembrar de um ídolo do passado, ficasse curioso para se atualizar sobre ele com uma ajuda do Facebook e até mesmo do Google. Acompanhe.

         Já que o Marcelo Nunes foi o primeiro de quem me lembrei, decidi começar por ele, ainda que ele tenha sido o último no ranking, em 46º lugar, entre os brasileiros no ano que tomei como referência. Na sequência, segui pela ordem de classificação final do WT de 2002, a saber Peterson Rosa (19º colocado), Neco Padaratz (21º), Flavio Padaratz (27º), Renan Rocha (33º), Fabio Gouveia (35º), Guilherme Herdy (37º), Paulo Moura (40º), Rodrigo Dornelles (44º), Victor Ribas (45º).       

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Marcelo Nunes mora em Capbreton, na França. Foto: Reprodução

        Na página do potiguar Nunes fiquei sabendo que ele mora agora em Capbreton, Aquitaine, na França, e é casado com Virginie Nunes, com que tem um filho, desde 2013. A profissão listada é Pro Surfer, em inglês mesmo, mas não fica claro se ele é patrocinado por alguma marca e/ou compete. Também não é mencionada nenhuma outra atividade profissional. No site listado – http://Mnunes.com.br – somente o aviso “aguardando publicação de arquivos”. Na sua linha do tempo, fotos da família, dele surfando, de remadas de stand up, comentários dele em francês nos posts compartilhados e o sorriso de sempre, de quem segue de bem com a vida.

         Pode ser incompetência minha, mas não encontrei uma página do Peterson Rosa no Facebook. Busquei também por Rosa Brothers e outras alternativas sem sucesso. O que apareceu foi uma página “automaticamente gerada com base no que os usuários do Facebook estão interessados”, contendo informações sobre o “Animal” retiradas da Wikipedia, a qual indica que tem mais gente buscando ele. Para não ficar sem nenhuma pista do paradeiro do Peterson, apelei pro Google, onde em 0,50 segundos foram listadas impressionantes 13.400.000 resulted. O link mais recente sobre ele, de 2 de maio de 2015, conduzia ao blog “De Olho nas Ruas”, do fotojornalista Guto Kuerten, publicado no Diário Catarinense.

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Peterson Rosa continua se atacando nas bombas. Foto: Reprodução

          Sob o título “Peterson Rosa desloca ombro na praia Mole”, Guto contava que “Num tubo insano numa esquerda da praia Mole, em Florianópolis, o surfista profissional Peterson Rosa, 40 anos, deslocou o ombro depois de ser engolido pela onda nesta manhã de sábado. O ídolo do esporte brasileiro sentia muita dor e conseguiu sair da água com dificuldade e na areia foi socorrido por amigos e banhistas. Calmo e consciente, disse ser a primeira vez que deslocou o ombro. Ele surfava no canto esquerdo da praia. Eu fotografava para o outro lado evitando o contraluz. O mar pesado de um metro e meio a dois. O experiente surfista conhecido pelo seu surf potente e de atitude foi surpreendido pela onda. Era um tubo cavernoso. Ele estava lá dentro intocado (sic). Pensei que ele iria sair mais foi engolido pela onda rapidamente, disse um surfista que estava no momento da queda. O surfista foi levado ao posto do guarda-vidas e recebeu os primeiros atendimentos, depois encaminhado ao SOS Ortopedia. Ele já colocou o ombro no lugar e passa bem. Em 1994, Peterson conquistou pela primeira vez o título brasileiro de surfe. Cinco anos depois, alcançou o bicampeonato. Em 1998, venceu a etapa da WCT no Rio de Janeiro, derrotando o então líder do ranking mundial, o australiano Michael Campbell. O inédito tricampeonato foi conquistado em novembro de 2000, ao vencer o SuperSurf na Praia da Vila, em Imbituba. Na ocasião, ficou a frente do potiguar Joca Júnior e do paulista Tadeu Pereira, segundo e terceiro colocados, respectivamente.”

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Peterson Rosa, G-Land, Indonésia Foto: Silvia Martinez Rosa

 
         Do Neco Padaratz, antes mesmo de ir visitar sua página no Facebook, eu já sabia, por um post recente dele mesmo, que o mais novo dos Padaratz havia sido convidado para representar o Brasil no Four Seasons Maldives Surfing Champions 2015. E também havia ouvido falar que ele estava morando em San Clemente e dando aulas numa escola de surf local. Realmente sua página confirmava essas informações, ainda que a empresa declarada para a qual trabalha seja a ASP e o local de residência Florianópolis.        

