Já tinha essa onda em mente há muito tempo, mas ela estava sempre distante por inúmeros fatores. As coisas se encaixaram e consegui ser apresentado à lendária direita de Jeffreys Bay e à bancada conhecida como Super Tubes, na África do Sul.
Cheguei em J-bay com as ondas bombando e um sólido swell de 2 metros varria a bancada sem parar. Infelizmente durante o desembarque as pranchas chegaram, mas a mala não, e o resultado disso foi o dia mais angustiante da minha vida. Ficar ali, na frente delas, sem o equipamento pra cair na água foi difícil.
Mas logo a mala chegou e daí começou o sonho de surfar aquelas direitas que pode virar pesadelo caso você vacile na entrada pelas pedras ou erre a saída também. Em J-Bay não tem moleza: se quiser surfar, vai ter que entrar e sair pelas pedras. Vi muitas quilhas quebradas, pés e mãos cortados e alguns outros danos, mas é o preço a pagar.
Já tinha visto a formação de filas de surfistas no line up nas viagens que fiz, mas em J-Bay isso é levado a sério. Não dê a volta em ninguém, caso contrário os locais te ensinarão a ficar só olhando e a brincadeira acaba por ali.
A perfeição da onda é incrível. A parede corre pela bancada sempre em pé, próxima às pedras, e as seções vão se formando na sua frente, dando a impressão de ser impossível passá-las. A água gelada e a ocasional visita dos tubarões fazem de uma queda em Super Tubes uma sessão de adrenalina violenta.
O bônus da viagem foi que na segunda semana chegou um grupo de brasileiros que ficou na mesma pousada e a empatia com essa turma foi imediata. Camaradagem do surf, boas risadas, várias quedas juntos. Até churrasco brazuca rolou e acabamos voltando quase todos no mesmo voo.
Jeffreys Bay sempre será um lugar especial pra mim. A “perfeição africana” é gelada, difícil e perigosa, mas uma das melhores ondas do mundo. Espere sua vez e respeite os locais que sua cota de ondas estará garantida.





