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Atualmente, Neco Padaratz reside em San Clemente onde dá aulas de surf. Foto: Reprodução

     Está lá também que Neco nasceu em 11/08/1976 e é atualmente casado com Ana Padaratz. Um endereço http://www.necopadaratz.blogspot.com.br, direciona para seu blog, mas o último post foi 4 de junho de 2012. Já num post  de 27 de junho passado, compartilhado em sua linha do tempo por Morelli Alexandre, ficamos sabendo que Neco conta com o apoio da marca underground de San Clemente OutraCultura, que declara, em inglês: “Após ter sido abandonado por todas as grandes empresas Neco continua arrepiando em alto nível. OutraCultura está tentando ajudar Neco a manter seu sonho vivo. Ajude OutraCulutra a ajudar ele”. Seguem fotos de Neco surfando (muito bem), vestindo camisetas da marca e com sua prancha modelo Cordell CT3.

          Num post do próprio Neco, de 31 de maio, onde aparece sorridente acompanhado de 4 pequenos pupilos, ele relata a conquista de “um 1º lugar, dois 2º lugares e um 3º, orgulhoso de estar fazendo um trabalho irado com esses novos talentos e construindo eles como meus soldados e de saber que o resultado está acontecendo e que hoje, a cada dia, aumentam as possibilidades de produzir a minha essência.”    
   
    De um irmão ao outro, chego a Teco Padaratz, o “sócio proprietário” da www.gateeventos.com.br, empresa produtora de eventos, palestras, workshops, shows. No post mais recente, de 9 de julho, o surfista profissional tornado empresário, palestrante e músico, apresentava um vídeo com as seguintes palavras: “Aproximadamente às 7:00h da matina, uns 1000 metros de altitude, temperatura 9 Cº, e um visual sem palavras… me lembrou o ‘Espírito do Mar’, uma canção feita com o mestre Christiaan Oyens, logo após sua primeira onda surfada na vida”. Dado o play, ele e o parceiro Paulinho Freitas executam ao violão uma música com o refrão: “Sonhar é simples para quem quer arriscar descendo as ondas”.

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Teco Padaratz e sua banda 5’11”. Foto: Divulgação

       No momento em que chequei, o post contava com 2939 visualizações, 28 compartilhamentos, 114 curtidas e 19 comentários. Estranhamente, entre os que deram seus likes, nenhum dos seus ex-companheiros de Circuito Mundial. Da mídia surf reconheci 3 nomes, Luciano Burin, Tiago Brandt e o fotógrafo australiano Paul Sargent. Nos comentários um agradável surpresa, Tinguinha Lima parabenizando e desejando sucesso ao “irmão”.

         Não sei se diretamente relacionado à falta de interação de figuras proeminentes do surf no seu post, como seria esperado, Gabriela, mulher de Teco, deixa o comentário abaixo na Linha do Tempo do marido: “Acho que já compartilhei esse post, mas não com esse comentário. Parabéns Teco Padaratz e Paulinho Freitas. Sei que muita gente não coloca fé no Teco como músico, pois acha que ele nunca deveria ter deixado o surf competição. Mas nem todo mundo sabe que o mais importante na vida não é fazer o que os outros querem mas sim o que você quer. Pense nisso e faça suas escolhas! Bom final de semana.!!!! Pronto falei”.        

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Renan estampando a edição 183 da FLUIR com um tubo impecável em Pipeline.

          E avanço. Na página de Renan Rocha as surpresas são poucas. Ele trabalha na ESPN, mora em São Paulo e está solteiro. Só fiquei um pouco desconfiado da listagem dos membros da família, onde Sting Yi Huang aparece como irmão e Affonso Mattos e Wlamyr Rosa como parentes. Talvez por preconceito meu, não os reconheci como familiares do Renan. Mas quem sou eu para ficar dando palpite, melhor ficar quieto, vai que o Renan não gosta de eu estar me intrometendo onde não fui chamado e queira me dar um mata leão em nosso próximo encontro. Nos posts de Renan, os assuntos principais são a cobertura do Circuito Mundial, e suas amadas praias de Itamambuca e da Guarda.

       Que Fabio Gouveia vinha se dedicado a shapear pranchas não era novidade para mim, mas foi somente ao checar suas páginas no Facebook que percebi o quanto ele realmente leva a sério esse ofício. Ao buscar por seu nome, três páginas diferentes são indicadas. Na Fabio Gouveia Shape & Design foi onde encontrei informações mais atuais. No seu post mais recente, de 16 de julho, o Fabuloso escreveu abaixo da foto de uma gunzeira vermelha encostada na parede de uma sala de shape “FGhandshape 8’1″ finalizada para o evento Mormaii de Ondas Grandes na Remada. Praia do Cardoso, Farol de Santa Marta, SC. ‘Janela’ aberta até 31 de outubro. Encomendas & infos: [email protected]”.                  

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Sala de shape do “Fia”. Foto: Reprodução

       No ícone “Sobre”, no item “Visão geral da empresa”, ele explica descontraidamente: “Tchurma, essa é a página que uso para divulgar as pranchas de surf que faço, como também, fotos, vídeos, etc, relacionadas de uma forma ou de outra, às mesmas. Não costumo responder as mensagens escritas na parede {wall}, para isso enviem e-mail para [email protected], ou mensagem direcionada no face. Abraços a todos & obrigados. Fabinho”.       

         Na página Fabio Gouveia Atleta, o primeiro post que aparece na sua Linha do Tempo é do ano passado, mais exatamente de 11 de dezembro de 2014. Informa que ele já estava há três semanas no Hawaii e conta um pouco da temporada até aquele momento. E também faz referência à sua dedicação aos shapes: “Com um quiver feito de próprio punho, são dez pranchas entre uma fish 5’6” biquilha e uma Waimea gun 10’6””. Nesta página pode-se encontrar também uma série de informações biográficas de Fabinho, desde seus inícios nas competições até seus atuais patrocinadores.

         A terceira página disponível para consulta, Fabio Gouveia Surfboards, está em branco, só constando o endereço de contato para pedidos de pranchas e o do site www.fabiogouveia.com , com também acontece nas duas anteriores. Na página de abertura do site, bem completo e dedicado principalmente à divulgação de suas pranchas, a primeira frase que se lê diz: “Shape, minha segunda paixão dentro do surf. A primeira são as ondas, é claro!!!!”. Com o bom humor característico do paraibano residente em Floripa, a parte mais divertida são os nomes dados aos modelos criados por ele. Cobra de 2 Cabeças, Gordita Supreme, Gota Serena, Jamanta, Maquinada, PirraiFiashi, Quattttro, Rabiosa, Rapadura Aquática, são alguns dos 25 oferecidos.

         Na página de Guilherme Herdy, não consegui descobrir muita coisa sobre ele, e fiquei sem saber o que está fazendo profissionalmente hoje em dia. Que continua surfando e arrebentando não tenho dúvida, mas consta ali que já não é mais patrocinado da Hot Buttered e que “visitou Itanhaém há +ou- 2 semanas”. O que o “Branquelo” que, fico sabendo, voltou a morar em Niterói, estaria fazendo no litoral sul de São Paulo não tenho a mínima ideia, mas não acho que as ondas devam ter sido a motivação. No post mais recente, de 16 de julho, ele compartilha uma matéria – “Lembranças Molhadas” – publicada no site da Red Bull sobre seu segundo lugar em Fiji em 2000, coincidentemente no mesmo campeonato, ainda que dois anos antes, do Circuito Mundial que deu origem ao meu Tour pelo Facebook em busca de informações sobre a geração de Herdy.

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Guilherme Herdy, Itacoatiara, Niterói (RJ). Foto: Matheus Couto

 

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Paulo Moura Desert Point, Indonésia. Foto: Reprodução

       Lembro com clareza de ter, em 2002, quando cobri o campeonato para a FLUIR, ficado impressionado com a técnica apurada para entubar de Paulo Moura. Mesmo com ele sendo eliminado precocemente no terceiro round, frente a outro goofyfooter bom de tubo, o australiano Luke Egan, sua performance me convenceu de que aquele era seu ponto forte. O que veio a ser confirmado quando o encontrei no Facebook, com a segunda postagem mais recente em sua Linha do Tempo, de 1 de julho, comemorando as ondas que pegou no swell histórico que quebrou recentemente na Indónesia (que você confere cobertura completa na FLUIR de agosto).

         Ainda que o espaço reservado às suas informações pessoais esteja em branco, sem que seja possível confirmar, por exemplo, onde ele está morando e quem são seus patrocinadores, a sensação que tive ao percorrer sua Linha do Tempo é de que ele continua se dedicando 100% a surfar e principalmente a entubar, seja em Kandui, Desert Point, Nias ou até mesmo em algum secret de Pernambuco, seu estado natal.        
         
          Rodrigo Dornelles sempre surfou muito mais do que falou, deixando que seu estilo refinado se encarrega-se de dizer quem ele era. Pode-se dizer que fosse mesmo um tímido fora d’água, ainda que nas ondas esbanjasse segurança em manobras bem desenhadas, de quem sabe onde exatamente quer ir. E pelo que constatei em sua página no Facebook, ele não deve ter mudado muito. Dedicando-se agora à Sealife Farmácia de Manipulação, da qual ele se apresenta como sócio-proprietário, tudo indica que Rodrigo esteja levando uma vida saudável e pacata ao lado da família em Torres, no Rio Grande do Sul. E mais não tive como saber.

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Rodrigo Dornelles, ilha dos Lobos, Torres (RS) Foto: Luis Reis

          

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Victor Ribas, Maresias (SP) Foto: Munir El Hage

        E para finalizar com a turma de 2002, chego a Victor Ribas, que sai em sua foto de capa na página do Facebook kitesurfando sobre uma onda. Na sua apresentação, logo entendo a razão da imagem: “Atleta profissional de surf, campeão do WQS, campeão brasileiro, 3? no ranking WCT 99. Atleta profissional de kitesurf”. Na sua Linha do Tempo são maioria, entre os posts mais recentes dele em ação, aqueles em que sai kitesurfando. Para mim foi novidade total saber que Vitinho havia abraçado o kitesurf com tanta ênfase, mas a verdade é que faz total sentido um cara habilidoso como ele, de baixa estatura e leve, ainda mais vivendo numa região com muito vento, ter ampliado seu leque de possiblidades como atleta.  Só não encontrei menção de quem seriam seus patrocinadores e eventuais títulos conquistados.

         Terminada minha investigação, chego à conclusão de que faz falta saber mais do atual paradeiro de uma geração que tanto contribuiu para o sucesso atual do surf brasileiro. Mas se de um lado a mídia não destina o espaço merecido para que seja possível manter a história viva, por outro quem fica devendo são os próprios membros desta geração ao subaproveitar o potencial de divulgação de suas carreiras e feitos oferecido pela mídias sociais e, particularmente no caso dessa análise, da mais popular de todas no momento, o Facebook.   

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    O surfe brasileiro se despede de um de seus personagens mais originais. Dávio Correia Figueiredo, o Dadá Figueiredo, morreu no último sábado (24), aos 61 anos, deixando um legado que ultrapassa as conquistas nas competições. O carioca ajudou a transformar não apenas a maneira de surfar, mas também o comportamento e a identidade de uma geração. Segundo informações de amigos próximos e familiares, Dadá estava internado para tratar uma infecção pulmonar. Reportagens posteriores apontaram complicações de uma pneumonia, mas detalhes médicos sobre as circunstâncias da morte não foram oficialmente esclarecidos. Rebelde, provocador e dono de um estilo explosivo, Dadá surgiu em uma época em que o surfe brasileiro ainda construía sua identidade competitiva. Nas décadas de 1980 e 1990, suas batidas verticais, rasgadas potentes e manobras inspiradas no skate surpreendiam o público e, muitas vezes, os próprios juízes. Enquanto muitos surfistas seguiam linhas tradicionais, Dadá buscava explorar os limites das ondas. Sua postura radical e sua personalidade irreverente fizeram dele uma referência dentro e fora da água. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br) Um revolucionário nas ondas Nascido no Rio de Janeiro, Dadá cresceu na Tijuca e desenvolveu uma ligação intensa com o skate antes de transportar parte dessa influência para o mar. A combinação de velocidade, explosão e movimentos verticais ajudou a antecipar características que se tornariam comuns no surfe profissional anos depois. Em janeiro de 2005, o jornalista Fabrício Fernandes publicou no Waves a reportagem “Dadá, o anti-moda”, um retrato de sua personalidade e de sua importância para o esporte. Na matéria, Fernandes descreveu como Dadá executava manobras que só ganhariam espaço no circuito mundial anos depois, citando movimentos como laybacks, re-entries e off-the-tops verticais. O jornalista também apontou sua influência sobre surfistas como Neco Padaratz, Léo Neves, Binho Nunes e Raoni Monteiro, representantes de uma geração que ajudou a consolidar o surfe brasileiro no cenário internacional. Dadá era uma atração à parte nos campeonatos. Sua presença nas baterias despertava expectativa entre os espectadores, que acompanhavam suas manobras com entusiasmo, mesmo quando o julgamento não refletia o impacto de suas apresentações. O carioca conquistou o título estadual em 1989 e venceu o Sea Club Final Heat, realizado em Saquarema, no mesmo ano. Em 1993, foi escolhido pelos leitores de uma revista especializada como o melhor freesurfer do Brasil, reconhecimento que demonstrava sua popularidade para além das competições. Embora nunca tenha conquistado o título brasileiro profissional, esteve durante cinco temporadas consecutivas entre os 16 melhores do ranking da Abrasp (Associação Brasileira de Surf Profissional). A final histórica contra Picuruta Um dos episódios mais emblemáticos de sua carreira aconteceu em maio de 1988, durante a final do Niasi/Tribuna FM, disputada no Canto do Maluf, na praia de Pitangueiras, Guarujá (SP). Dadá enfrentou Picuruta Salazar em uma bateria marcada por manobras radicais e uma decisão apertada dos cinco juízes. O santista venceu por 3 a 2, mas o resultado provocou discussões sobre os critérios de julgamento. Décadas depois, em março de 2023, o jornalista e editor Alceu Toledo Junior recuperou a história na reportagem “Picuruta 3 X 2 Dadá”, publicada no Waves. Alceu, que acompanhou a bateria da areia, contou que o equilíbrio entre os dois surfistas era tão grande que considerava o empate um resultado justo. Seu relato destaca a potência das manobras de Picuruta e a capacidade de Dadá de aproveitar as ondas desde o outside até a beira. A reportagem inclui imagens da final e preserva um capítulo importante da história do surfe brasileiro, contado por quem testemunhou a disputa. Punk, anti-moda e contracultura Fora da água, Dadá também desafiava convenções. Influenciado pelo punk rock e pelo hardcore, adotou uma estética que contrastava com o visual tradicional do universo do surfe. Cabelos ousados, roupas escuras, atitudes provocadoras e críticas ao comportamento da indústria fizeram parte de sua identidade. Dadá rejeitava padrões e fazia questão de demonstrar sua independência. Essa personalidade também se manifestou na música. Foi baixista da banda punk Os Normais e participou da criação de marcas como Anti-Fashion e Necrose Social, levando sua visão alternativa para o vestuário. Em um período de crescente profissionalização do surfe, Dadá representava uma forma diferente de viver o esporte. Suas atitudes despertavam admiração e controvérsia, mas dificilmente passavam despercebidas. Seu impacto também chegou aos novos talentos. Alexandre Almeida, o Dadazinho, recebeu uma prancha de Dadá no início da carreira e adotou o apelido em homenagem ao ídolo. O episódio foi registrado pelo Waves na reportagem “Dadazinho Almeida busca o bi no Carioca 2004”. Os desafios e a reconstrução A trajetória de Dadá também foi marcada por períodos difíceis. O abuso de álcool e drogas comprometeu sua carreira e trouxe consequências pessoais e profissionais. O próprio surfista falou abertamente sobre esses episódios em entrevistas, reconhecendo que a dependência química prejudicou seu desempenho nas competições e afastou oportunidades importantes. Em maio de 2003, o jornalista Fernando Gaspar publicou no Waves a reportagem “A luz no fim do tubo”, que acompanhou uma fase de reconstrução da vida de Dadá. O texto apresentou depoimentos sobre sua recuperação, a importância do apoio familiar e sua aproximação com a religião evangélica, que se tornou parte fundamental de sua vida. Na época, Dadá havia criado uma escola de surfe na Barra da Tijuca, com apoio de integrantes da igreja Sara Nossa Terra. O projeto começou com algumas pranchas e, segundo a reportagem de 2003, chegou a reunir cerca de 300 alunos e 12 professores. O mesmo espírito de liderança que havia marcado sua carreira competitiva passou a encontrar espaço no ensino do esporte e no trabalho com jovens. Em junho de 2007, a jornalista Monique Arruda voltou a contar parte dessa trajetória na reportagem “Dadá no comando”, quando ele assumiu a vice-presidência da Associação de Surf da Barra da Tijuca, entidade da qual havia sido um dos fundadores. Dadá defendia a valorização dos veteranos e o retorno das categorias Master aos campeonatos. Para ele, preservar a memória dos pioneiros era uma maneira de aproximar as novas gerações da história do surfe.

    Pioneiro do surf progressivo e símbolo da contracultura, carioca Dadá Figueiredo morreu no último sábado (24), ao enfrentar uma pneumonia. Sua trajetória foi marcada por talento, rebeldia e superação.

    O Museu da Imagem e do Som de Santos (MISS) recebe, a partir das 15h deste sábado (31), o primeiro encontro do Naborda Film Festival – Melhores do Ano 2026. A abertura terá uma exposição com 60 fotografias de surfe produzidas por profissionais de diferentes regiões do Brasil, além de sessões de curtas-metragens documentais, exposição de pranchas e apresentações musicais. Idealizado por Bruno Espósito e Dêmi Viola, o festival promove três meses de atividades dedicadas à cultura do surfe e do oceano, reunindo fotógrafos, cineastas, artistas e apaixonados pelo esporte. A proposta é dar visibilidade à produção artística ligada ao mar e reconhecer os melhores trabalhos do ano. A edição de 2026 contará com quatro encontros em diferentes espaços culturais de Santos. Cada etapa dará destaque a uma linguagem artística, começando pela fotografia em outubro, passando pelas artes visuais em novembro e chegando ao cinema em dezembro. Programação do Naborda 2026 31 de outubro – Fotografia: A abertura acontece no MISS, localizado no térreo do Teatro Municipal Brás Cubas, com exposição de 60 fotografias de surfe, exibição de curtas-metragens, mostra de pranchas e música ao vivo. 29 de novembro – Artes: O Cine Arte Posto 4, cinema localizado em frente ao mar, recebe uma exposição com trabalhos dos artistas inscritos, além de sessões de curtas, mostra de pranchas e apresentações musicais. 11 de dezembro – Curtas-metragens: O Cine Roxy será palco da exibição dos filmes finalistas em uma tela de 15 metros, acompanhada de exposições de fotografia e artes no hall do cinema. 12 de dezembro – Premiação: O encerramento acontece na Frontaria Azulejada, com a cerimônia de entrega dos prêmios aos vencedores das diferentes categorias, exposições e apresentações musicais. O Naborda Film Festival é apresentado pela Cerveja Praya, com patrocínio da South to South e Surfmappers. O evento conta com apoio do Waves, RTL FM – A Rádio Rock, Empório Bolshoi, Óculos Mandalla, Future Fins, Fuwax, Arakawa, Santa Areia Beachwear, Instituto Ecosurf e Prefeitura Municipal de Santos. Serviço – Abertura do Naborda Film Festival 2026 Data: 31 de outubro (sábado) Horário: a partir das 15h Local: Museu da Imagem e do Som de Santos (MISS), Teatro Municipal Brás Cubas, Santos (SP) Entrada: gratuita Instagram: @naborda_film_festival Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Naborda (@naborda_film_festival)

    Naborda Film Festival começa neste sábado (31), em Santos (SP), com entrada gratuita, exposições de fotografia, filmes e música ao vivo; programação segue até dezembro.

    Das praias ancestrais da Polinésia aos campeonatos que movimentam milhões de fãs ao redor do mundo, o surfe percorreu um longo caminho até se consolidar como um dos esportes mais populares da atualidade. No Brasil, a modalidade vive um momento de expansão impulsionado por conquistas internacionais, pelo surgimento de novos talentos e por investimentos que contribuem para o fortalecimento de toda a cadeia esportiva. Embora hoje seja um esporte global, foi no Havaí que o surfe ganhou maior notoriedade e passou a ser difundido para o restante do mundo a partir do início do século XX. A modalidade, no Brasil, começou a se popularizar entre as décadas de 1960 e 1970 e, desde então, passou por uma evolução que transformou o país em uma das principais potências da modalidade. Ao longo dos anos, o país revelou atletas capazes de conquistar títulos nas maiores competições do mundo, consolidando o movimento conhecido como “Brazilian Storm”, geração que projetou o país no circuito internacional e inspirou uma nova leva de praticantes. Dados da World Surf League (WSL) mostram que a temporada de 2025 alcançou 80 milhões de espectadores em plataformas lineares e digitais, um crescimento de 39% em relação ao ano anterior. E em 2026 os números também reforçam a consolidação do surfe profissional como um produto esportivo de alcance global. Apenas na etapa de abertura do Championship Tour, em Bells Beach, o Brasil respondeu por 43% da audiência ao vivo nos canais próprios da liga durante o Finals Day, mesmo com o fuso horário desfavorável. Os resultados acompanham uma tendência de crescimento da modalidade em escala internacional. Os títulos conquistados por atletas brasileiros refletem em como essa maré de vitória influencia no consumo do público ao surfe, posicionando cada vez mais a modalidade no mainstream esportivo. Em maio deste ano, por exemplo, Italo Ferreira conquistou o título da etapa em Raglan, na Nova Zelândia, válida pelo Championship Tour (CT) da WSL, reforçando o protagonismo brasileiro no circuito mundial e mantendo o país entre os principais candidatos aos títulos da temporada. Já Tatiana Weston-Webb, um dos principais destaques no surfe feminino, segue em uma crescente significativa. Em 2024, nos Jogos Olímpicos de Paris, a atleta voltou com uma medalha de prata no peito e sagrou-se a primeira brasileira a receber uma medalha olímpica na modalidade. “O surfe mudou bastante e continua mudando. Atualmente as mulheres têm muito mais espaço, visibilidade e respeito dentro do esporte. Temos mulheres competindo nos mesmos palcos, com a mesma premiação, e mostrando cada vez mais que podemos estar em ondas grandes e competir em alto nível. Isso é muito importante”, explica a atleta Tatiana Weston-Webb. Nesse cenário, o apoio do Banco do Brasil tem sido um dos pilares para a evolução da modalidade no país. O BB é um dos parceiros que impulsionam esse movimento ao patrocinar atletas de destaque no circuito mundial, como Luana Silva, Tatiana Weston-Webb e Italo Ferreira, além de apoiar ações voltadas ao desenvolvimento do esporte e ao incentivo de surfistas que estão iniciando suas trajetórias nas competições. “O sucesso do surfe brasileiro é resultado de talento, dedicação e da construção de um ecossistema cada vez mais forte. O apoio de marcas, entidades esportivas e parceiros tem papel importante nesse processo, criando condições para que atletas possam se desenvolver e competir em alto nível. O Banco do Brasil acredita no esporte como ferramenta de transformação e vê no surfe uma modalidade capaz de gerar impacto positivo, promover inclusão, inspirar pessoas e fortalecer comunidades. Por isso, buscamos contribuir para o crescimento sustentável do esporte em diferentes frentes, do incentivo a atletas à realização de competições que ajudam a ampliar o alcance da modalidade no país”, afirma Larissa Novais, diretora de marketing e comunicação do Banco do Brasil. Para a empresa, investir no surfe significa contribuir para o desenvolvimento de um esporte que reúne valores como superação, disciplina, conexão com a natureza e inclusão. Além do apoio aos atletas profissionais, a marca busca incentivar a formação de novos talentos e fortalecer a comunidade do surfe brasileiro. Na Onda Com BB Mastercard Além do patrocínio aos atletas, o Banco do Brasil incentiva o público a consumir o esporte por meio de campanhas. Na promoção vigente, em parceiria com a Mastercard, o consumidor concorre a uma viagem para acompanhar a etapa de Pipeline, no Havaí, durante o Championship Tour da World Surf League (WSL), em dezembro de 2026 e a ida a uma etapa do CT 2027 que será revelada após a divulgação do calendário oficial da WSL. O regulamento completo da campanha, critérios de participação e demais informações estarão disponíveis na página oficial da campanha.

    Ascensão da Brazilian Storm marca uma nova era para modalidade e mostra como o incentivo ao esporte é fundamental para ampliar oportunidades dentro e fora das competições.

    Gabriel Medina ficou com o vice-campeonato do MEO Rip Curl Pro Portugal 2026. Em uma final emocionante nesta sexta-feira (23), em Supertubos, Peniche, o norte-americano Griffin Colapinto conseguiu a virada na reta final da bateria e conquistou o título por 17.60 (9.43 + 8.17) a 16.77 (8.57 + 8.20). O tricampeão mundial brasileiro fez uma grande apresentação nas ondas portuguesas, com tubos profundos e aéreos que levaram ao delírio o público presente na praia. Medina chegou a liderar a decisão, mas viu Colapinto encontrar a melhor onda da final nos minutos finais e ficou a apenas 0.83 ponto do título. Final de alto nível em Supertubos A decisão começou em ritmo acelerado. Colapinto abriu a disputa com um tubo avaliado em 8.17, enquanto Medina respondeu com 7.67. O norte-americano ampliou a vantagem com mais uma boa onda, de 7.57, mas o brasileiro encontrou um tubo profundo, recebeu 8.20 e assumiu a liderança. A disputa ganhou ainda mais intensidade quando Medina completou outra esquerda de qualidade e arrancou 8.57 dos juízes, elevando seu somatório para 16.77. A vitória parecia próxima, mas Colapinto ainda tinha uma resposta. Na reta final, o norte-americano encontrou uma esquerda longa e pesada, percorreu o tubo e conseguiu sair com controle. A onda recebeu 9.43, maior nota da decisão, e colocou Colapinto novamente na frente, com 17.60 pontos. Medina passou a precisar de 9.04 para recuperar a liderança, mas não encontrou outra oportunidade até o término da bateria. Foi o terceiro vice-campeonato do brasileiro na temporada, depois das decisões em Margaret River e Fiji. Sua última vitória em uma etapa do Championship Tour aconteceu em abril de 2023, justamente em Margaret River, na Austrália. Colapinto, por sua vez, conquistou seu terceiro título em Peniche, onde também havia vencido em 2022 e 2024. “É a realização de um sonho. Como estavam boas as ondas lá fora! A batalha com Gabriel foi surreal. Ficamos alternando a liderança daquele jeito e eu me lembrei dos tempos de Andy Irons e Kelly Slater. Cresci assistindo àquela geração e sempre esperei poder viver algo assim um dia. Senti que essa bateria foi desse nível. Portugal tem um lugar muito especial no meu coração. Foi um sonho repetir o feito do meu irmão, que venceu em Ericeira. Quando Crosby conquistou aquela vitória, percebi que precisava me concentrar de verdade, e ele me inspirou muito. O universo esteve do meu lado nesta semana. Parecia que as coisas estavam dando certo para mim, mas isso também é resultado de todo o trabalho duro nos bastidores e de tudo o que faço diariamente. Sou muito grato”, diz Griffin Colapinto. Medina supera Italo na semifinal Antes da decisão, Medina enfrentou Italo Ferreira em um duelo brasileiro que reuniu dois campeões mundiais. Com condições difíceis em Supertubos, Italo começou melhor e chegou a abrir vantagem, mas o tricampeão encontrou uma onda decisiva. Medina encaixou um tubo seguido de uma manobra aérea, recebeu 8.17 e virou o confronto. Com 11.67 pontos, superou os 10.10 de Italo e garantiu presença em sua terceira final da temporada. Na outra semifinal, Yago Dora acabou eliminado por Griffin Colapinto. O líder do ranking somou 8.83 pontos, contra 14.33 do norte-americano. Durante a bateria, Yago sofreu uma queda e precisou sair do mar para trocar a prancha, perdendo tempo importante na tentativa de reação. Com os resultados, Medina terminou como vice-campeão, enquanto Italo e Yago dividiram a terceira posição na etapa portuguesa. “É sempre divertido competir aqui. É uma onda muito divertida de surfar. Fazer uma final com Griffin foi especial. Ele é um surfista incrível e tem sido muito legal acompanhar sua evolução. Ele me inspira a me esforçar ainda mais, e estou aqui para fazer essa galera trabalhar duro! Estou feliz com minha performance e espero ter uma chance em Pipe”, diz Gabriel Medina. Brasileiros seguem na briga pelo título Apesar da derrota na decisão, Medina ganhou uma posição no ranking mundial e passou a ocupar o quarto lugar, com 43.210 pontos, ultrapassando Miguel Pupo. Yago Dora permanece na liderança, com 48.865 pontos, seguido por Italo Ferreira, com 46.015. Campeão em Peniche, Griffin Colapinto subiu para a terceira posição, com 43.695 pontos. Miguel Pupo completa os cinco primeiros, com 42.770. A diferença entre os principais candidatos mantém a disputa aberta nas duas últimas etapas da temporada. Em 2026, o título mundial será definido pela pontuação acumulada ao longo do Championship Tour, sem uma final em formato de mata-mata. Molly Picklum vence no feminino Entre as mulheres, a australiana Molly Picklum conquistou sua primeira vitória da temporada ao superar a norte-americana Caitlin Simmers por 13.33 a 12.84 na final em Supertubos. Atual campeã mundial, Picklum somou notas 7.83 e 5.50 para garantir o título e assumir a liderança do ranking feminino, ultrapassando Carissa Moore. Próxima parada: Filipinas O Championship Tour segue agora para Cloud 9, na ilha de Siargao, nas Filipinas, com janela de competição entre 31 de outubro e 10 de novembro. Depois da estreia filipina no calendário, a temporada será encerrada em Pipeline, no Havaí, onde serão definidos os campeões mundiais de 2026. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30

    Gabriel Medina perde de virada para Griffin Colapinto e termina com o segundo lugar no MEO Rip Curl Pro Portugal 2026, etapa portuguesa do Circuito Mundial da WSL.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.